Da arte com que trabalharmos o nosso pensamento dependem as nossas misérias ou as nossas glórias...

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Fluidos Luminosos próprios e/ou Os de Vontade estranha

“O perespírito possui, pela sua natureza, uma propriedade luminosa que se desemvolve sob o influxo da actividade e das qualidades da alma. Poder-se-ia dizer que essas qualidades estão para o fluido perespiritual como a fricção para o fósforo. A intensidade da luz está na razão da pureza do Espírito: as mais pequenas imperfeições morais atenuam-na e enfraquecem-na. A luz irradiadada por um Espírito será tanto mais viva, quanto maior for o seu avanço. Assim, sendo o Espírito, de alguma forma, o seu próprio farol, verá proporcionalmente à intensidade da luz que produz, resultando daí que os Espíritos que não a produzem se encontram na obscuridade.
Esta teoria é perfeitamente exacta quanto à irradiação de fluidos luminosos pelos Espíritos superiores e é confirmada pela observação, embora não se possa concluir que seja essa a verdadeira causa, ou, pelo menos, a única causa do fenómeno:
1.º) Porque nem todos os Espíritos inferiores estão nas trevas;
2.º) Porque um mesmo Espírito se pode encontrar alternadamente na luz e na obscuridade;
3.º) Finalmente, porque a luz também é um castigo para os Espíritos muito imperfeitos.
Se a obscuridade em que jazem certos Espíritos fosse inerente à sua personalidade, essa obscuridade seria permanente e geral para todos os maus Espíritos, o que aliás não acontece. Às vezes, os perversos mais requintados vêem perfeitamente, ao passo que outros, que não podem ser qualificados assim, jazem temporiamente em trevas profundas. Assim, tudo indica que, independentemente da luz que lhes é própria, os Espíritos recebem uma luz exterior que lhes falta segundo as circunstâncias, de onde é forçoso concluir que a obscuridade depende de uma causa ou de uma vontade estranha, constituindo uma punição especial da soberana justiça, para casos determinados.”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Parte II Exemplos, Capítulo IV - Espíritos sofredores, Estudo sobre as comunicações de Claire

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Claire

“- Que devemos entender por trevas em que se encontram mergulhadas certas almas sofredoras? Serão as trevas tantas vezes referidas na Escritura?
«Eis-me aqui. Também eu posso responder à pergunta relativa às trevas, pois vaguei e sofri durante muito tempo nesses limbos onde tudo é soluços e misérias. Sim, existem as trevas visíveis de que fala a Escritura e os desgraçados que, tendo terminado as suas provações terrenas, deixaram a vida, ignorantes e culpados, são mergulhados numa região fria, inconscientes de si próprios e do seu destino. Acreditam na eternidade da sua situação, ainda balbuciam as palavras da vida que os seduziu, admirando-se e espantando-se da sua profunda solidão; são trevas, pois, esses lugares povoados e ao mesmo tempo desertos, espaços em que erram Espíritos obscuros lastimosos, sem consolo, sem afeições, sem socorro de espécie alguma. A quem se dirigir?... Sentem ali a eternidade esmagadora sobre eles. Tremem e lamentam os interesses mesquinhos que lhes mediam as horas; deploram a ausência das noites que, muitas vezes, lhes traziam, num sonho feliz, o esquecimento dos pesares. As trevas para o Espírito são: a ignorância, o vazio, o horror pelo desconhecido… Não posso continuar…»
Claire”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Parte II Exemplos, Capítulo IV - Espíritos sofredores, Estudo sobre as comunicações de Claire

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As Trevas

“- Que devemos entender por trevas em que se encontram mergulhadas certas almas sofredoras? Serão as trevas tantas vezes referidas na Escritura?
«Sim, efectivamente, são as trevas designadas por Jesus e pelos profectas em referência ao castigo dos maus. Mas isso não passa de uma alegoria destinada a ferir os sentidos materializados dos seus contemporâneos, os quais nunca poderiam compreender a punição de uma maneira espiritual. Certos Espíritos estão emersos em trevas, mas deve-se concluir daí uma verdadeira noite da alma comparável à obscuridade intelectual do idiota. Não é uma loucura da alma, mas sim uma inconsciência de si própria e do que a rodeia que se produz quer na presença, quer na ausência da luz material. É, principalmente, a punição dos que duvidaram do seu destino. Acreditaram no nada e as aparências desse nada fazem o seu suplício, até que a alma, caindo em si, quebre energicamente as malhas de enervamento moral que a envolveu; tal como um homem oprimido por um sonho penoso, luta num dado momento, com todo o vigor das suas faculdades, contra os terrores que de começo o dominam.
»Esta redução momentânia da alma a um nada fictício e consciente da sua existência é um sentimento mais cruel do que se pode imaginar, em razão da aparência de repouso que a acomete; é esse repouso forçado, essa nulidade de ser, essa incerteza que lhe fazem o suplício. O aborrecimento que a invade é o mais terrível dos castigos, porque não sente coisa alguma à sua volta, nem coisas, nem seres; são para ela verdadeiras trevas.»
S. Luís”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Parte II Exemplos, Capítulo IV - Espíritos sofredores, Estudo sobre as comunicações de Claire

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Fluido Perispiritual

"O perispírito é formado de fluidos, em diferentes graus de condensação, desde os fluidos materiais, que aderem ao cérebro, até aos espirituais, que se aproximam da natureza da alma.
De sorte que, se uma vibração impressiona um nervo sensitivo, este a transmite aos tálamos ópticos, que a reflectem para o sensorium; aí chegada essa vibração, age sobre o fluido perispiritual, que aos poucos adverte o espírito.
Assim, como pensam os fisiologistas de que já falamos, são as ondulações do fluido perispiritual que transmitem as sensações à alma e, reciprocamente, a vontade da alma se manifesta aos órgãos por ondulações em sentido inverso das primeiras, que vão da parte mais depurada à parte mais material. Chegadas à superfície das camadas corticais, as ondulações impressionam as células do sensorium e põe em acção a energia nervosa que aí está contida; esta, sob forma de descarga nervosa, atravessa os núcleos do corpo estriado, onde adquire uma força maior e se distribui, em seguida, pelos nervos motores, conforme as vontades da alma.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, 4ª parte, Capítulo II – Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel

Intermediário Fluídico

“Sabemos que os nervos sensitivos terminam em uma parte do cérebro chamada tálamos ópticos; aí, cada aparelho sensorial possui um núcleo de células ganglionares, que está ligado à periferia cortical por fibras brancas. Lembrado isto, vejamos como as excitações exteriores penetram e se encaminham no organismo quando se trata de um fenômeno auditivo ou visual, que põe em actividade as células da retina ou do nervo auditivo. Que se passa, então, na intimidade dos condutores nervosos?
Essas excitações, seguidamente transmitidas, põem logo em jogo as actividades específicas, isto é, as propriedades especiais das diversas células que compõem os núcleos dos tálamos ópticos. As células do centro óptico, entrando em vibração, as transmitem à camada cortical pelas fibras radiantes e, aí chegadas, essas vibrações, que são, até esse momento, simples movimentos moleculares, encontram o duplo fluídico e lhe comunicam a impressão. Desde então, este movimento ondulatório se propaga até à alma que tem dele consciência. É a esse conhecimento que se chama percepção; ele não poderia efetuar-se se o intermediário fluídico não existisse.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, 4ª parte, Capítulo II – Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel

Esboço Fluídico

“Geoffroy Saint-Hilaire dizia: “O tipo segundo o qual a vida forma o corpo desde a origem é também aquele segundo o qual ela o entretém e repara. A vida é, ao mesmo tempo, formadora, conservadora e reparadora, sempre conforme esse modelo ideal, regra invariável de todos os seus actos.”
Esse modelo ideal está contido no ser material que se transforma sem cessar? Não, evidentemente; ele lhe é exterior, ou antes, é nele que se vêm incorporar as moléculas materiais; ele é esboço fluídico do ser. Se reflectirmos, com efeito, nas transformações múltiplas, incessantes, às quais está o corpo submetido, compreenderemos a necessidade dessa força diretriz que indica aos átomos materiais o lugar que eles devem ocupar. Como conceber que o cérebro, instrumento tão frágil, tão complicado, cuja substância se renova continuamente, possa funcionar de maneira constante, se não existisse um modelo fluídico no qual as moléculas materiais se vêm incorporar?
Com a morte do corpo, não mais existindo esse duplo, tudo sucumbe, se degrada e destrói, em curto lapso de tempo. É este esboço fluídico que, diferindo segundo os indivíduos, conserva a estrutura particular de cada um, as formas gerais do corpo e da fisionomia que o fazem reconhecer durante o curso de sua existência.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, 4ª parte, Capítulo II – Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Regiões Felizes

