Da arte com que trabalharmos o nosso pensamento dependem as nossas misérias ou as nossas glórias...

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O Mundo Invisível e a Guerra ~

Ressurreição (*)

Dia de Páscoa, 31 de março de 1918

  Anualmente, aos primeiros sorrisos da primavera, os discípulos de Allan Kardec reúnem-se em torno desta lápide sagrada, a fim de homenagearem a memória do grande Codificador.

  Parece, inicialmente, que se abriram clarões nas suas fileiras, porque todos os que são jovens estão longe, de pé, na frente de batalha, para repelir o invasor.

  Muitos tombaram na defesa da pátria e as suas almas foram juntar-se, no Espaço, às almas dos homens de ideal, de dever e de virtude que, faz 60 anos, lutaram pela divulgação do Espiritismo no nosso país, todavia essas almas, fiéis à citação, tornaram a participar desta cerimónia.

  Se conseguíssemos tirar o véu que nos oculta o mundo invisível não veríamos somente alguns grupos de adeptos, porém uma grande multidão que se apresenta espontaneamente para nos alentar e nos inspirar. O seu número cresce bastante ao somar-se com todos aqueles atingidos pela dor e que buscam na nossa doutrina o raio de esperança que esclarece e consola.

  Na luta terrível que abala o mundo, não são apenas as energias latentes que acordam, mas também todas as paixões furiosas e as ambições que jaziam no coração humano.

  Neste momento cruel, é agradável lembrarmo-nos dos grandes obreiros do pensamento pacificador e fecundo, que prepararam um futuro melhor e, dentre eles, Allan Kardec.

  Desta vez, o aniversário do mestre coincide com a festa da Ressurreição. Não é este, por acaso, um motivo de alegria, um símbolo de vida e uma promessa de imortalidade?

  A Páscoa é o despertar da natureza depois do prolongado e triste sono do inverno. Os brotos enchem-se de seiva, nascem florinhas nas moitas, recomeçam os gorjeios dos pássaros que preparam os ninhos nos ramos. Tépido perfume paira no ar.

  Ao mesmo tempo se estabelece, com maior insistência, o problema da vida renascente, que é uma questão grave do movimento progressista, através do qual são feitas ou transformadas as coisas.

  Para grande parte dos homens, esse problema ainda é obscuro, permanecendo escondida a finalidade da vida. Tudo quanto lembre o mistério dos seres e das coisas aumenta a sua inquietação e o seu anseio. Não sabem de onde vieram nem para onde vão; caminham tropeçando em todos os obstáculos da estrada. A ideia da morte assusta-os e eles a repelem horrorizados.

  Para nós, graças ao Espiritismo, o objectivo de viver se aclarou de maneira intensa. A vida é um caminho até as alturas, a rota que conduz aos grandes picos perenes. É o esforço do homem para o bem e o belo, é a ascensão para a luz, é o desenvolvimento gradual das forças e das faculdades, cujas sementes Deus colocou em cada um de nós.

  É verdade que muitas vezes, principalmente na hora actual, a subida é áspera e pontilhada de espinhos, ficando o horizonte escurecido diante de nós. Porém nas horas sombrias é que as grandes verdades se destacam com maior esplendor e se depuram as almas no cadinho do sofrimento. Pelo sacrifício e pela abnegação aumentam a sua irradiação interior. Por intermédio das nossas existências terrenas, precárias, instáveis e dolorosas, construímos o nosso espírito imortal e o grandioso edifício dos seus destinos.

  A Páscoa é também a comunhão entre dois planos: o visível e o invisível, o terreno e o espiritual. Nesse ponto de vista, é o coroamento da obra de Jesus.

  O Cristo abrira, de par em par, as amplas portas que estabelecem o intercâmbio entre esses dois mundos, permitindo que se penetrassem reciprocamente.

  Sabemos que toda a vida de Jesus foi uma obra mediúnica da maior intensidade. Se ele agrupou, à sua volta, homens simples e ignorantes para lhes entregar uma missão que exigia instrução e faculdades oratórias, foi porque descobrira neles as aptidões psíquicas que iriam convertê-los, depois que ele tivesse morrido, em intérpretes do Além, inspirados pelo próprio pensamento e pela vontade.

