Da arte com que trabalharmos o nosso pensamento dependem as nossas misérias ou as nossas glórias...

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Desculpar

Jesus lhe disse: Não te digo até sete, mas até setenta vezes sete.”
(Mateus, 18:22.)

- Atende ao dever da desculpa infatigável diante de todas as vítimas do mal para que a vitória do bem não se faça tardia.
- Decerto o mal contará com os empreiteiros que a Lei do Senhor julgará no momento oportuno, entretanto, em nossa feição de criaturas igualmente imperfeitas, susceptíveis de acolher-lhe a influência, vale perdoar sem condição e sem preço, para que o poder de semelhantes intérpretes da sombra se reduza até à integral extinção.
- Recorda que acima da crueldade encontramos, junto a nós, a ignorância e o infortúnio que nos cabe socorrer cada dia.
- Quem poderá, com os olhos do corpo físico, medir a extensão da treva sobre as mãos que se envolvem no espinheiral do crime? Quem, na sombra terrestre, distinguirá toda a percentagem de dor e necessidade que produz o desespero e a revolta?
- Dispõe-te a desculpar hoje, infinitamente, para que amanhã sejas também desculpado.
- Observa o quadro em que respiras e reconhecerás que a natureza é pródiga de lições no capítulo da bondade.
- O Sol releva, generoso, o monturo que o injuria, convertendo-o sem alarde em recurso fertilizante.
- O odor miasmático do pântano, para aquele que entende as angústias da gleba, não será mensagem de podridão mas sim rogativa comovente, para que se lhe dê a bênção do reajuste, de modo a transformar-se em terra produtiva.
- Tudo na vida roga entendimento e caridade para que a caridade e o entendimento nos orientem as horas.
- Não olvides que a própria noite na Terra é uma pausa de esquecimento para que aprendamos a ciência do recomeço, em cada alvorada nova.
- “Faze a outrem aquilo que desejas te seja feito” – advertiu-nos o Amigo Excelso.
- E somente na desculpa incessante de nossas faltas recíprocas, com o amparo do silêncio e com a força da humildade, é que atingiremos, em passo definitivo, o reino do eterno bem como a ausência de todo mal.

EMMANUEL, Espírito in “Ceifa de Luz” - Desculpar, psicografado por FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Tesouro da Vida

“A atmosfera já não é, tão-somente, uma mistura de gases; as plantas deixam de ser simples agregados atómicos de carbono ou hidrogénio; os perfumes não se reduzem a moléculas intangíveis e só derramados à noite, para resguardar as flores da friagem; a brisa embalsamada significa algo mais que uma simples corrente de ar; as nuvens não representam apenas vesículas de aquoso vapor; a Natureza não se oferece exclusivamente qual laboratório de química, ou gabinete de física... Antes, pelo contrário, pressentimos em tudo uma lei de harmonia soberana, que governa a marcha simultânea de todas as coisas, que cerca os mais íntimos seres de uma vigilância instintiva, que guarda ciosamente o tesouro da vida em plenitude de pujança e que, pelo seu perpétuo rejuvenescimento, desdobra em potência imutável a fecundidade criada. Em toda esta Natureza há uma espécie de beleza universal, que a nossa alma respira e identifica, como se essa beleza ideal pertencesse unicamente ao domínio da inteligência.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS

Alma em flor

“Sombras nocturnas que flutuais pela encosta das montanhas, perfumes que baixais das florestas, flores pendidas que cerrais os lábios, surdos rumores oceânicos que nunca vos calais, calmarias profundas de noites estreladas, tendes-me falado de Deus, certo, com eloquência mais íntima e mais empolgante que todos os livros humanos! Em vós encontrei ternuras maternais, blandícias de inocência, e sempre que me deixava adormecer no vosso regaço despertava alegre e venturoso. Coloridos de esplêndidos crepúsculos, deslumbramentos de clarores moribundos, visões de sítios ermos, que deliciosos momentos de ebriedade não concedeis aos que vos amam! O lírio desabrocha e bebe, em êxtase, a luz que derrama dos céus! Nessas horas contemplativas, a alma transforma-se em flor, aspirando, ávida, as irradiações celestes.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Força que Vela

