Da arte com que trabalharmos o nosso pensamento dependem as nossas misérias ou as nossas glórias...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Reflexão – Conceitos Sobre Religião:

ALBERT EINSTEIN
“A mais bela e profunda emoção que podemos sentir, é a sensação mística. Esta é a semente de toda a verdadeira ciência. Aquele a quem esta emoção for alheia, que não tenha a possibilidade de se assombrar e de ser tocado por este impacto, é como se estivesse morto. Saber que o que nos é impenetrável, existe realmente e se manifesta através da mais elevada sabedoria e da mais resplandecente beleza – sabedoria e beleza que as nossas fracas faculdades só podem atingir na sua forma primitiva –, este conhecimento, este sentimento, é que está no centro da verdadeira Religião.” (3)

HERCULANO PIRES
“O Conhecimento é um sistema único e integrado. A divisão em Ciência, Filosofia, Arte e Religião é apenas metodológica. Uma religião sem o apoio lógico e científico é um conjunto de lendas ou de cavilações astutas. Uma ciência sem os dados da religião é um corpo sem alma. Ciência, Arte, e Religião, desprovidas do arcaboiço filosófico, não são senão esboços imprecisos do que pretendem ser.” (9)

SÃO LUIZ (ESPÍRITO)
“Os Espíritos não vêm subverter a religião, como pretendem alguns, mas vêm, pelo contrário, confirmá-la, através de provas irrecusáveis. Eis porque dentro de algum tempo tereis mais pessoas sinceramente religiosas e crentes do que as tendes hoje.” (17)

(3) O Homem e a Sociedade numa Nova Civilização.
(9) Revisão do Cristianismo.
(17) O Livro dos Espíritos, questão 1010 a)

O mundo mental é o modelador do mundo físico

“O mundo mental, das aspirações e ideias, é o grande agente modelador do mundo físico, orgânico. Conforme as propostas daquele, têm lugar as manifestações neste.
Assim se compreende porque a Terra é mundo de “provas e expiações”, considerando-se que os Espíritos que nela habitam estagiam na grande generalidade em faixas iniciais, inferiores, portanto, da evolução.
À medida que o ser evolve, melhores condições estatui para o próprio crescimento, dentro do mesmo critério da lei do progresso, que realiza com mais segurança os mecanismos de desenvolvimento, de acordo com as conquistas logradas. Quanto mais adiantado um povo, mais fáceis e variados são-lhe os recursos para o avanço.
O pensamento, desse modo, é um agente de grave significado no processo natural da vida, representando o grau de elevação ou inferioridade do Espírito, que, mediante o seu psicossoma ou órgão intermediário, plasma o que lhe é melhor e mais necessário para marchar no rumo da libertação.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO, PENSAMENTO E PERISPÍRITO (5 de 5)
(imagem: fotografia manipulada, Albulena Panduri)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Espírito aspira e o perispírito age…

“Os pensamentos largamente cultivados levam o indivíduo a acções inesperadas, como decorrência da adaptação mental que se permitiu. Desencadeada a acção, os efeitos serão incorporados no modus vivendi posterior da criatura. E mesmo quando não se convertem em atitudes e realizações por falta de oportunidade, aquelas aspirações mentais, vividas em clima interior, apresentam-se como formas e fantasmas que terão de ser diluídos por meio de reagentes de diferente ordem, para que se restabeleça o equilíbrio do conjunto espiritual.
Conforme a consequência mental da ideia, aparece uma correspondente necessidade da emoção.
Todos esses condicionamentos estabelecem o organograma físico, mental e moral da futura empresa reencarnatória a que o Espírito se deve submeter, ante o fatalismo da evolução.
O conjunto – Espírito ou mente, perispírito ou psicossoma e corpo ou soma – é tão estranhamente conjugado no processo da reencarnação que, em qualquer período da existência, são articulados ou desfeitos sucessivos equipamentos que procedem da acção de um sobre o outro. O Espírito aspira e o perispírito age sobre os implementos materiais, dando surgimento a respostas orgânicas ou a factos que retornam à fonte original, como efeito da acção física que o mesmo corpo transfere para o ser eterno, concedendo-lhe créditos ou débitos que se incorporam à economia da vida planetária.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO, PENSAMENTO E PERISPÍRITO (4/5)