“À medida que ela se vai distanciando das esferas inferiores, onde reinam as influências pesadas, onde se agitam as vidas grosseiras, banais ou culpadas, as existências de lenta e penosa educação, a alma vai percebendo as altas manifestações da inteligência, da justiça, da bondade, e sua vida torna-se cada vez mais bela e divina. Os murmúrios confusos, os rumores discordes dos centros humanos pouco a pouco vão se enfraquecendo para ela até se extinguirem de todo; ao mesmo tempo começa a perceber os ecos harmoniosos das sociedades celestes. É o limiar das regiões felizes, onde reina uma eterna claridade, onde paira uma atmosfera de benevolência, serenidade e paz, onde todas as coisas saem frescas e puras das mãos de Deus.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XII. – As missões, a vida superior

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Acção Mediúnica

"Conhecida em todos os tempos da cultura sócio-histórico-antropológica, na Terra, têm-se manifestado a acção mediúnica através de complexas expressões.

Nabucodonosor, o célebre rei da Assíria, com freqüência era visitado por entidades perversas, assumia postura chocante sob a injunção de doloroso fenômeno obsessivo que o maltratava mediunicamente.

Akenathon, o insigne faraó egípcio, inspirado por excelentes Numes Tutelares, penetrou, psiquicamente, no mundo espiritual, oferecendo nobre visão de Deus, através da deidade Athon representada no Astro-rei, que se faz presente em tudo e sustenta a vida...

Pitágoras, iniciado na comunicação com os espíritos, ensinava as técnicas de educação espiritual, no seu santuário em Crotona. Domício Nero, déspota e alienado, sofria a visita mediúnica da genitora e da esposa, que ele assassinara.

Na esfera do Cristianismo, as comunicações eram comuns, e o Apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios, apresentou a "variedade de dons" mediúnicos que se encontram presentes nas criaturas.

Francisco de Assis ou Tereza de Ávila, Condorcet ou Voltaire, Schumann ou Schiller, para citar apenas alguns, foram instrumentos dos Imortais, que lhes tangiam as cordas sensíveis da alma, trazendo do Mundo Maior as belas páginas de diversificada cultura e arte que ainda deslumbram e comovem a humanidade".

Divaldo Pereira Franco. Ditado pelo Espírito Joanna de Ângelis.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Evolução da Alma

“Já não é o céu frio e vazio dos materialistas, nem mesmo o céu contemplativo e beato de certos crentes; é um universo vivo, animado, luminoso, cheio de seres inteligentes em via constante de evolução. Quanto mais os seres espirituais se elevam, tanto mais se acentua a sua tarefa, tanto mais aumentam de importância suas missões. Um dia, tomam lugar entre as almas mensageiras que vão levar aos confins do tempo e do espaço as forças e as vontades da Alma Infinita.
Para o Espírito ínfimo, assim como para o mais eminente, não tem limites o domínio da vida. Qualquer que seja a altura a que tenhamos chegado, há sempre um plano superior a alcançar, uma nova perfeição a realizar.
Para toda alma, mesmo a mais inferior, um futuro grandioso se prepara. Cada pensamento generoso que começa a despontar, cada efusão de amor, cada esforço que tende para uma vida melhor é como a vibração, o pressentimento, o apelo de um mundo mais elevado que a atrai e que, cedo ou tarde, a receberá. Todo ímpeto de entusiasmo, toda palavra de justiça, todo acto de abnegação repercute em progressão crescente na escala dos seus destinos.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XII. – As missões, a vida superior

Dos Destinos da Alma

“A alma vem de Deus e volve a Deus, percorrendo o ciclo imenso dos seus destinos; mas, por mais baixo que tenha descido, cedo ou tarde, pela atracção, sobe de novo para o infinito. Que procura ela ali? O conhecimento cada vez mais perfeito do Universo, a assimilação cada vez mais completa de seus atributos – Beleza, Verdade, Amor! E, ao mesmo tempo, uma libertação gradual das escravidões da matéria, uma colaboração crescente na obra de Deus.
Cada Espírito tem, no Espaço, sua vocação e segue-a com facilidades desconhecidas na Terra; cada um encontra seu lugar nesse soberbo campo de acção, nesse vasto laboratório universal. Por toda parte, tanto na amplidão como nos mundos, objectos de estudo e de trabalho, meios de elevação, de participação na obra eterna, se oferecem à alma laboriosa.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XII. – As missões, a vida superior

Algo para nós

“Não digas que a grandeza de Deus te dispensa do bem a realizar.
Deus é a Luz do Universo, mas podes acender uma vela e clarear o caminho para muita gente dentro da noite.
Deus é o Amor, entretanto, onde a necessidade apareça, guardas o privilégio de oferecer a migalha de socorro que comece a restaurar o equilibrio da vida.
Lembremo-nos de que Deus pode fazer tudo, mas reservou-nos algo para realizar, por nós mesmos, de modo a sermos dignos de seu nome.”

Francisco Cândido Xavier. Da obra: Livro de Respostas. Ditado pelo Espírito Emmanuel. CEU.

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Terra

"A Terra é o campo de trabalho, em que Deus situou o berço, o lar, o templo e a escola."
Emmanuel

sábado, 11 de dezembro de 2010

Ganhar -Emmanuel

"Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma?" - JESUS.(MARCOS, 8:36.)

"As criaturas terrestres, de modo geral, ainda não aprenderam a ganhar. Entretanto, o espírito humano permanece no Planeta em busca de alguma coisa. É indispensável alcançar valores de aperfeiçoamento para a vida eterna.
Recomendou Jesus aos seus tutelados procurassem, insistissem...
Significa isso que o homem se demora na Terra para ganhar na luta enobrecedora.
Toda perturbação, nesse sentido, provém da mente viciada das almas em desvio.
O homem está sempre decidido a conquistar o mundo, mas nunca disposto a conquistar-se para uma esfera mais elevada. Nesse falso conceito, subverte a ordem, nas oportunidades de cada dia. Se Deus lhe concede bastante saúde física, costuma usá-la na aquisição da doença destruidora; se consegue amealhar possibilidades financeiras, tenta açambarcar os interesses alheios.
O Mestre Divino não recomendou que a alma humana deva movimentar-se despida de objectivos e aspirações de ganho; salientou apenas que o homem necessita conhecer o que procura, que espécie de lucros almeja, a que fins se propõe em suas actividades terrestres.
Se teus desejos repousam nas aquisições factícias, relativamente a situações passageiras ou a patrimónios fadados ao apodrecimento, renova, enquanto é tempo, a visão espiritual, porque de nada vale ganhar o mundo que te não pertence e perderes a ti mesmo, indefinidamente, para a vida imortal."

Francisco Cândido Xavier. Da obra: Caminho, Verdade e Vida. Ditado pelo Espírito Emmanuel. Capítulo 58. Rio de Janeiro, RJ. FEB.

Pagamento na Hora Certa

"Quando José - irmão de Chico que dirigia as sessões do centro - morreu, Chico ficou com a tarefa de cuidar da família e, além disso, também de uma dívida deixada pelo irmão referente a uma conta de luz, no valor de onze cruzeiros.
Na época, a quantia era elevada para Chico, cujo ordenado mal dava para as necessidades básicas. Quando pensava em como faria para pagar a dívida, Emmanuel lhe disse para não se preocupar e esperar. Algumas horas depois, alguém bateu à porta. Chico atendeu e viu um senhor da roça que lhe disse ter sabido da morte de seu irmão José, e que estava ali para pagar uma dívida que tinha com ele, de uma bainha para faca que José havia feito para ele há tempos. O homem lhe deu um envelope e se foi. Quando Chico abriu, encontrou a quantia exacta de onze cruzeiros."