“Deus não é, pois, como dizia Lutero, “um quadro vazio, sem outra inscrição além da que lhe apomos”. Deus é, ao contrário, a força inteligente, universal e invisível, que constrói sem cessar a obra da Natureza. É sentindo-lhe a presença eterna que compreendemos as palavras de Leibnitz: “há metafísica, geometria e moral por toda a parte”, bem como o velho aforismo de Platão, que poderemos assim traduzir: Deus é o geómetra que opera eternamente.
É fora dos tumultos da sociedade mundana, no silêncio das profundas meditações, que a alma pode rever-se, em face da glória do invisível, manifestada pelo visível.
É nessa visualização da presença de Deus na Terra que a alma se eleva à noção do verdadeiro . O ruído longínquo do oceano, a paisagem solitária, as águas cujos murmúrios valem sorrisos, o sono das florestas entrecortado de anseios suspirosos, a altivez impassível das montanhas, tudo abrangendo de alto, são manifestações sensíveis da força que vela no âmago de todas as coisas. Abandonei-me, algumas vezes, a contemplar-vos, ó esplendores vividos da Natureza, e sempre vos senti envoltos e banhados de inefável poesia! Quando meu espírito se deixava seduzir pela magia da vossa beleza, ouvia acordes desconhecidos escapando-se do vosso concerto.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS

Harmonia

“A correlação das forças físicas nos mostrou a unidade de Deus, sob todas as formas transitórias do movimento. Pela síntese, o espírito se eleva à noção de uma lei única – lei e força universais, que valem por expressão activa do pensamento divino. Luz, calor, electricidade, magnetismo, atracção, afinidade, vida vegetal, instinto, inteligência, tudo deriva de Deus. O sentimento do belo, a estesia das ciências, a harmonia matemática, a geometria, iluminam essas forças múltiplas e lhes dão o perfume do ideal. Seja qual for o prisma pelo qual o pensador observe a Natureza, encontra uma trilha conducente a Deus – força viva, cujas palpitações, através de todas as formas, ele as sentirá no estremecer da sensitiva, como no canto matinal dos passarinhos.
Tudo é número, correspondência, harmonia, relação de uma causa inteligente, agindo universal e eternamente.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS

DEUS

“Aos olhos da alma apraz embevecer-se na radiação celeste, que inunda toda a Natureza. Aqui, já não é a discussão, mas a contemplação recolhida da luz e da vida resplandecentes na atmosfera, que brilham no cromatismo das flores e refulgem nos seus matizes; que circulam na folhagem dos bosques e envolvem num beijo universal os inumeráveis seres palpitantes no seio da Natureza. Depois da potência, da sabedoria, da inteligência, é a bondade inefável o que se faz sentir; é a universal ternura de um ser misterioso sempre, fazendo sucederem-se na superfície do globo as formas inumeráveis de uma vida que se perpetua por amor e que jamais se extingue.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Humildade

“A humildade, por força divina, reflecte-se, luminosa, em todos domínios da Natureza, os quais expressam, efectivamente, o Trono de Deus, patrocinando o progresso e a renovação.
Magnificente, o Sol, cada dia, oscula a face do pântano sem clamar contra o insulto da lama;  flor, sem alarde, incensa a glória do céu. Filtrada na aspereza da rocha, a água se revela mais pura, e, em seguida às grandes calamidades, a colcha de erva cobre o campo, a fim de que o homem recomece a lida.
À carência de humildade, que, no fundo, é reconhecimento de nossa pequenez diante do Universo, surgem na alma humana doentios enquistamentos de sentimento, quais sejam o orgulho e a cobiça, o egoísmo e a vaidade, que se responsabilizam pela discórdia e pela delinquência em todas as direcções.
Sem o reflexo da humildade, atributo de Deus no reino do “eu”, a criatura sente-se proprietária exclusiva dos bens que a cercam, despreocupada da sua condição real de espírito em trânsito nos carreiros evolutivos e, apropriando-se da existência em sentido particularista, converte a própria alma em cidadela de ilusão, dentro da qual se recusa ao contacto com as realidades fundamentais da vida.
Sob o fascínio de semelhante negação, ergue azorragues de revolta contra todos os que lhe inclinem o espírito ao aproveitamento das horas, já que, sem o clima da humildade, não se desvencilha da trama de sombras a que ainda se vincula, no plano da animalidade que todos deixamos para trás, após a auréola da razão.
Possuída pelo espírito da posse exclusivista, a alma acolhe facilmente o desespero e o ciúme, o despeito e a intemperança, que geram a tensão psíquica, da qual se derivam perigosas síndromes na vida orgânica, a se exprimirem na depressão nervosa e no desiquilíbrio emotivo, na ulceração e na disfunção celular, para não nos referirmos aos deploráveis sucessos da experiência cotidiana, em que a ausência da humildade comanda o incentivo à loucura, nos mais dolorosos conflitos passionais.
Quem retrata em si os louros dessa virtude quase desconhecida aceita sem constrangimento a obrigação de trabalhar e servir, a beneficio de todos, assimilando, deste modo, a bênção do equilíbrio e substancialização a manifestação das Leis Divinas, que jamais alardeiam as próprias dádivas.
Humildade não é servidão. É, sobretudo, independência, liberdade interior que nasce das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente renovação para o bem.
Cultivá-la é avançar para a frente sem prender-se, é projectar o melhor de si mesmo sobre os caminhos do mundo, é olvidar todo o mal e recomeçar alegremente a tarefa do amor, cada dia.
Reflectindo-a do Céu para a Terra, em penhor de redenção e beleza, o Cristo de Deus nasceu na palha da manjadoura e despediu-se dos homens pelos braços da cruz.”

