(I de III)
“Lembramo-nos com saudade do grupo de trabalho espiritual, em Pedro Leopoldo, onde Chico iniciou as suas actividades. Casa pobre, simples, cheia de espiritualidade, cor-de-rosa desbotada, junto à residência do grande amigo.
Numa das primeiras vezes que o visitámos, com aquele encantamento que nos acompanhará por toda a vida, ouvimos o choro de uma criança. Não era a primeira vez que ouvíamos este choro aflitivo, angustiado, triste.
Chico (i) percebeu-nos a preocupação e disse com muita delicadeza:
- É um menino de quem eu tracto. Tem nove anos, mas está numa caminha, entrevado. Querem vê-lo? Chama-se Emmanuel.
Seguindo-lhe o gesto, acompanhámo-lo.
A caminha do menino estava ao lado da porta que separava os dois quartos, ali mesmo ao pé do Centro. Tudo de tijolos, na simplicidade da pobreza franciscana.
- A mãe é doente e não pode tratar do menino, acrescentou Chico. Coube-me a tarefa de alimentá-lo e mantê-lo.
Aproximámo-nos. Na pequena cama, esperava-nos um verdadeiro monstro. O coitadinho era aleijado e não era maior do que uma criança de dois anos. Braços e pernas retorcidos e uma fisionomia angustiada.
A nossa mente galopou pelo espaço, o coração confrangeu-se-nos no peito e, num relâmpago pensámos: como pode o Chico – cheio de problemas da Doutrina para resolver, a trabalhar na repartição em que é funcionário e, a orientar milhares de pessoas que o procuram diariamente – tratar ainda deste infeliz? Sentimos que se desenrolava ali um grande drama.”
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CHICO XAVIER PÁGINAS DE UMA VIDA, Robespierre* (I de III), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER.
(imagem de contextualização: Maximilien de Robespierre
(1758-1794) foi um advogado e político francês e, uma das personalidades mais
importantes da Revolução Francesa. Ditador sanguinário durante o Período do
Terror em França)
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