Revista Espiritismo & Ciência - 18/09/2007

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Chico Xavier / Emmanuel

"No ano de 1931 ocorreu o primeiro contacto de ambos, no momento em que Chico esteve à sombra de uma árvore, à beira de uma represa, a orar. Neste instante, viu uma cruz luminosa, percebendo a figura de um senhor que vestia uma túnica sacerdotal. Ocorreu então o famoso diálogo entre Chico e Emmanuel:
- Está mesmo disposto a trabalhar na mediunidade?
- Sim, se os bons espíritos não me abandonarem.
- Você não será desamparado, mas para isso é preciso que trabalhe, estude e se esforce no bem.
- O senhor acha que estou em condições de aceitar o compromisso?
- Perfeitamente, desde que respeite os três pontos básicos para o serviço.
- Qual o primeiro ponto?
- Disciplina.
- E o segundo?
- Disciplina.
- E o terceiro?
- Disciplina, é claro. Temos algo a realizar. Trinta livros para começar. "

Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Desprendimento da Alma

“Quanto à diferença de acuidade nas impressões, já podemos fazer uma idéia pelos sonhos chamados “emotivos”. A alma, quando desprendida, embora incompletamente, não só percebe, mas também sente com intensidade muito mais viva que no estado de vigília. Cenas, imagens, quadros, que, quando estamos acordados, nos impressionam fracamente, tornam-se no sonho causa de grande satisfação ou de vivo sofrimento. Isso nos dá uma idéia do que podem ser a vida dos Espíritos e seus modos de sensação, quando, separados do invólucro carnal, a memória e a consciência recuperam a plenitude de suas vibrações. Compreendemos desde logo como pode a reconstituição das recordações do passado converter-se em fonte de tormentos. A alma traz em si mesma o seu próprio juiz, a sanção infalível de suas obras, boas ou más.
Tem-se reconhecido isso em acidentes que podiam ter causado a morte. Em certas quedas, durante a trajectória percorrida pelo corpo humano a partir de um ponto elevado acima do solo, ou então na asfixia por submersão, a consciência superior da vítima passa em revista toda a vida gasta, com uma rapidez espantosa. Revê-a completamente em seus mínimos pormenores em poucos minutos.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XI. – A vida no Além

Faculdades mais Amplas

“O Espírito adiantado possui fontes de sensações e percepções infinitamente mais extensas e mais intensas do que as do homem terrestre. Nele, a clarividência, a clariaudiência, a acção à distância, o conhecimento do passado e do futuro coexistem numa síntese indefinível, que constitui, segundo a expressão de F. Myers, “o mistério central da vida”. Falando das faculdades dos Invisíveis de situação média, esse autor assim se exprime:
“O Espírito, sem ser limitado pelo espaço e pelo tempo, tem do espaço e do tempo conhecimento parcial. Pode orientar-se, achar uma pessoa viva e segui-la. É capaz de ver no presente coisas que aparecem para nós como situadas no passado e outras que estão no futuro.
O Espírito tem conhecimento dos pensamentos e emoções que, da parte dos seus amigos, se referem a ele.” “

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XI. – A vida no Além

Realidades mais Elevadas

“Nossas concepções e nossos sonhos seguem-nos por toda parte. No surto dos seus pensamentos e no ardor de sua fé, os adeptos de cada religião criam imagens nas quais supõem reconhecer os paraísos entrevistos. Depois, pouco a pouco, se apercebem de que essas criações são fictícias, de pura aparência e comparáveis a vastos panoramas pintados na tela ou a afrescos imensos. Aprendem, então, a desprender-se deles e aspiram a realidades mais elevadas, mais sensíveis. Sob nossa forma actual e no estreito limite de nossas faculdades, não poderíamos compreender as alegrias e os arroubos reservados aos Espíritos superiores, nem as angústias profundas experimentadas pelas almas delicadas que chegaram aos limites da perfeição. A beleza está por toda parte; só os seus aspectos variam ao infinito, segundo o grau de evolução ou depuração dos seres.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XI. – A vida no Além

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O Sonambulismo e o Estudo da Alma

“O magnetismo é hoje estudado metodicamente, e uma notável propriedade descoberta pelo marquês de Puységur lhe fez dar passos de gigante: queremos falar do sonambulismo provocado.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, Capítulo I – O Magnetismo, sua História

O Magnetismo e a Alma

“Avicena, doutor famoso, que viveu de 980 a 1036, escreveu que a alma age não só sobre o seu próprio corpo, senão ainda sobre corpos estranhos que pode influenciar, à distância.
Ficin, em 1460, Cornélio Agripa, Pomponáceo em 1500 e sobretudo Paracelso, contemporâneo deles, estabeleceram as bases do magnetismo moderno, como devia ser ensinado mais tarde por Mésmer.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, Capítulo I – O Magnetismo, sua História

Os Druidas e o Magnetismo

“Na Gália os druidas e as druidesas possuíam em alto grau a faculdade de curar, como o atestam muitos historiadores; a sua medicina magnética tornou-se tão célebre que os vinham consultar de todas as partes do Mundo. É fácil verificar quanto a sua fama era universal, consultando Tácito, Plínio e Celso. Na Idade Média, o magnetismo foi praticado, principalmente, pelos sábios. O clero, ignorante e supersticioso, temia a intervenção do diabo nessas operações um tanto estranhas, de sorte que esta ciência ficou sendo o apanágio dos homens instruídos.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, Capítulo I – O Magnetismo, sua História

O Magnetismo (Hipnotismo)

“A ciência magnética compreende certo número de divisões, conforme as diferentes categorias de fenômenos. Assinalaremos, aqui, os factos que se relacionam com o desprendimento da alma, deixando de lado o aspecto terapêutico dessa ciência cultivada pelos nossos antepassados.
Sem fazer a história detalhada do magnetismo, podemos lembrar que ele foi conhecido em todos os tempos. Os anais dos povos da antigüidade formigam em narrativas circunstanciadas, que mostram o profundo conhecimento que do magnetismo tinham os antigos sacerdotes.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, Capítulo I – O Magnetismo, sua História

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Além que Criamos

“O pensamento cria, a vontade edifica. A causa de todas as alegrias e de todas as dores está na consciência e na razão; por isso é que, cedo ou tarde, encontramos no Além as criações dos nossos sonhos e a realização das nossas esperanças. Mas o sentimento da tarefa incompleta, ao mesmo tempo que os afectos e as lembranças, trazem novamente a maior parte dos Espíritos à Terra. Todas as almas encontram o meio que os seus desejos reclamam e hão de viver nos mundos sonhados, unidos aos seres que estimam; mas também aí encontrarão os prazeres ou os sofrimentos que o seu passado gerou.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XI. – A vida no Além

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lei dos Agrupamentos no Espaço

“A lei dos agrupamentos no espaço é a das afinidades. A ela estão sujeitos todos os Espíritos. A orientação de seus pensamentos leva-os naturalmente para o meio que lhes é próprio, porque o pensamento é a própria essência do mundo espiritual, sendo a forma fluídica apenas o vestuário. Onde quer que seja, reúnem-se os que se amam e compreendem. Herbert Spencer, num momento de intuição, formulou um axioma igualmente aplicável ao mundo visível e ao mundo invisível. “A vida – disse ele – é uma simples adaptação às condições exteriores.” ”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, XI. – A vida no Além

Segredo da Vida

“Não peçais às pedras do sepulcro o segredo da vida. Os ossos e as cinzas que lá jazem nada são, ficai sabendo. As almas que os animaram deixaram esses lugares, revivem em formas mais subtis, mais apuradas. Do seio do invisível, aonde lhes chegam as vossas orações e as comovem, elas vos seguem com a vista, vos respondem e vos sorriem. A Revelação Espírita ensinar-vos-á a comunicar com elas, a unir os vossos sentimentos num mesmo amor, numa esperança inefável.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, X. – A Morte

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Conjunto da Criação

“Se encararmos a multiplicidade enorme das trocas que se realizam entre todos os corpos, o que mais nos surpreende não são essas combinações em si, mas o maravilhoso conhecimento das necessidades de cada ser que elas atestam. Nada se perde no imenso laboratório da natureza. Todos os seres, por ínfimos que nos pareçam, têm sua utilidade para o bom funcionamento do conjunto da criação; cada substância é utilizada por forma a produzir seu máximo de efeito, e a “circulação da matéria” entretém a vida na superfície do nosso Globo. Sim, esse movimento perpétuo é a alma do Mundo, e, quanto mais complicado ele é, quanto mais variado, tanto mais testemunha em favor de uma acção diretriz.”