EMMANUEL, Espírito in “Pensamento e Vida” - Humildade, psicografado por FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Espíritos a não levar a sério

“Pela conformação de nossos órgãos, temos necessidade de certos veículos para nossas sensações; é assim que nos é preciso a luz para reflectir os objectos, o ar para nos transmitir os sons; esses veículos se tornam inúteis, desde que não possuímos os intermediários que os exigiam. O Espírito vê, pois, sem o socorro da luz, ouve sem necessidade das vibrações do ar. Não há, por isso, escuridão para eles. Temos, assim, a chave das notáveis propriedades dos sonâmbulos lúcidos, que vêem e ouvem muito além do alcance dos sentidos materiais. É que a alma, desprendida, goza de parte das prerrogativas que possui em estado de desencarnação.
Mas, as sensações perpétuas e indefinidas, por mais agradáveis que sejam, tornam-se fatigantes, por fim, se a elas não nos podemos subtrair. Tem a alma a faculdade de suspendê-las; ela pode, à vontade, deixar de ver, ouvir, sentir, ou só sentir, ouvir e ver o que quer. Essa faculdade está em razão da superioridade do ser, porque há coisas que os Espíritos inferiores não podem evitar, o que lhes torna a situação penosa. É isto o que o Espírito, a princípio, não percebe. Os atrasados não compreendem, mesmo, nada, tal como entre nós os ignorantes, que vêem e se movem sem saber como.
Essa inaptidão para compreender o que lhes está acima do entendimento, unida à jactância, companheira ordinária da ignorância, é a causa das teorias absurdas que apresentam certos Espíritos, e que a nós próprios induziriam em erro se aceitássemos sem controle e sem assegurarmo-nos pelos meios fornecidos pela experiência e pelo hábito de conversar com eles, do grau de confiança que merecem.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – A vida do Espírito

Reencontro do Espírito

“Dissemos que o Espírito, ao entrar em sua nova vida, leva algum tempo para reconhecer-se, que tudo é estranho e desconhecido para ele. Perguntar-se-á, sem dúvida, como pode ser assim, se ele já teve outras existências corporais; essas passagens sobre a Terra foram separadas por intervalos no mundo dos Espíritos e, enfim, uma vez que o espaço é sua verdadeira pátria, o Espírito não deve encontrar-se como exilado. Várias causas tendem a tornar novas para ele essas percepções, apesar de já as ter experimentado.
A morte, já o dissemos, é seguida sempre de um instante de perturbação, mas que pode ser de duração curta. Dissipada essa turvação, as idéias se elucidam pouco a pouco e com elas a lembrança do passado, que só gradualmente volta à memória. Só quando o Espírito está inteiramente desmaterializado é que se desenrolam diante de si as suas vidas anteriores, como uma perspectiva, ao sair lentamente do nevoeiro que a envolvia. Somente, então, se lembra ele da última existência; depois, o panorama de suas passagens sobre a Terra e as voltas ao Espaço se lhes desvelam diante dos olhos. Ele vê os progressos que fez e os que lhe faltam fazer, e assim nasce o desejo de reencarnar, a fim de chegar mais depressa aos mundos felizes que entrevê.
Concebe-se, pois, segundo isso, que o mundo dos Espíritos deve parecer-lhe novo, até ao momento em que a memória inteiramente lhe volta.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – A vida do Espírito

Os Espíritos, seres definidos

“Os Espíritos não são seres vagos, indefinidos, como aprouve afigurá-los até agora, mas individualidades reais, determinadas, circunscritas, que gozam de nossas faculdades e de muitas outras que nos são desconhecidas, porque inerentes à natureza deles.
Eles têm as qualidades da matéria que lhes é própria e formam a população desse universo invisível que nos comprime, nos rodeia, nos acotovela, sem cessar. Suponhamos, um instante, que o véu material que os oculta à nossa vista se levanta; veríamos uma multidão de seres a cercar-nos, a se agitarem em torno de nós, a contemplar-nos, como o faríamos se, por acaso, nos achássemos em uma reunião de cegos. Para os Espíritos, somos tomados de cegueira e eles são os videntes.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – A vida do Espírito