  A acção dos profetas hebraicos, provocada por superiores influências, prosseguia e estendia-se por toda a Igreja cristã, tornando-se ela a intermediária no mandato preparado pelas potências invisíveis. A manifestação da Páscoa e as aparições de Jesus que se seguiram são a nota importante, o centro dessa grande epopeia espiritualista.

  A Igreja primitiva apresenta notáveis semelhanças com o movimento espírita actual. Sob o nome de profetas, os médiuns nela representavam um papel importante porque nas suas inspirações e discursos havia o grande sopro do Além.

  A Igreja, durante todo o tempo em que seguiu sendo a intérprete das revelações sobre-humanas, foi assistida, protegida e, apesar dos erros e das imperfeições dos seus membros, manteve-se viva e próspera.

  Entretanto, a partir do dia em que aboliu a mediunidade, impondo o silêncio às vozes do além, nela se fez a obscuridade; pouco a pouco, os objectivos divinos foram substituídos pelos materiais e ela abandonou o seu verdadeiro papel, a missão que o seu fundador lhe conferiu.

  A violenta e pérfida campanha que a Igreja promove hoje contra o Espiritismo comprova que ela se desviou completamente do sentido de suas origens, de suas verdadeiras tradições, afastando-se, cada vez mais, dos ensinos do Cristo para se encerrar em fórmulas que os lábios repetem, mas que não trazem luz nem calor aos corações dos homens.

  Resulta daí que nos cabe, modestos discípulos e humildes herdeiros de Allan Kardec, a missão de restabelecer o laço que une o Céu à Terra, de reencontrar a fonte fecunda de onde jorram altas inspirações, de retomar essa tarefa que deve congregar os poderes invisíveis e os homens de boa vontade, a fim de se construir a nova era desejada por todas as almas inquietas e tristes...

  No meio da miséria humana, nos dias angustiados que atravessamos, a Páscoa deve ser, como um raio de luz, uma mensagem de júbilo e de esperança.

  Aí está por que, de pé em volta deste dólmen, como os antigos cristãos que celebravam a Páscoa em traje de viagem e segurando o bordão, comungamos nós, não materialmente, porém com todos os impulsos de nossa alma e todas as aspirações de nosso coração, com esse mundo invisível, cujas legiões pairam sobre nós e se associam intimamente às nossas lutas e esforços, assim como aos nossos padecimentos.

  Dessa forma, a enorme cadeia de vida que liga a Terra ao Espaço se consolida e reúne, numa só acção, as duas humanidades, solidárias no seu destino através dos séculos e dos tempos.

  Se queremos entrever pelo pensamento o porvir reservado ao Espiritismo, imaginemos, por um momento, as gerações vindouras livres de superstições clericais, de preconceitos universitários e elevadas, através do espiritualismo científico e filosófico, até à comunhão com o invisível, conversando com os habitantes do além, orientando a sua vida de acordo com os conselhos dos seus preceptores do além-túmulo e obedecendo aos impulsos superiores, como os antigos profetas de Israel.

  Semelhante sociedade não formaria o povo de eleitos aos quais Jesus veio evangelizar? A união de tal povo com a humanidade invisível seria comparável à escada de Jacob, pela qual os espíritos desceriam até nós e nós subiríamos até Deus, numa ascensão de glória, de virtude e de luz!

  A todos os que se curvam ao peso da existência e ao fardo das provações, aos que consideram com terror o flagelo, o fogo e o sangue que devastam a França, diremos: Elevai os vossos pensamentos acima das misérias humanas, elevai-os às regiões serenas, às perspectivas imensas que a doutrina de Allan Kardec nos apresenta.