GABRIEL DELANNE, O Espiritismo Perante a Ciência, Capítulo I - A idéia directriz

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Tesouros de Paciência

“Deus conhece todas as almas, que formou com o seu pensamento e o seu amor. Sabe o grande partido que delas há de tirar mais tarde para a realização das suas vistas. A princípio, deixa-as percorrer vagarosamente as vias sinuosas, subir os sombrios desfiladeiros das vidas terrestres, acumular pouco a pouco em si os tesouros de paciência, de virtude, de saber, que se adquirem na escola do sofrimento. Mais tarde, enternecidas pelas chuvas e pelas rajadas da adversidade, amadurecidas pelos raios do sol divino, saem da sombra dos tempos, da obscuridade das vidas inumeráveis, e eis que suas faculdades desabrocham em feixes deslumbrantes; a sua inteligência revela-se em obras que são como que o reflexo do Génio Divino.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, IX. – Evolução e finalidade da alma

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Torrente Caudalosa

“Conseguirá a alma chegar um dia ao termo da sua viagem? Avançando pelo caminho traçado, ela vê sempre se abrirem novos campos de estudos e descobertas. Semelhantes à corrente de um rio, as águas da Ciência suprema descem para ela em torrente cada vez mais caudalosa. Chega a penetrar a santa harmonia das coisas, a compreender que não existe nenhuma discordância, nenhuma contradição no universo; que por toda parte reinam a ordem, a sabedoria, a providência, e a sua confiança e seu entusiasmo aumentam cada vez mais. Com amor maior ao Poder Supremo, ela saboreia de maneira mais intensa as felicidades da vida bem-aventurada.
Daí em diante está intimamente associada à obra divina; está preparada para desempenhar as missões que cabem às almas superiores, à hierarquia dos Espíritos que, por diversos títulos, governam e animam o Cosmo, porque essas almas são os agentes de Deus na obra eterna da Criação, são os livros maravilhosos em que Ele escreveu os seus mais belos mistérios, são como as correntes que vão levar às terras do Espaço as forças e as radiações da Alma Infinita.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, IX. – Evolução e finalidade da alma

domingo, 14 de novembro de 2010

O Outro Lado da Dor

“Assim se desvenda o mistério da Psique, a alma humana, filha do céu, exilada na carne, e suas existências, o longo cortejo dos sofrimentos por que passou. Esses sofrimentos são o preço da sua felicidade, essas provas redundaram todas em seu proveito, afinal ela o compreende. Então, mudam-se os papéis. De protegida passa a protectora; envolve com a sua influência os que lutam ainda nas Terras do Espaço, insufla-lhes os conselhos da própria experiência; sustenta-os na via árdua, nas sendas ásperas que ela própria percorreu.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, IX. – Evolução e finalidade da alma

A Chama Interior

“O Espírito Divino, que anima o Universo, actua sobre todas as almas; busca penetrá-las, esclarecê-las, fecundá-las; mas a maior parte se deixa ficar na escuridão e no insulamento. Demasiado grosseiras ainda, não podem sentir-lhe a influência nem ouvir os seus chamados. Muitas vezes ele as cerca, as envolve, procura chegar às camadas profundas das suas consciências, acordá-las para a vida espiritual. Muitas resistem a essa acção, porque a alma é livre; outras somente a sentem nos momentos solenes da vida, nas grandes provas, nas horas desoladas em que experimentam a necessidade de um socorro do Alto e o pedem. Para viver da vida superior a que se adaptam essas influências, é necessário ter conhecido o sofrimento, praticado a abnegação, ter renunciado às alegrias materiais, acendido e alimentado em si a chama, a luz interior que se não apaga nunca e cujos reflexos iluminam desde este mundo, as perspectivas do Além. Só múltiplas e penosas existências planetárias nos preparam para essa vida.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, IX. – Evolução e finalidade da alma

Murmúrio das Paixões

“Quando aplicamos o ouvido ao que se passa no fundo do nosso ser, ouvimos como o cachão de águas ocultas e tumultuosas, o fluxo e refluxo do mar agitado da personalidade que os vendavais da cólera, do egoísmo e do orgulho encapelam. São as vozes da matéria, os chamamentos das baixas regiões, que nos atraem e influenciam ainda as nossas acções; mas, essas influências, podemos dominá-las com a vontade, podemos impor silêncio a essas vozes. Quando em nós se faz a bonança, quando o murmúrio das paixões se aplaca, eleva-se então a voz potente do Espírito Infinito, o cântico da Vida Eterna, cuja harmonia enche a Imensidade. E, quanto mais o Espírito se eleva, purifica e ilustra, tanto mais o seu organismo fluídico se torna acessível às vibrações, às vozes, ao influxo do Alto.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, IX. – Evolução e finalidade da alma

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O Carácter do ser Humano

Tal é o carácter complexo do ser humano – espírito, força e matéria, em que se resumem todos os elementos constitutivos, todas as potências do universo. Tudo o que está em nós está no universo e tudo o que está no universo encontra-se em nós. Pelo corpo fluídico e pelo corpo material o homem acha-se ligado à imensa teia da vida universal; pela alma, a todos os mundos invisíveis e divinos. Somos feitos de sombra e luz; somos a carne com todas as suas fraquezas e o espírito com as suas riquezas latentes, as suas esperanças radiosas, os seus surtos grandiosos, e o que está em nós em todos os seres se encontra. Cada alma humana é uma projecção do grande Foco Eterno e é isso o que consagra e assegura a fraternidade dos homens. Temos em nós os instintos animais, mais ou menos comprimidos pelo trabalho longo e pelas provas das existências passadas, e temos também a crisálida do anjo, do ser radioso e puro, que podemos vir a ser pela impulsão moral, pelas aspirações do coração e pelo sacrifício constante do “eu”. Tocamos com os pés as profundezas sombrias do abismo e com a fronte as alturas fulgurantes do céu, o império glorioso dos Espíritos.”

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, IX. – Evolução e finalidade da alma

Da Hierarquia dos Espíritos

“Segundo o Espiritismo, nem os ANJOS nem os DEMÓNIOS são seres à parte; a criação de seres inteligentes é uma só. Unidos a corpos materiais, constituem a humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas; uma vez libertos do corpo material, constituem o mundo espiritual ou dos Espíritos, que povoam os espaços. Deus criou-os perfectíveis; deu-lhes por objectivo a perfeição, com a felicidade que dela decorre. Mas não lhes deu a perfeição; quis que a obtivessem através  do seu trabalho pessoal, para que a pudessem merecer. Progridem desde o momento da sua criação, quer encarnados, quer no estado espiritual. Alcançando o apogeu, tornam-se puros Espíritos ou anjos segundo a expressão vulgar, de maneira que, a partir do embrião do ser inteligente até ao anjo, há uma cadeia na qual cada um dos elos assinala um grau de progresso.”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Capítulo IX, Os demónios segundo o Espiritismo, OS DEMÓNIOS