Mecanismos espirituais

“Certamente, caracteres físicos, fisionómicos e até alguns comportamentais resultam das heranças genéticas e da convivência em família, jamais os de natureza psicológica que afectam o destino, ou de ordem fisiológica no mapa da evolução.
Saúde e enfermidade, beleza e feiúra, altura e pequenez, agilidade e retardamento, como outras expressões da vida física, procedem do Espírito que vem recompor e aumentar os valores bem ou mal utilizados nas existências pretéritas.
Além desses, os comportamentos e as manifestações mentais, sexuais, emocionais decorrem dos actos perpetrados antes e que a reencarnação traz de volta para a indispensável canalização em favor do progresso de cada ser.
As alienações, os conflitos e traumas, as doenças congénitas, as deformidades físicas e degenerativas, assim como as condições morais, sociais e económicas, são capítulos dos mecanismos espirituais, nunca heranças familiares, qual se a vida estivesse sob injunções do absurdo e da inconsequência.
A aparente hereditariedade compulsória, assim como a injunção moral actuante em determinado indivíduo, fazendo recordar algum ancestral, explica-se em razão de ser aquele mesmo Espírito, ora renascido no clã, para dar prosseguimento a realizações que ficaram incompletas ou refazer as que foram perniciosas. Motivo este que liberta “o filho de pagar pelos pais” ou avós, o que constituiria, se verdadeiro, uma terrível e arbitrária imposição da Justiça que, mesmo na Terra, tem código penal mais equilibrado.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO, PENSAMENTO E PERISPÍRITO (3/5)

Cada Espírito é legatário de si mesmo

“Como é certo que, em casos especiais, há toda uma elaboração de programa para o reencarnante, na generalidade, os automatismos vibratórios das Leis de Causalidade respondem pela ocorrência, que jamais tem lugar no acaso.
Todo elemento irradia vibrações que lhe tipificam a espécie e respondem pela sua constituição.
Espermatozóides e óvulos, em consequência, possuem campo de força específico, que propele os primeiros para o encontro com os últimos, facultando o surgimento da célula ovo.
Por sua vez, cada gameta exterioriza ondas que correspondem à sua fatalidade biógica, na programação genética de que se faz portador.
Desse modo, o perispírito do reencarnante sincroniza com a vibração do espermatozóide que possui a mesma carga vibratória, sobre ele incidindo e passando a plasmar no óvulo fecundado o corpo compatível com as necessidades evolutivas, como decorrência das catalogadas acções pretéritas. Equilíbrio da forma ou anomalia, habilidades e destrezas, ou incapacidade, inteligência, memória e lucidez, ou imbecilidade, atraso mental, oligofrenia serão estabelecidos desde já pela incidência das conquistas espirituais sobre o embrião em desenvolvimento.
Sem descartarmos a hereditariedade nos processos da reencarnação, o seu totalitarismo, conforme pretendem diversos estudiosos da Embriogenia e outras áreas da ciência, não tem razão de ser.
Cada Espírito é legatário de si mesmo. Seus actos e sua vida anterior são os plasmadores da sua nova existência corporal, impondo os processos de reabilitação, quando em dívida, ou de felicidade, se em crédito, sob os critérios da Divina Justiça.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO, PENSAMENTO E PERISPÍRITO (2/5)

Processo perispiritual

“Portador de expressiva capacidade plasmadora, o perispírito regista todas as acções do Espírito através dos mecanismos subtis da mente que sobre ele age, estabelecendo os futuros parâmetros de comportamento, que serão fixados por automatismos vibratórios nas reencarnações porvindouras.
Corpo intermediário entre o ser pensante, eterno, e os equipamentos físicos, transitórios, por ele se processam as imposições da mente sobre a matéria e os efeitos dela em retorno à causa geratriz.
Captando o impulso do pensamento e computando a resposta da acção, a ele se incorporam os fenómenos da conduta actual do homem, assim programando os sucessivos porvindouros, mediante os quais serão aprimoradas as conquistas, corrigidos os erros e reparados os danos destes últimos derivados.
Assim, quando por ocasião da reencarnação o Espírito é encaminhado por necessidade evolutiva aos futuros genitores, no momento da fecundação o gameta masculino vitorioso esteve impulsionado pela energia do perispírito do reencarnante, que naquele espermatozóide encontrou os factores genéticos de que necessita para a programática a que se deve submeter.
A partir desse momento, os códigos genéticos da hereditariedade, em consonância com o conteúdo vibratório dos registos perispirituais, vão organizando o corpo que o Espírito habitará.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO, PENSAMENTO E PERISPÍRITO (1/5)

quinta-feira, 16 de junho de 2011

As realizações mais perfeitas da Arte


“Os sonhos dos poetas, as visões dos míticos, as criações do génio, as comprovações e demonstrações da Ciência, as realizações mais perfeitas da Arte são apenas ecos muito débeis e percepções pequeninas que os homens, com melhores dotes, captam como em um relâmpago quando a matéria, dominada por poucos instantes, permite que a alma possa entrever alguns pálidos reflexos do mundo divino.”