Espíritos, comunicação e movimento

“A palavra articulada é também uma necessidade da nossa organização; os Espíritos não precisam de sons que lhes vão ferir os ouvidos; compreendem-se pela transmissão do pensamento, como acontece, aqui, nos compreendermos pelo olhar. Os espíritos podem, entretanto, produzir certos ruídos; sabemos que eles são capazes de agir sobre a matéria, e esta nos transmite o som; é assim que eles fazem ouvir pancadas ou gritos e, às vezes, cantos no vazio do espaço.
Enquanto arrastamos penosamente nosso corpo material, na terra, rastejando presos ao solo, os Espíritos, vaporosos, etéreos, transportam-se sem fadiga de um lugar a outro, transpõem incomensuráveis espaços, com a rapidez do pensamento, e penetram em toda parte, sem encontrar obstáculos.
O Espírito vê tudo o que vemos e mais claramente; percebe aquilo que os nossos limitados sentidos não o permitem e, penetrando na matéria, descobre o que ela oculta à nossa vista.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – A vida do Espírito

Necessidades do corpo e do Espírito

“Há sensações que têm origem no próprio estado de nossos órgãos; ora, as necessidades inerentes ao nosso corpo não podem existir desde que esteja destruído o nosso invólucro carnal. O Espírito não experimenta, pois, nem a fadiga, nem a necessidade de repouso, nem a da nutrição, porque não há nenhum dispêndio a reparar; as enfermidades não o afligem. Se, algumas vezes, os médiuns vêem Espíritos corcundas ou coxos, é porque eles tomam essa forma para se fazerem melhor reconhecidos pelas pessoas com quem se relacionam na Terra.
As necessidades do corpo acarretam deveres sociais que não têm razão de ser para os Espíritos; assim, as preocupações dos negócios, as mil inquietações a que nos expõe a necessidade de ganhar a vida, a procura das quimeras que nos lisonjeiam a vaidade, os tormentos que criamos por superfluidades, não mais existem para eles. Sorriem de pena, vendo o trabalho a que nos entregamos, para adquirir riquezas vãs ou ridículas frioleiras.
É preciso, porém, certo grau de elevação para contemplar as coisas dessa altura. Os Espíritos vulgares interessam-se, principalmente, em nossas lutas materiais e nelas tomam parte, como podem, e incitam-nos para o bem ou para o mal, conforme sua natureza boa ou perversa.
Os Espíritos inferiores sofrem, mas as angústias não deixam de ser menos dolorosas, por nada terem de físicas. Eles têm todas as paixões, todos os desejos que os atenazavam em vida, e é seu castigo o não poder satisfazê-los. É para eles uma verdadeira tortura, que acreditam perpétua, porque a própria inferioridade não lhes permite ver-lhe o termo, o que é ainda um castigo.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – A vida do Espírito

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Dorme-se, como se vive

“Santa Teresa de Ávila, em desdobramento pelo sono, peregrinou por uma cidade espiritual de sofrimentos, trazendo dali as impressões fortes que foram tomadas como sendo de uma parte do Inferno da teologia católica.
Jacob sonhou com o pai, Dante Alighieri, que lhe mostrou o lugar onde guardara os treze cantos do “Céu”, que se encontravam desaparecidos.
Voltaire concebeu, enquanto dormia e sonhava, todo um canto de La Henriade.
Tartini compôs, dormindo e sonhando, a sua “Sinfonia ao Diabo”.
Os sonhos narrados na Bíblia se enquadram perfeitamente nessas viagens ao plano espiritual, quando o ser se desprende e registra os factos que narra posteriormente.
O capítulo do sono natural na vida do homem é de muita importância, e está a exigir mais acurado estudo e meditação, a fim de ser aproveitado integralmente em favor do êxito na vilegiatura carnal.
Como um terço da vida física é dedicado ao sono, imenso património logrará quem converta esse tempo ou parte dele no investimento do progresso, em favor da libertação que lhe credenciará, para uma existência plena, um futuro ditoso.
Se alguém dis como e o que sonha, é fácil explicar-lhe como vive nas suas horas diárias.
Dorme-se, portanto,  como se vive, sendo-lhe os sonhos o retrato emocional da sua vida moral e espiritual.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografado por DIVALDO PEREIRA FRANCO - Vida, Sono e Sonho.