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Da Virilidade da Alma

“Quanto mais o homem se apróxima do estado primitivo, mais o instinto domina, como se verifica ainda hoje nos povos bárbaros e selvagens contemporânios; o que mais o preocupa, ou antes, o que exclusivamente o preocupa, é a satisfação das necessidades materiais, porque não tem outras. O único sentido que pode torná-lo acessível aos gozos puramente morais não se desenvolve senão gradual e morosamente; a alma tem também a sua infância, a sua adolescência e virilidade como o corpo humano; mas, para alcançar a virilidade, que a torna apta a compreender as coisas abstractas, quantas evoluções não tem ela de experimentar na humanidade! Por quantas existências não deve ela passar!”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Capítulo IX, Origem da crença nos demónios, OS DEMÓNIOS

sábado, 23 de outubro de 2010

Idade da Razão

“Passar-se-ão muitos anos, séculos ainda, antes que esta singular humanidade terrestre adquira totalmente o uso da razão, antes que ela saiba se conduzir, antes que ela deixe de nos oferecer espetáculos semelhantes aos que vimos se desenrolar em nossa própria  pátria, há apenas doze anos, e que continuam a se reproduzir por toda a humanidade “civilizada” , antes que ela se erga, enfim, acima da animalidade, para tornar-se um pouco espiritual e manifestar gostos intelectuais. Mas, quanto mais difícil é o progresso, mais enérgicos devem ser os nossos esforços. Trabalhemos, pois, de comum acordo para educar esta raça ainda bárbara, para libertá-la do jugo da ignorância, para propagar em seu seio as sementes da verdade e do bem, e para multiplicar o número daqueles que, saindo do caminho estreito, conheçam outra coisa que não os apetites materias e sintam desemvolver-se em si uma alma responsável chamada a destinos superiores.”

CAMILLE FLAMMARION, A Pluralidade dos Mundos Habitados, Advertência da 29ª  edição Paris, 1882

Elemento Infinitesimal

“Chegou a época em que o homem pode se despojar daquele manto púrpura com que estivera orgulosamente vestido até aqui, em que, examinando sua verdadeira condição e sua verdadeira grandeza, ele sente o ridículo de suas idéas de outrora e não considera mais sua pequena personalidade a meta da obra divina. A filosofia deu um grande passo. Ela dormia, antigamente, numa calma enganosa, logo após um período agitado; veio a tempestade, que sacudiu até suas camadas mais profundas. Hoje o homem, de pé, observa-se e sonha; procura, enfim, a explicação do enígma do mundo; examina que lugar ocupa na ordem dos seres, qual é sua relação na solidariedade universal, qual é seu destino no plano geral – procura a razão das coisas. Perante a grandeza do resultado a alcançar, quem não estaria cheio de alegria ao poder oferecer um elemento a mais – mesmo que fosse infinitesimal -, para o progresso de nossa família humana bem-amada?”

CAMILLE FLAMMARION, A Pluralidade dos Mundos Habitados, Prefácio da 2ª edição, Paris 1864

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O Homem Progressista

“É que o homem, progressista por natureza, não quer ficar estacionário, e muito menos retroceder. Acontece que o progresso ao qual o levam suas tendências íntimas não é uma idealidade perdida num mundo metafísico inacessível às investigações humanas, mas sim uma estrela radiante atraindo para o foco todos os pensamentos ansiosos pelo verdadeiro e sedentos de ciência.”

CAMILLE FLAMMARION, A Pluralidade dos Mundos Habitados, Introdução Paris 1861

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Meio de Preparação Moral


“O Espiritismo, criteriosamente praticado, não é só uma fonte de ensinamentos, mas também um meio de preparação moral. As exortações, os conselhos dos Espíritos, suas descrições da vida de além-túmulo vêm influir em nossos pensamentos e actos e operam lenta modificação em nosso carácter e em nosso modo de viver.”

LÉON DENIS, No Invisível, Aplicação moral e frutos do Espiritismo - XI

O Amor das Almas

 
“Com o Espiritismo, coração e razão, tudo tem sua parte. O círculo dos afectos se dilata. Sentimo-nos mais bem amparados na prova, porque aqueles que em vida nos amavam, nos amam ainda além do túmulo e nos ajudam a carregar o fardo das misérias terrestres. Não estamos deles separados senão em aparência. Na realidade, os humanos e os invisíveis caminham muitas vezes lado a lado, através das alegrias e das lágrimas, dos êxitos e reveses. O amor das almas que nos são diletas nos envolve, nos consola e reanima. Cessaram de nos acabrunhar os terrores da morte.”

LÉON DENIS, No Invisível, Aplicação moral e frutos do Espiritismo - XI

A Reunião Final

“Assim, essa fraternidade, que os messias proclamaram em todas as grandes épocas da História, encontra no ensino dos Espíritos uma base nova e uma sanção. Não é mais a inerte e banal afirmação inscrita na fachada de nossos monumentos; é a fraternidade palpitante das almas que emergem, conjuntas, das obscuridades do abismo e palmilham o calvário das existências dolorosas; é a iniciação comum no sofrimento; é a reunião final na plena luz.”

LÉON DENIS, No Invisível, Aplicação moral e frutos do Espiritismo - XI

Noção de Fraternidade


“O Espiritismo amplia a noção de fraternidade. Demonstra por meio de factos que ela não é unicamente um mero conceito, mas uma lei fundamental da Natureza, lei cuja acção se exerce em todos os planos da evolução humana, assim no ponto de vista físico como no espiritual, no visível como no invisível. Por sua origem, pelos destinos que lhes são traçados, todas as almas são irmãs.”

LÉON DENIS, No Invisível, Aplicação moral e frutos do Espiritismo - XI

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Razão e Sentimento

"O Espiritismo oferece esta inapreciável vantagem de, ao mesmo tempo, satisfazer à razão e ao sentimento. Até agora essas duas faculdades da alma se têm conservado em luta aberta, num perpétuo conflito. Daí uma causa profunda de sofrimento e de desordem para as sociedades humanas. A Religião, apelando para o sentimento e excluindo a razão, caía muitas vezes no fanatismo e no erro. A Ciência, procedendo em sentido contrário, permanecia inerte e seca, impotente para regular a conduta moral.”

LÉON DENIS, No Invisível, Aplicação moral e frutos do Espiritismo - XI

O Destino

“As revelações de além-túmulo são concordes em um ponto capital: depois da morte, como no vasto encadeamento de nossas existências, tudo é regulado por uma lei suprema. O destino, feliz ou desgraçado, é a consequência de nossos actos. A alma edifica por si mesma o seu futuro. Por seus próprios esforços se emancipa das materialidades subalternas, progride e se eleva para a luz divina, sempre mais intimamente se identificando com as sociedades radiosas do Espaço, e tomando parte, por uma colaboração constantemente mais extensa, na obra universal.”

LÉON DENIS, No Invisível, Aplicação moral e frutos do Espiritismo - XI

Jesus

“Jesus não podia de uma só vez destruir crenças enraizadas; faltavam aos homens conhecimentos necessários para conceber a infenidade do espaço e o número infinito dos mundos; para eles, a Terra era o centro do Universo; não lhe conheciam a forma nem a estrutura internas; tudo se limitava ao seu ponto de vista; as noções do futuro não podiam ir além dos seus conhecimentos. Jesus encontrava-se na impossibilidade de os iniciar no verdadeiro estado das coisas. Mas, por outro lado, não querendo sancionar com a sua autoridade conceitos enraizados, absteve-se de os rectificar, deixando ao tempo essa missão.”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Capítulo IV O INFERNO

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Mundo Espiritual

“O mundo espiritual ostenta-se por toda a parte, tanto à nossa volta como no espaço, sem limite algum designado. Em razão da natureza fluídica do seu invólucro, os seres que o compõem, em vez de se arrastarem penosamente sobre o solo, transpõem as distâncias com a rapidez do pensamento.”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Capítulo III O CÉU

"A Terra"

“A Terra não é mais do que um ponto imperceptível e um dos planetas menos favorecidos quanto à sua habitabilidade. E, assim sendo, é legítimo perguntar por que razão Deus faria da Terra a única sede da vida e nela degredaria as suas criaturas predilectas? ”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Capítulo III O CÉU

A Vida no Corpo

“Apegando-se ao exterior, o homem apenas vê a vida no corpo, ao passo que a vida real está na alma; estando o corpo privado de vida, a seus olhos tudo está perdido, ficando desesperado. Se, em vez de concentrar o seu pensamento na roupa exterior, o pousasse na própria fonte da vida – na alma que é o ser real que sobrevive a tudo - , lastimaria menos a perda do corpo, antes fonte de tantas misérias e dores; mas para isso é necessária uma força que o Espírito só adquire com a maturidade.”