  Bem mais alto que as circunstâncias terrenas, ela vos ajudará na descoberta das leis eternas que presidem à ordem, à justiça e à harmonia no Universo. Mostrar-vos-á que os males do destino são outros tantos degraus para se chegar a um nível mais elevado da vida, para alcançar sociedades melhores, humanidades mais dignas dos favores da natureza e do destino. Ela vos dirá que a catástrofe que agora se desencadeou sobre o nosso país, talvez com o fim de saneá-lo, é passageira e que melhores dias virão depois da tormenta.

  O espírita sabe que um futuro sem limites lhe está garantido e vai andando no seu caminho com mais fé e confiança.

  Suporta, resolutamente, as provações porque, de antemão, conhece as suas causas e os seus proveitos, haurindo na sua crença as consolações e a força moral tão importantes nos momentos críticos e de luto. Sabe que, apesar das vicissitudes dos tempos e dos reveses da História, a verdade, o direito e a equidade deram sempre a última palavra.

  O espírita sabe que uma poderosa protecção o envolve, que cada um de nós tem o seu guia e que seres invisíveis zelam pelos indivíduos e pelas nações.

  O estudo de nossa natureza psíquica lhe mostrou toda a extensão das nossas forças ocultas, que podemos ampliar e desenvolver pelo pensamento, pela vontade e pela oração, atraindo para nós as forças exteriores e os puros fluidos, cuja finalidade é fecundar as nossas próprias forças interiores.

  Dessa maneira, a comunhão com o invisível não é apenas um acto de fé, mas principalmente um salutar exercício que aumenta o nosso poder de irradiação e de acção.

  A fim de que possamos gozar da claridade e do calor do Sol, precisamos, em nossas casas, abrir as portas e as janelas; assim também, é preciso abrir as nossas almas e os nossos corações às divinas irradiações para sentir os seus benefícios.

  A maior parte dos homens continua refratária, resultando daí a pobreza do seu espírito e a obscuridade em suas mentes. Porém, se os nossos pensamentos e vontades vibrassem em uníssono, convergindo para um objectivo comum, essa meta seria facilmente atingida e os nossos males se reduziriam notadamente. Nas almas que se encontram mais nas sombras brotaria uma centelha que se transformaria em chama ardente.

  No meio da luta que devasta o mundo, muitas vezes nos sentimos sufocados pela tristeza. Nós que, até há pouco tempo afirmávamos a lei do progresso, com a qual sonhávamos para o melhoramento constante de todas as coisas, agora somos obrigados a reconhecer que as conquistas científicas e as mais belas descobertas da inteligência servem para intensificar a obra de destruição e de morte a que assistimos, impotentes.

  A história imparcial registará as cenas de espanto e terror que acontecem tanto no alto dos ares como na terra e até no fundo das águas; e determinará a responsabilidade dos que foram os primeiros em inaugurar processos de guerra que excedem em selvajaria e ferocidade a tudo quanto a humanidade conhecia.

  De nossa parte, diante desse desenrolar de paixões furiosas, desse transbordar de ódios, temos um dever a cumprir, uma missão a realizar: divulgar em nosso derredor o conhecimento desse além, onde a verdade e a justiça, embora muitas vezes ignoradas na Terra, ainda encontram refúgio seguro; dirigirmo-nos aos que choram os seus mortos queridos, iniciando-os nesse intercâmbio espiritual que lhes permitirá conviverem ainda com eles pelo espírito e pelo coração, proporcionando-lhes inefáveis consolações, e, finalmente, relembramos a memória do grande Codificador dessa doutrina luminosa e serena que traz alento e consolação aos aflitos.

  Nos nossos dias de sofrimento, uma das raras alegrias do pensamento é a de nos determos nas nobres figuras que muito honraram a humanidade.

/…
(*) Pronunciado em 31 de março de 1918, no Cemitério Père-Lachaise, junto ao túmulo de Allan Kardec.