O Homem de Bem e o Sono

“O inverso também se dá amiúde, quando o homem aspira aos ideais de enobrecimento da Humanidade, tornando-se instrumento dos pormotores da evolução no mundo.
As suas horas de sono são aproveitadas para engrandecimento dos ideais, amadurecimento das aspirações, enriquecimento dos planos do Bem. E pelo facto de ter mais aguçadas as faculdades da alma, encontra ímpares satisfações nesses colóquios e visitas, graças aos quais se encoraja e felicita, podendo levar os labores adiante com alta dose de valor, que aos demais surpreende.
Conforme ocorre no fenómeno da morte, no qual a consciência passa por um torpor, perturbação que é variável, de acordo com as conquistas de cada um, a lucidez durante o sono, nas experiências oníricas, está a depender da densidade vibratória das emoções com que se pauta a vida, no cotidiano.
Desse modo, um programa bem organizado para antes de dormir constituirá emulação para o Espírito, no acto do desprendimento, transferindo-se a regiões felizes e contactar Entidades nobres, conquistando os tesouros da paz, da aprendizagem, da acção relevante, enquanto o corpo repousa.
De bom alvitre, também, que o homem se disponha a cooperar com os seus Benfeitores da Humanidade nas suas obras fomentadoras do progresso, participando dos seus empenhos com tal ardor que, em retornando ao corpo, permaneça telementalizado por eles, dando curso ao empreendimento na esfera carnal. Diante de realizações enobrecedoras, na Terra, pode o Espírito prosseguir, ao desprender-se pelo sono, sob a tutela dos seus Guias Espirituais, corrigindo enganos e adquirindo mais amplos recursos e entendimento para promover esse trabalho que não deve ser interrompido.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografado por DIVALDO PEREIRA FRANCO - Vida, Sono e Sonho.

A “doença mental” e o crime…

“Nem sempre, porém, as viagens em corpo espiritual, durante o sono, levam aos ambientes de felicidade e progresso, onde se cultiva o bem, o bom e o belo.
Mais facilmente, em razão do hábito dos pensamentos ultrajantes, fesceninos e brutais, os Espíritos que se comprazem com semelhante paisagem moral arrebatam o encarnado e levam-no aos redutos do crime e da preversão, onde se lhes ampliam as percepções negativas. Inspiram-se, ali, naquelas regiões de vandalismo e promiscuidade psíquica, e depois trazem para o comportamento diário as aberrações que buscam.
Crimes vergonhosos e programas vis são concertados nesses ambientes espirituais que pululam nas cercanias da Terra.
Urdem-se ali obcessões e vinditas em clima de perversidade sob o comando de mentes implacáveis, que ditam as normas de acção, para que se cumpram os planos nefastos.
Quando o Espírito ainda mantém resistências, que o resguardam da vulgaridede e da aberração, retorna desses antros de réprobos e padecem pesadelos horripilantes. Todavia, se já chafurda nos mesmos ignóbeis comércios de insensatez e loucura, volve ao corpo aturdido, embora fixado no que lhe cumpre executar, como autómato que foi – vítima de hipnose profunda. Esta, porém, não lhe é imposta, pois que foi buscada espontaneamente.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografado por DIVALDO PEREIRA FRANCO - Vida, Sono e Sonho.

Afinidade nos Sonhos

“Detendo-nos apenas nos fenómenos oníricos de ordem espiritual, estes preservam uma correlação entre o estado de evolução do ser e os  acontecimentos de que participa.
Num valhacouto de vadios, os que ali se encontram comprazem-se nos mesmos gostos que os reúnem. O mesmo ocorre num recinto reservado à cultura ou às artes, à fé ou ao trabalho. Há leis de afinidades que respondem pelas aglutinações sócio-morais-intelectuais, reunindo os seres conforme os padrões e valores nos quais se demoram.
Parcialmente liberto pelo sono, o Espírito segue na direcção dos ambientes que lhe são agradáveis durante a lucidez física ou onde gostaria de estar, caso lhe permitissem as possibilidades normais.
Em tal circunstância, pode viajar com os seres amados, que reencontra além da cortina carnal, participando dos seus estudos e realizações, aprendendo lições que lhe ficarão em gérmem, penetrando, inclusive, nos registos do passado como do futuro.
Disso decorre a aquisição de informes que desconhecia, como pode prever factos porvindouros, dando margem às retrocognições e precognições, do agrado dos modernos pesquisadores das ciências paranormais.
Ao mesmo tempo, defronta conhecimentos nos mesmos redutos para onde vai ou se deixa conduzir, estabelecendo admiráveis fenómenos de comunicação entre vivos na esfera física.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografado por DIVALDO PEREIRA FRANCO - Vida, Sono e Sonho.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Capítulo dos Sonhos