ALLAN KARDEC, O Céu e o Inferno, Capítulo II Temor da Morte

terça-feira, 12 de outubro de 2010

De Fervoroso Opositor a Seguidor

“Estou muito envergonhado e desgostoso por haver combatido com tanta persistência a possibilidade dos factos chamados espíritas; mas os factos existem e eu deles me orgulho de ser escravo”.

César Lombroso

sábado, 2 de outubro de 2010

O Hino da Vida Infinita

/…”O círculo das coisas terrestres aperta-nos e limita as nossas percepções; mas, quando o pensamento se separa das formas mutáveis e abarca a extensão dos tempos, vê o passado e o futuro se juntarem, fremirem e viverem o presente. O canto de glória, o hino da vida infinita enche os espaços, sobe do âmago das ruínas e dos túmulos. Sobre os destroços das civilizações extintas rebentam florescências novas. Efetua-se a união entre as duas humanidades, visível e invisível, entre aqueles que povoam a Terra e os que percorrem o espaço. As suas vozes chamam, respondem umas às outras, e esses rumores, esses murmúrios, vagos e confusos ainda para muitos, tornam-se para nós a mensagem, a palavra vibrante que afirma a comunhão de amor universal.”…/

LÉON DENIS, O Problema do ser, do destino e da dor, IX. – Evolução e finalidade da alma

As Duas Humanidades

/…“A nossa estima aos mestres da razão e da sabedoria humana não é motivo para deixarmos de dar o devido apreço aos mestres da razão sobre-humana, aos representantes de uma sabedoria mais alta e mais grave. O espírito do homem, comprimido pela carne, privado da plenitude dos seus recursos e percepções, não pode chegar de per si ao conhecimento do universo invisível e de suas leis. O círculo em que se agitam a nossa vida e o nosso pensamento é limitado, assim como é restrito o nosso ponto de vista. A insuficiência dos dados que possuímos torna toda a nossa generalização impossível. Para penetrarmos no domínio desconhecido e infinito das leis, precisamos de guias. Com a colaboração dos pensadores eminentes dos dois mundos, das duas humanidades, é que alcançaremos as mais altas verdades, ou pelo menos chegaremos a entrevê-las, e que serão estabelecidos os mais nobres princípios. Muito melhor e com muito mais segurança do que os nossos mestres da Terra, os do espaço sabem pôr-nos em presença do problema da vida e do mistério da alma e, igualmente, ajudar-nos a adquirir a consciência da nossa grandeza e do nosso futuro.”…/

O Problema do Ser, do Destino e da DorII. O critério da Doutrina dos Espíritos, Léon Denis

Os Dois Termos da Inteligência Humana

/…“É somente no acordo das boas vontades, dos corações sinceros, dos espíritos livres e desinteressados que se realizarão a harmonia do pensamento e a conquista da maior soma de verdade assimilável para o homem da Terra, no atual período histórico.
Dia virá em que todos hão de compreender que não há antítese entre a Ciência e a verdadeira Religião. Há apenas mal-entendidos. A antítese se dá entre a Ciência e a ortodoxia, o que nos é provado pelas recentes descobertas da Ciência, que nos aproximam sensivelmente das doutrinas sagradas do Oriente e da Gália, no que diz respeito à unidade do mundo e à evolução da vida. Por isso é que podemos afirmar que, prosseguindo a sua marcha paralela na grande estrada dos séculos, a Ciência e a crença forçosamente encontrar-se-ão um dia, pois que idênticos são ambos os seus alvos, que acabarão por se penetrarem reciprocamente. A Ciência será a análise; a Religião será a síntese. Nelas unificar-se-ão o mundo dos fatos e o mundo das causas, os dois termos da inteligência humana vincular-se-ão, rasgar-se-á o véu do Invisível; a obra divina aparecerá a todos os olhares em seu majestoso esplendor!”.../

Léon Denis, O Problema do Ser, do Destino e da Dor, II. O critério da Doutrina dos Espíritos

Características da Perfeição

/…”Em que consiste esta perfeição? Jesus di-lo: "Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem." Ele mostra através disto que a essência da perfeição é a caridade na sua mais larga acepção, porque ela implica a prática de todas as virtudes.
Com efeito, se observarmos os resultados de todos os vícios, e mesmo dos simples defeitos, reconheceremos que não há nenhum que não altere em maior ou menor escala o sentimento da caridade, porque todos têm o seu princípio no egoísmo e no orgulho, que são a negação dela; pois tudo o que sobreexcita o sentimento da personalidade destrói, ou pelo menos enfraquece, os elementos da verdadeira caridade, que são a benevolência, a indulgência, a abnegação e a devoção. O amor pelo próximo levado até ao amor pelos seus inimigos, não podendo aliar-se com nenhum defeito contrário à caridade, é, por isso mesmo, o índice de uma superioridade mais ou menos elevada; donde resulta que o grau de perfeição é proporcional à extensão desse amor”…/

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO XVII, SEDE PERFEITOS

Emprego da Riqueza

«Dai esmola quando isso for necessário mas, tanto quanto possível, convertei-a em salário, para que aquele que a receba não se envergonhe dela.»

(FÉNELON, Argel, 1860.)

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO XVI, NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E AO DINHEIRO, INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS

Os Espíritas Imperfeitos

”Apegam-se aos fenómenos mais do que à moral, que lhes parece banal e monótona; pedem aos espíritos que os iniciem sem parar em novos mistérios, sem se perguntarem se já se tornaram dignos de entrar nos segredos do Criador. São os espíritas imperfeitos, dos quais alguns ficam pelo caminho ou se afastam dos seus irmãos de fé, porque recuam diante da obrigação de se reformarem a eles próprios, ou então reservam as suas simpatias para aqueles que partilham as suas fraquezas ou as suas obstinações. Contudo, a aceitação do princípio da doutrina é o primeiro passo que lhes tornará o segundo mais fácil numa outra existência.”

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO XVII, SEDE PERFEITOS

A Verdadeira Propriedade

“O homem só possui em plena propriedade aquilo que lhe é dado levar deste mundo. Do que encontra ao chegar e deixa ao partir goza ele enquanto aqui permanece. Forçado, porém, que é a abandonar tudo isso, não tem das suas riquezas a posse real, mas, simplesmente, o usufruto. Que é então o que ele possui? Nada do que é de uso do corpo; tudo o que é de uso da alma: a inteligência, os conhecimentos, as qualidades morais. Isso o que ele traz e leva consigo, o que ninguém lhe pode arrebatar, o que lhe será de muito mais utilidade no outro mundo do que neste. Depende dele ser mais rico ao partir do que ao chegar, visto como, do que tiver adquirido em bem, resultará a sua posição futura. Quando alguém vai a um país distante, constitui a sua bagagem de objetos utilizáveis nesse país; não se preocupa com os que ali lhe seriam inúteis. Procedei do mesmo modo com relação à vida futura; aprovisionai-vos de tudo o de que lá vos possais servir. Ao viajante que chega a um albergue, bom alojamento é dado, se o pode pagar. A outro, de parcos recursos, toca um menos agradável. Quanto ao que nada tenha de seu, vai dormir numa enxerga. O mesmo sucede ao homem, a sua chegada no mundo dos Espíritos: depende dos seus haveres o lugar para onde vá. Não será, todavia, com o seu ouro que ele o pagará. Ninguém lhe perguntará: Quanto tinhas na Terra? Que posição ocupavas? Eras príncipe ou operário? Perguntar-lhe-ão: Que trazes contigo? Não se lhe avaliarão os bens, nem os títulos, mas a soma das virtudes que possua. Ora, sob esse aspecto, pode o operário ser mais rico do que o príncipe. Em vão alegará que antes de partir da Terra pagou a peso de ouro a sua entrada no outro mundo. Responder-lhe-ão: Os lugares aqui não se compram: conquistam-se por meio da prática do bem. Com a moeda terrestre, hás podido comprar campos, casas, palácios; aqui, tudo se paga com as qualidades da alma. És rico dessas qualidades? Sê bem-vindo e vai para um dos lugares da primeira categoria, onde te esperam todas as venturas. És pobre delas? Vai para um dos da última, onde serás tratado de acordo com os teus haveres.” - Pascal. (Genebra, 1860.