LÉON DENIS, O Mundo Invisível e a Guerra, XIII Ressurreição (*) Dia de Páscoa, 31 de março de 1918, 30º fragmento da obra.
(imagem de contextualização: Tanque de guerra britânico capturado pelos Alemães, durante a Primeira Guerra Mundial)

segunda-feira, 3 de julho de 2017

o sentido da vida ~


Novo Panteísmo "Realista"

Ao procurarmos situar o Espiritismo, no terreno filosófico, acima das duas correntes clássicas de espiritualismo e materialismo, demos-lhe a designação de realista. Esse realismo, porém, nada tem a ver com o realismo medieval e a sua luta contra o nominalismo. Pode ser antes comparado ao realismo literário de Flaubert, pois o que o caracteriza é a preocupação de ver a vida e o mundo através de uma visão real, a mais real possível, sem o desprezo ou o descuido de qualquer dos aspectos da realidade objectiva e subjectiva, se é assim que podemos dividir, impunemente, a realidade.

Devemos lembrar, entretanto, nesse ponto, que a recusa sistemática em aceitar a teoria espírita e o desinteresse manifesto pela mesma, da parte da maioria dos cientistas modernos e dos modernos filósofos, que torcem o nariz diante dos livros de Kardec e os trabalhos de CrookesMyersRichetAksakof e Oliver Lodge, por sentirem o cheiro de uma grosseira superstição empalhada no museu da culturaconduziram-nos fatalmente a um renascimento forçado do realismo medieval, conjugado com o panteísmo na sua forma mais primitiva. E o dizemos primitiva porque é a forma que poderíamos chamar de panteísmo inconsciente, muito distanciada da forma superior de panteísmo de Espinoza, por exemplo, que, segundo o seu próprio autor, podia confundir-se com o pensamento de Paulo, de que tudo vive e se move em Deus.

Os novos corifeus da cultura, apegando-se a um racionalismo de superfície, que contradiz as maiores virtudes da própria razão, negam todas as possibilidades da sobrevivência individual, para aceitarem, em troca, uma visão infinitamente mais improvável e absurda, da sobrevivência de uma realidade dotada de percepção consciente. Não importa que uma cerebração como a de Oliver Lodge tenha reunido as suas experiências e as suas conclusões, ainda recentemente, em pleno mar da cultura moderna, num trabalho como a monografia Por que creio na imortalidade pessoal. Os grandes sábios da era atómica, embora um cientista de grande evidência no terreno das pesquisas atómicas, como Artur Campton, confirme, em A posição do homem no Universo, as assertivas de Lodge, preferem fugir espavoridos da superstição da imortalidade para se refugiarem no panteísmo científico, que é, na realidade, a mais anti-científica de todas as teorias.

De facto, não negam os nossos homens da ciência, e os possíveis filósofos desta era de pesquisas, a imortalidade da alma. Entretanto, envolvendo essa imortalidade no conceito de eternidade das coisas, confundem o resultado das suas observações parciais com as linhas mais amplas da realidade universal e oferecem à humanidade exausta um imenso borrão, como perspectiva do seu próprio futuro. Apegados ao método científico de indução e dedução, esquecem-se da regra fundamental da convergência das provas, para a qual Ernesto Bozzano nos chama incessantemente a atenção, nos seus trabalhos. Generalizam sobre meia dúzia de conceitos ou de casos, desprezando a maioria, por considerá-los sob o prejuízo da superstição, espécie de pecado original da teologia científica, fonte impura e sempre suspeita, que atemoriza e espanta os ortodoxos.

Não podendo negar a continuidade da vida, que se patenteia a própria continuidade do Universo, e não querendo aceitar a sobrevivência individual, que lhes quebraria o dogma científico do monismo psicofísico, levam de volta o pensamento moderno ao panteísmo primitivo. Deus, embora não o chamem por esse nome, que também cheira a superstição, é a própria natureza, de que tudo provém e a que tudo retorna. As individualidades, sejam humanas, animais, vegetais ou minerais, nada mais são do que ondas que surgem e se apagam, rápidas e efémeras, na superfície do mar infinito da matéria, sucedendo-se através dos tempos, como as próprias ondas do mar. O homem é uma crista de água espumosa que se levanta de súbito na superfície, percorre um certo espaço-tempo e desaparece de novo no líquido comum. O que sobrevive não é o homem, mas apenas os seus elementos constitutivos, a sua matéria e a sua energia. O deus-natureza, caprichoso, ilógico, absurdo, é um monstro universal, de mil tentáculos e de milhões de faces, a criar e a tragar incessantemente as próprias criaturas, a se revelar e se esconder, num torvelinho infernal e numa verdadeira autofagia, mais desoladora e mais horrenda do que tudo o que possa ter imaginado a mitologia pagã e a ingénua teologia católica, a respeito dos domínios satânicos.