“Já se disse e, com muita propriedade, que o sono é uma forma de morte. Assim, diariamente, o homem, ao deitar-se, realiza, mesmo que inconscientemente, um treino para esse fenómeno biológico terminal.
À semelhança da morte, em que o Espírito só se liberta com facilidade do corpo mediante conquistas anteriores de desapego e renúncia, reflexões e desinteresse pelas paixões mais vigorosas, no sono há uma ocorrência equivalente, pois que o Ser espiritual possui maior ou menor movimentação conforme as suas fixações e conquistas.
O Espírito está sempre em acção até onde podemos concebê-la. A inactividade não se encontra presente nas Leis da Vida. Mesmo nos momentos de repouso, o Espírito movimenta-se atraído por aquilo que mais lhe diz respeito.
O sono é, portanto, uma necessidade para o refazimento orgânico, o restabelecimento de energias do corpo, o reequilíbrio das funções que o accionam.
Assim que um corpo adormece, e, às vezes, mesmo antes do sono total, afrouxam-se os liames que atam o Espírito à matéria, e ele se desprende, parcialmente, rumando para os lugares e as pessoas aos quais se vincula.
Graças e essa movimentação, quando retorna ao domínio carnal traz as impressões e lembranças que imprime no cérebro, constituindo-lhe o complexo capítulo dos sonhos.”


MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO - Vida, Sono e Sonho.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Caridade do entendimento

Agora, pois, permanecem estas três, a fé, a esperança e a caridade; porém, a maior destas é a caridade.
- Paulo. (I Coríntios, 13:13.)

- Na sustentação do progresso espiritual precisamos tanto da caridade quanto do ar que nos assegura o equilíbrio orgânico.
- Lembra-te de que a interdependência é o regime instituído por Deus para a estabilidade de todo o Universo e não esqueças a compreensão que devemos a todas as criaturas.
Compreenção que se exprima, através de tolerância e bondade incessantes, na sadia convicção de que ajudando aos outros é que poderemos encontrar o auxílio indispensável à própria segurança.
- À frente de qualquer problema complexo naqueles que te rodeiam, recorda que não seria justa a imposição de teus pontos de vista para que se orientem na estrada que lhes é própria.
- O Criador não dá cópias e cada coração obedece a sistema particular de impulsos evolutivos.
- Só o amor é o clima adequado ao entrelaçamento de todos os seres da Criação e somente através dele integrar-nos-emos na sintonia excelsa da vida.
- Guarda, em todas as fases do caminho, a caridade que identifica a presença do Senhor nos caminhos alheios, respeitando-lhes a configuração com que se apresentam.
- Não te esqueças de que ninguém é ignorante porque o deseje e, estendendo fraternos braços aos que respiram atributos na sombra, diminuirás a penúria que se extinguirá, por fim, no mundo, quando cada consciência se ajustar à obrigação de servir sem mágoa e sem exigência, na certeza de que apenas amando e auxiliando sem reclamar é que permanecemos felizes na ascensão para Deus.

EMMANUEL, Espírito in “Ceifa de Luz” - Caridade do entendimento, psicografado por FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Prece por Luz

Senhor!...
No limiar deste livro, estamos em oração, rogando-te mais luz por acréscimo de misericórdia.
Clarea-nos o entendimento, a fim de que conheçamos em suas consequências os caminhos já trilhados por nós; entretanto, faze-nos essa concessão mais particularmente para descobrirmos, sem enganos, onde as estradas mais rectas que nos conduzam à integração com os teus propósitos.
Ateia-nos o pensamento, não somente para identificarmos a essência de nossos próprios desejos, mas sobretudo para que aprendamos a saber quais os planos que traçaste a nosso respeito.
Ilumina-nos a memória, não só de modo a recordarmos com segurança as lições de ontem, e sim, mais especialmente, a fim de que nos detenhamos no dia de hoje, aproveitando-lhe as bênçãos em trabalho de renovação.
Auxilia-nos a reconhecer as nossas disponibilidades; todavia, concede-nos semelhante amparo, a fim de que saibamos realizar com ele o melhor ao nosso alcance.
Inspira-nos, ensinando-nos a valorizar os amigos que nos enviaste; no entanto, mais notadamente, ajuda-nos a aceitá-los como são, sem exigir-lhes espectáculos de grandeza ou impostos de reconhecimento.
Amplia-nos a visão para que vejamos em nossos entes não apenas pessoas capazes de auxiliar-nos, fornecendo-nos apoio e companhia, mas, acima de tudo, na condição de criaturas que nos confiaste ao amor, para que venhamos a encaminhá-los na direcção do bem.
Ensina-nos a encontrar a paz na luta construtiva, o repouso no trabalho edificante, o socorro na dificuldade e o bem nos supostos males da vida.
Senhor!...
Abençoa-nos e estende-nos as mãos compassivas, em tua infinita bondade, para que te possamos perceber em espírito na realidade das nossas tarefas e experiências de cada dia, hoje e sempre.
Assim seja.