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO XVI, NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON, INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS 9.

Aliança da Ciência com a Religião

“A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra. A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.
São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo têm de ser completados; em que o véu intencionalmente lançado sobre algumas partes desse ensino tem de ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, já se lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos fatos.
A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo. Mas, nisso, como em tudo, há pessoas que ficam atrás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe, em vez de o acompanharem. E toda uma revolução que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais de dezoito séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma nova era na vida da Humanidade. Fáceis são de prever as consequências: acarretará para as relações sociais inevitáveis modificações, às quais ninguém terá força para se opor, porque elas estão nos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que é lei de Deus.”

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO I, 8.

O Verdadeiro Espírita

”Aquele que podemos, com razão, classificar de verdadeiro e sincero espírita está num grau superior de evolução moral; o espírito que domina mais completamente a matéria dá-lhe uma percepção mais clara do futuro; os princípios da doutrina fazem vibrar nele as fibras que ainda estão mudas nos primeiros; em resumo, ele é tocado no coração; também a sua fé é inabalável. Um é como o músico que se maravilha com os seus acordes, enquanto o outro só ouve os sons. Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que faz para dominar as suas más inclinações; enquanto um se satisfaz com os seus horizontes limitados, o outro, compreende algo mais, esforça-se para despegar-se deles, e quase sempre consegue quando tem uma vontade firme.”

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO XVII, SEDE PERFEITOS

Desigualdade das Riquezas

“…pergunta-se por que Deus a concede a pessoas incapazes de fazê-la frutificar para o bem de todos. Ainda aí está uma prova da sabedoria e da bondade de Deus. Dando-lhe o livre-arbítrio, quis ele que o homem chegasse, por experiência própria, a distinguir o bem do mal e que a prática do primeiro resultasse de seus esforços e da sua vontade. Não deve o homem ser conduzido fatalmente ao bem, nem ao mal, sem o que não mais fora senão instrumento passivo e irresponsável como os animais. A riqueza é um meio de o experimentar moralmente. Mas, como, ao mesmo tempo, é poderoso meio de ação para o progresso, não quer Deus que ela permaneça longo tempo improdutiva, pelo que incessantemente a desloca. Cada um tem de possuí-la, para se exercitar em utilizá-la e demonstrar que uso sabe fazer dela. Sendo, no entanto, materialmente impossível que todos a possuam ao mesmo tempo, e acontecendo, além disso, que, se todos a possuíssem, ninguém trabalharia, com o que o melhoramento do planeta ficaria comprometido, cada um a possui por sua vez. Assim, um que não na tem hoje, já a teve ou terá noutra existência; outro, que agora a tem, talvez não na tenha amanhã. Há ricos e pobres, porque sendo Deus justo, como é, a cada um prescreve trabalhar a seu turno. A pobreza é, para os que a sofrem, a prova da paciência e da resignação; a riqueza é, para os outros, a prova da caridade e da abnegação.”

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO XVI - NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E A MAMON

No Invisível

“Encontram-se espíritas que nunca assistiram a uma experiência e nem sequer o desejam, mas afirmam ter sido empolgados pela simplicidade, beleza e evidência moral e religiosa dos ensinos espíritas (existências sucessivas, progresso indefinido da alma, etc.). Não se deve, pois, obscurecer o valor dessas crenças, valor incontestável, pois que inúmeras almas declaram nelas ter encontrado um elemento de vida e uma solução à alternativa entre a ortodoxia, de um lado, alguns de cujos dogmas repulsivos (como o das penas eternas), já não podiam admitir, e do outro lado às desoladoras negações do materialismo ateu.”
E, todavia, em que pese às observações do Senhor Flournoy, mesmo no campo espírita não têm escasseado as objeções. Entre os que são atraídos pelo aspecto científico do Espiritismo, alguns há que menosprezam a filosofia. É que para apreciar toda a grandeza da doutrina dos Espíritos é preciso ter sofrido. As pessoas felizes sempre são mais ou menos egoístas e não podem compreender que fonte de consolação contém essa doutrina. Podem interessar-lhes os fenômenos, mas para lhes atear a chama interior são necessários os frios sopros da adversidade. Só aos espíritos amadurecidos pela dor e a provação as verdades profundas se patenteiam em toda plenitude.”

No Invisível, Prefácio da edição de 1911, Léon Denis

Léon Denis

“/…Os que sabem perseverar, cedo ou tarde, encontram os sólidos e demonstrativos elementos em que se firmará uma convicção inabalável. Foi o meu caso. Desde logo me seduziu a doutrina dos Espíritos; as provas experimentais, porém, foram morosas. Só ao fim de dez ou quinze anos de pesquisa foi que se apresentaram irrecusáveis, abundantes. Agora encontro explicação para essa longa expectativa, para essas numerosas experiências coroadas de resultados incoerentes e, muitas vezes, contraditórios. Eu não estava ainda amadurecido para completa divulgação das verdades transcendentes. À medida, porém, que me adiantava na rota delineada, a comunhão com os meus invisíveis protetores se tornava mais íntima e profunda. Sentia-me guiado através dos embaraços e dificuldades da tarefa que me havia imposto. Nos momentos de provação, doces consolações baixavam sobre mim. Atualmente chego a sentir a freqüente presença dos Espíritos, a distinguir, por um sentido íntimo e seguríssimo, a natureza e a personalidade dos que me assistem e inspiram. Não posso, evidentemente, facultar a outrem as sensações intensas que percebo e que explicam a minha certeza do Além, a absoluta convicção que tenho da existência do mundo invisível. Por isso é que todas as tentativas por me desviar da minha senda têm sido e serão sempre inúteis. A minha confiança, a minha fé, é alimentada por manifestações cotidianas; a vida se me desdobrou numa existência dupla, dividida entre os homens e os Espíritos. Considero por isso um dever sagrado esforçar-me por difundir e tornar acessível a todos os conhecimentos das leis que vinculam a Humanidade da Terra à do Espaço e traçam a todas as almas o caminho da evolução indefinida.

Léon Denis , No Invisível, Prefácio da edição de 1911

Humanidade! Humanidade!

1009. Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?

“Guerras de palavras! Guerras de palavras! Ainda não basta o sangue que tendes feito correr! Será ainda preciso que se reacendam as fogueiras? Discutem sobre palavras: eternidade das penas, eternidade dos castigos. Ignorais então que o que hoje entendeis por eternidade não é o que os antigos entendiam e designavam por esse termo? Consulte o teólogo as fontes e lá descobrirá, como todos vós, que o texto hebreu não atribuía esta significação ao vocábulo que os gregos, os latinos e os modernos traduziram por penas semfim, irremissíveis. Eternidade dos castigos corresponde à eternidade do mal. Sim, enquanto existir o mal entre os homens, os castigos subsistirão. Importa que os textos sagrados se interpretem no sentido relativo. A eternidade das penas é, pois, relativa e não absoluta. Chegue o dia em que todos os homens, pelo arrependimento, se revistam da túnica da inocência e desde esse dia deixará de haver gemidos e ranger de dentes. Limitada tendes, é certo, a vossa razão humana, porém, tal como a tendes, ela é uma dádiva de Deus e, com auxílio dessa razão, nenhum homem de boa-fé haverá que de outra forma compreenda a eternidade dos castigos. Pois que! Fora necessário admitir-se por eterno o mal. Somente Deus é eterno e não poderia ter criado o mal eterno; do contrário, forçoso seria tirar-se-Lhe o mais magnífico dos Seus atributos: o soberano poder, porquanto não é soberanamente poderoso aquele que cria um elemento destruidor de suas obras. Humanidade! Humanidade! Não mergulhes mais os teus tristes olhares nas profundezas da Terra, procurando aí os castigos. Chora, espera, expia e refugia-te na idéia de um Deus intrinsecamente bom, absolutamente poderoso, essencialmente justo." PLATÃO