Entretanto o homem existe. O homem pensa, vive, sente, pode filosofar. Gogito ergo sum da metade cartesiana. E diante disso, procuram, os sujet-pensant da moderna cultura científica, uma parte de saída através de novo retrocesso filosófico, na volta ao realismo medieval. Vejamos o que dizem H. G. WellsJulian Huxley e G. P. Wells, por exemplo, em A nossa vida mental, tradução e notas de Almir de Andrade, título inglês Science of life, volume oitavo, Man’s mind and behaviour.

Embora sejamos mortais como indivíduos, podemos ser imortais como fases e partes transitórias da evolução contínua e imorredoura de uma realidade dotada de percepção consciente. Quando filosofamos, nas horas de recolhimento e de silêncio, talvez essa filosofia não parta unicamente de nós, mas seja o próprio homem que se revela, na plenitude de si mesmo, através dos nossos pensamentos.”

Durante o século XI, como se sabe, desencadeou-se no mundo filosófico a tremenda luta entre nominalistas e realistas, os últimos afirmando a existência real, positiva, dos universais, que nada mais eram que figuras colectivas das coisas existentes de maneira separada do mundo físico, e os primeiros sustentando a existência apenas destas coisas. Assim, para os realistas, à maneira do que Sócrates e Platão afirmavam sobre os conceitos "gerais", os homens não são mais do que projecções materiais do Homem universal, a entidade colectiva existente no mundo das ideias. A esse idealismo escolástico são forçados a regressar, como vemos, os corifeus do pensamento científico moderno, quando se negam a aceitar as últimas consequências do esforço humano para o conhecimento mais amplo da vida e do mundo.

A Religião, a Filosofia e a Ciência atingiram um estágio superior, graças à contínua e irrevogável evolução da humanidade e dos seus processos mentais. Nesse estágio não é mais possível manter-se o divisionismo irracional, gerador de antagonismos irreconciliáveis, em que esses ramos do conhecimento humano têm vivido até agora. Chegamos, pois, à era da síntese, ao momento do encontro e fusão dessas partes distintas, para a formação do todo, do corpo único e vitorioso da concepção geral do Universo, por que anseiam o coração e a mente do homem. As forças que se opõem a esse avanço natural não podem fazer outra coisa senão barrar o caminho, desviando o curso normal desses ramos do conhecimento. Esse desvio, uma vez que o avanço foi sustado, não pode tomar outro rumo senão o do regresso ao passado.

O Espiritismo se afirma como a larga estrada do progresso para o pensamento humano, quando pensamos em tais coisas. Ele nos mostra a sua verdadeira natureza do ponto culminante das conquistas mentais e espirituais da humanidade, ao verificarmos que, sem interromper o avanço de nenhum dos ramos do conhecimento e sem voltar para trás, ele pode reuni-los, naquela síntese que nos leva da multiplicidade dos fenómenos ao princípio único que os rege.

Nem foi por outro motivo que sir Oliver Lodge afirmou, em Por que creio na imortalidade pessoal, ser o Espiritismo uma nova revolução copérnicaEle rompe o círculo fechado do pensamento moderno, estilhaçando as esferas de vidro dos novos céus superpostos de Ptolomeu, para colocar o homem diante do espaço infinito, em que os mundos gravitam e a humanidade se expande, para além do organocentrismo ortodoxo da biologia moderna.

/…

José Herculano Pires, O Sentido da Vida, Novo Panteísmo “Realista”, 8º fragmento da obra.
(imagem de contextualização: Platão e Aristóteles, pormenor d'A escola de Atenas de Rafael Sanzio, 1509)