EMMANUEL, Espírito in “Ceifa de Luz” Prece por Luz - Uberaba, 29 de Agosto de 1972, psicografado por FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O edificar de nossa individualidade

“Assim, no encadeamento das nossas estações terrestres, continua e completa-se a obra grandiosa de nossa educação, o moroso edificar de nossa individualidade, de nossa personalidade moral. É por essa razão que a alma tem de encarnar sucessivamente nos meios mais diversos, em todas as condições sociais; tem de passar alternadamente pelas provações da pobreza e da riqueza, aprendendo a obedecer para depois mandar. Precisam das vidas obscuras, vidas de trabalho, de privações, para acostumar-se a renunciar às vaidades materiais, a desapegar-se das coisas frívolas, a ter paciência, a adquirir a disciplina do espírito. São necessárias as existências de estudo, as missões de dedicação, de caridade, por via das quais se ilustra a inteligência e o coração se enriquece com a aquisição de novas qualidades; virão depois as vidas de sacrifício pela família, pela pátria, pela humanidade. São necessários também a prova cruel, cadinho onde se fundem o orgulho e o egoísmo, e as situações dolorosas, que são o resgate do passado, a reparação das nossas faltas, a norma pela qual se cumpre a lei de justiça. O Espírito retempera-se, aperfeiçoa-se, purifica-se na luta e no sofrimento. Volta a expiar no próprio meio onde se tornou culpado. Acontece às vezes que as provações fazem de nossa existência um calvário, mas esse calvário é um monte que nos aproxima dos mundos felizes.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Encontro de todas as correntes

“Todas as correntes do passado se encontram, juntam-se e confundem-se em cada vida. Contribuem para fazer a alma generosa ou mesquinha, luminosa ou escura, poderosa ou miserável. Essas correntes, entre a maior parte dos nossos contemporâneos, apenas conseguem fazer as almas indiferentes, incessantemente balouçadas pelos sopros do bem e do mal, da verdade e do erro, da paixão e do dever.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Liberdade de acção do Espírito

“Outro elemento do problema é a liberdade de acção do Espírito. A uns, ela permite que se demorem na via da ascensão, que percam, sem cuidado com o verdadeiro fim da existência, tantas horas preciosas à cata das riquezas e do prazer; a outros, deixa-os se apressarem a trilhar os carreiros escabrosos e alcançar os cimos do pensamento, se, às seduções da matéria, preferem a posse dos bens do espírito e do coração. São desse número os sábios, os gênios e os santos de todos os tempos e de todos os países, os nobres mártires das causas generosas e aqueles que consagraram vidas inteiras a acumular no silêncio dos claustros, das bibliotecas, dos laboratórios, os tesouros da ciência e da sabedoria humana.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Idade das Almas

“A variedade infinita das aptidões, das faculdades, dos caracteres, explica-se facilmente, dizíamos. Nem todas as almas têm a mesma idade, nem todas subiram com o mesmo passo seus estádios evolutivos. Umas percorreram uma carreira imensa e aproximaram-se já do apogeu dos progressos terrestres; outras mal começam o seu ciclo de evolução no seio das humanidades. Estas são as almas jovens, emanadas à menos tempo do Foco Eterno, foco inextinguível que despede sem cessar feixes de Inteligências que descem aos mundos da matéria para animarem as formas rudimentares da vida. Chegadas à humanidade, tomarão lugar entre os povos selvagens ou entre as raças bárbaras que povoam os continentes atrasados, as regiões deserdadas do Globo. E, quando, afinal, penetram em nossas civilizações, ainda facilmente se deixam reconhecer pela falta de desembaraço, de jeito, pela sua incapacidade para todas as coisas e, principalmente, pelas suas paixões violentas, pelos seus gostos sanguinários, às vezes até pela sua ferocidade; mas, essas almas ainda não desenvolvidas subirão por sua vez a escala das graduações infinitas por meio de reencarnações inúmeras.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Esforço corajoso