ALLAN KARDEC, O Livro dos Espíritos, DAS PENAS E GOZOS FUTUROS

O Pai Vos Estende os Braços

1009. Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?
“Aplicai-vos, por todos os meios ao vosso alcance, em combater, em aniquilar a idéia da eternidade das penas, idéia blasfematória da justiça e da bondade de Deus, gérmen fecundo da incredulidade, do materialismo e da indiferença que invadiram as massas humanas, desde que as inteligências começaram a desenvolver-se. O Espírito, prestes a esclarecer-se, ou mesmo apenas desbastado, logo lhe apreendeu a monstruosa injustiça. Sua razão a repele e, então, raro é que não englobe no mesmo repúdio a pena que o revolta e o Deus a quem a atribui. Daí os males sem conta que hão desabado sobre vós e aos quais vimos trazer remédio. Tanto mais fácil será a tarefa que vos apontamos, quanto é certo que todas as autoridades em quem se apóiam os defensores de tal crença evitaram todas pronunciar-se formalmente a respeito. Nem os concílios, nem os Pais da Igreja resolveram essa grave questão. Muito embora, segundo os Evangelistas e tomadas ao pé da letra as palavras emblemáticas do Cristo, ele tenha ameaçado os culpados com um fogo que se não extingue, com um fogo eterno, absolutamente nada se encontra nas suas palavras capaz de provar que os haja condenado eternamente. “Pobres ovelhas desgarradas, aprendei a ver aproximar-se de vós o bom Pastor, que, longe de vos banir para todo o sempre de sua presença, vem pessoalmente ao vosso encontro, para vos reconduzir ao aprisco. Filhos pródigos, deixai o vosso voluntário exílio; encaminhai vossos passos para a morada paterna. O Pai vos estende os braços e está sempre pronto a festejar o vosso regresso ao seio da família. LAMENNAIS.”

ALLAN KARDEC, O Livro dos Espíritos, DAS PENAS E GOZOS FUTUROS

A Cada Um Segundo as Suas Obras

1009. Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?

“Interrogai o vosso bom-senso, a vossa razão e perguntai-lhes se uma condenação perpétua, motivada por alguns momentos de erro, não seria a negação da bondade de Deus. Que é, com efeito, a duração da vida, ainda quando de cem anos, em face da eternidade? Eternidade! Compreendeis bem esta palavra? Sofrimentos, torturas sem fim, sem esperanças, por causa de algumas faltas! O vosso juízo não repele semelhante idéia? Que os antigos tenham considerado o Senhor do Universo um Deus terrível, cioso e vingativo, concebe-se. Na ignorância em que se achavam, atribuíam à divindade as paixões dos homens. Esse, todavia, não é o Deus dos cristãos, que classifica como virtudes primordiais o amor, a caridade, a misericórdia, o esquecimento das ofensas. Poderia Ele carecer das qualidades, cuja posse prescreve, como um dever, às Suas criaturas? Não haverá contradição em se Lhe atribuir a bondade infinita e a vingança também infinita? Dizeis que, acima de tudo, Ele é justo e que o homem não Lhe compreende a justiça. Mas, a justiça não exclui a bondade e Ele não seria bom, se condenasse a eternas e horríveis penas a maioria das suas criaturas. Teria o direito de fazer da justiça uma obrigação para Seus filhos, se lhes não desse meio de compreendê-la? Aliás, no fazer que a duração das penas dependa dos esforços do culpado não está toda a sublimidade da justiça unida à bondade? Aí é que se encontra a verdade desta sentença: “A cada um segundo as suas obras”. SANTO AGOSTINHO.

ALLAN KARDEC, O Livro dos Espíritos, DAS PENAS E GOZOS FUTUROS

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

As Luzes da Nossa Época

1009. Assim, as penas impostas jamais o são por toda a eternidade?

Gravitar para a unidade divina, eis o fim da Humanidade. Para atingi-lo, três coisas são necessárias: a Justiça, o Amor e a Ciência. Três coisas lhe são opostas e contrárias: a ignorância, o ódio e a injustiça. Pois bem! Digo-vos, em verdade, que mentis a estes princípios fundamentais, comprometendo a idéia de Deus, com o Lhe exagerardes a severidade. Duplamente a comprometeis, deixando que no Espírito da criatura penetre a suposição de que há nela mais clemência, mais virtude, amor e verdadeira justiça, do que atribuis ao Ser infinito. Destruís mesmo a idéia do inferno, tornando-o ridículo e inadmissível às vossas crenças, como o é aos vossos corações o horrendo espetáculo das execuções, das fogueiras e das torturas da Idade Média! Pois que! Quando banida se acha para sempre das legislações humanas a era das cegas represálias, é que esperais mantê-la no ideal? Oh! Crede-me, crede-me, irmãos em Deus e em Jesus-Cristo, crede-me: ou vos resignais a deixar que pereçam nas vossas mãos todos os vossos dogmas, de preferência a que se modifiquem, ou, então, vivificai-os, abrindo-os aos benfazejos eflúvios que os Bons, neste momento, derramam neles. A idéia do inferno, com as suas fornalhas ardentes, com as suas caldeiras a ferver, pôde ser tolerada, isto é, perdoável num século de ferro; porém, no século dezenove, não passa de vão fantasma, próprio, quando muito, para amedrontar criancinhas e em que estas, crescendo um pouco, logo deixam de crer. Se persistirdes nessa mitologia aterradora, engendrareis a incredulidade, mãe de toda a desorganização social. Tremo, entrevendo toda uma ordem social abalada e a ruir sobre os seus fundamentos, por falta de sanção penal. Homens de fé ardente e viva, vanguardeiros do dia da luz, mãos à obra, não para manter fábulas que envelheceram e se desacreditaram, mas para reavivar, revivificar a verdadeira sanção penal, sob formas condizentes com os vossos costumes, os vossos sentimentos e as luzes da vossa época.
“Quem é, com efeito, o culpado? É aquele que, por um desvio, por um falso movimento da alma, se afasta do objetivo da criação, que consiste no culto harmonioso do belo, do bem, idealizados pelo arquétipo humano, pelo Homem-Deus, por Jesus-Cristo.
“Que é o castigo? A conseqüência natural, derivada desse falso movimento; uma certa soma de dores necessária a desgostá-lo da sua deformidade, pela experimentação do sofrimento. O castigo é o aguilhão que estimula a alma, pela amargura, a se dobrar sobre si mesma e a buscar o porto de salvação. O castigo só tem por fim a reabilitação, a redenção. Querê-lo eterno, por uma falta não eterna, é negar-lhe toda a razão de ser. “Oh! Em verdade vos digo, cessai, cessai de pôr em paralelo, na sua eternidade, o Bem, essência do Criador, com o Mal, essência da criatura. Fora criar uma penalidade injustificável. Afirmai, ao contrário, o abrandamento gradual dos castigos e das penas pelas transgressões e consagrareis a unidade divina, tendo unidos o sentimento e a razão.” PAULO, apóstolo.

ALLAN KARDEC, O Livro dos Espíritos, DAS PENAS E GOZOS FUTUROS

Não Vim Revogar a Lei

“A lei do Antigo Testamento é personificada em Moisés; a do Novo Testamento em Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não está personificada em nenhum indivíduo, porque é o produto do ensinamento dado, não por um homem, mas sim pelos espíritos, que são as vozes do céu, sobre todos os pontos da Terra, e por uma multidão inumerável de intermediários. É, de certa forma, um ser colectivo que compreende o conjunto dos seres do mundo espiritual, vindo cada um trazer aos homens o seu tributo de luzes, para os fazer conhecer esse mundo e a sorte que aí os espera.”

ALLAN KARDEC, O Evangelho Segundo o Espiritismo, CAPÍTULO I, 6.

A Duração da Vida / Providência Divina…

“A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de superioridade física e moral de cada um, o que é perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência, que desse modo abrevia os sofrimentos.”

ALLAN KARDEC, O Livro dos Espíritos, 182. 2ª PARTE, CAPÍTULO IV