“Assim, a sanção moral, tão insuficiente, às vezes tão sem valor, quando é estudada sob o ponto de vista de uma vida única, reconhece-se absoluta e perfeita na sucessão de nossas existências. Há uma íntima correlação entre os nossos actos e o nosso destino. Sofremos em nós mesmos, em nosso ser interior e nos acontecimentos da nossa vida, a repercussão do nosso proceder. A nossa actividade, sob todas as suas formas, cria elementos bons ou maus, efeitos próximos ou remotos, que recaem sobre nós em chuvas, em tempestades ou em alegres claridades. O homem constrói o seu próprio futuro. Até agora, na sua incerteza, na sua ignorância, ele o construiu às apalpadelas e sofreu a sua sorte sem poder explicá-la. Não tardará o momento em que, mais bem instruído, penetrado pela majestade das leis superiores, compreenderá a beleza da vida, que reside no esforço corajoso, e dará à sua obra um impulso mais nobre e elevado.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Semente do passado

 “Cada um leva para a outra vida e traz, ao nascer, a semente do passado. Essa semente há de espalhar seus frutos, conforme a sua natureza, ou para nossa felicidade ou para nossa desgraça, na nova vida que começa e até sobre as seguintes, se uma só existência não bastar para desfazer as consequências más de nossas vidas passadas. Ao mesmo tempo, os nossos actos cotidianos, fontes de novos efeitos, vêm juntar-se às causas antigas, atenuando-as ou agravando-as e formam com elas um encadeamento de bens ou de males que, no seu conjunto, urdirão a teia do nosso destino.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A Terceira Grande Revelação

“Só o facto de existir a possibilidade de comunicarmos com os seres do mundo espiritual tem consequências incalculáveis da maior gravidade; é todo um mundo novo que se nos revela e que tem tanto mais importância quanto atinge todos sem excepção. Este conhecimento não pode deixar de causar, ao generalizar-se, uma modificação profunda nos costumes, no carácter, nos hábitos e nas crenças, que têm uma tão grande influência nas relações sociais. É uma total revolução que se opera nas ideias, tanto maior e tão mais poderosa quanto não se circunscreve a um povo, a uma casta, mas quando atinge o coração de todas as classes, todas as nacionalidades, todos os cultos.
É portanto com razão que o Espiritismo é considerado a terceira grande revelação.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 20.

Princípio Espiritual

“A ciência moderna fez justiça aos quatro elementos primitivos dos Antigos e, de observação em observação, chegou à concepção de um só elemento gerador de todas as transformações da matéria; mas a matéria, é inerte; não possui vida, nem pensamento, nem sentimentos; precisa da união com o princípio espiritual. O Espiritismo não descobriu nem inventou este princípio, mas foi o primeiro a demonstrá-lo por provas irrecusáveis; estudou-o, analisou-o, tornou-lhe a acção evidente. Ao elemento material veio acrescentar o elemento espiritual. Elemento material e elemento espiritual: eis os dois princípios, as duas forças vivas da natureza. Pela união indissolúvel destes dois elementos, explicam-se sem dificuldade uma quantidade de factos até então inexplicáveis.
O Espiritismo, tendo por finalidade o estudo de um dos dois elementos constituintes do Universo, toca na maior parte das ciências; só poderia aparecer depois da sua elaboração e nasceu, pela força das coisas, da impossibilidade de tudo se explicar somente com a ajuda das leis da matéria.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 18.

Obra abortada

“Assim como a ciência propriamente dita tem como finalidade o estudo das leis do princípio material, a principal finalidade do Espiritismo é o conhecimento das leis do princípio espiritual; ora, como este último princípio é uma das forças da natureza, reagindo constantemente sobre o princípio material e reciprocamente, resulta daí que o conhecimento de um não pode estar completo sem o conhecimento do outro. O Espiritismo e a ciência completam-se um ao outro: a ciência sem o Espiritismo fica impotente para explicar certos fenómenos unicamente através das leis da matéria; o Espiritismo sem a ciência não teria apoio nem controlo. O estudo das leis da matéria deveria preceder o da espiritualidade, por ser matéria e ferir primeiro os sentidos. Se o Espiritismo tivesse surgido antes das descobertas ciêntíficas teria sido uma obra abortada, como tudo o que surge antes do tempo.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 16.