LÉON DENIS, in “O Mundo Invisível e a Guerra”
(imagem: O Êxtase de Santa Teresa de Gian Lorenzo Bernini(1598-1680)

O sentimento das responsabilidades individuais e colectivas

“A educação do povo precisa ser totalmente modificada, para que todos possam ter a noção dos deveres sociais, o sentimento das responsabilidades individuais e colectivas e, principalmente, o conhecimento do objectivo real da vida, que é o progresso, o aperfeiçoamento da alma, o aumento de suas riquezas íntimas e ocultas.”

LÉON DENIS, in “O Mundo Invisível e a Guerra"
(imagem: Outono, pintura de Eduardo Arguelles)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O doente vê chegar o médico

“Os aflitos são em grande número: não é então surpreendente que tantas pessoas acolham uma doutrina consoladora, de preferência a doutrina que desesperam, na medida que é mais aos deserdados da sorte do que aos felizes que se dirige o Espiritismo. O doente vê chegar o médico com mais alegria do que aquele que não costuma ter problemas de saúde; ora, os aflitos são os doentes e o Consolador é o médico.
Vós que combateis o Espiritismo, se quereis que o deixem para vos seguirem, dai então mais e melhor que ele; curai mais garantidamente as feridas da alma. Dai mais consolações, mais satisfações ao coração, esperanças mais legítimas, certezas maiores, fazei do futuro um quadro mais racional, mais sedutor; mas não penseis em vencê-lo com a perspectiva do vazio; com a alternativa das chamas do inferno ou da beata e inútil contemplação perpétua.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 44.
(imagem: Cristo redentor, 1519-1520, Michelangelo. Igreja de Santa Maria sopra Minerva, Roma)

Marcas da Providencia

“Se a estes resultados acrescentarmos a rapidez inerente à propagação do Espiritismo, apesar de tudo o que foi feito para o abater, não podemos sequer pensar que o seu advento não seja outra coisa que não providencia, na medida em que triunfa sobre todas as forças e sobre todas as más vontades humanas. A facilidade com que é aceite por um grande número de pessoas, e isso sem constrangimentos, sem outros meios que o poder da ideia, prova que ele responde a uma necessidade: a de acreditar em qualquer coisa, após o vazio cavado pela incredulidade. Consequentemente chegou no momento exacto.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 43.

Cristo o verdadeiro Consolador

“Se, além disso, considerarmos o poder moralizador do Espiritismo pelo objectivo que confere a todas as acções da vida, pelas consequências do bem e do mal que deixa bem claras, a força moral, a coragem, os consolos que confere nas aflições através da ideia de termos perto de nós os entes que amámos, a garantia de os revermos, a possibilidade de conversar com eles, enfim, pela certeza de que tudo o que fazemos, de que de tudo o que adquirimos em inteligência, em ciência, em moralidade, até ao derradeiro momento da vida, nada está perdido, que tudo aproveita à evolução, reconhecemos que o Espiritismo realiza todas as promessas de Cristo relativamente ao Consolador anunciado. Ora, como é o Espírito da verdade que preside ao grande movimento da regeneração, a promessa do seu advento encontra-se igualmente realizada, pois, de facto, é ele o verdadeiro Consolador.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 42.

O Espiritismo ajuda-nos na demonstração…

“O Espiritismo, muito longe de negar ou de destruir o Evangelho, vem antes pelo contrário confirmar, explicar e desenvolver, através das novas leis da natureza que revelam tudo o que Cristo fez e disse; traz luz aos pontos obscuros do seu ensino, de tal modo que alguns daqueles para quem certas partes do Evangelho eram ininteligíveis, ou pareciam ser inadmissíveis, as compreendem e as admitem sem dificuldade com a ajuda do Espiritismo; entendem-lhe melhor o alcance e podem separar a realidade da alegoria; Cristo parece-lhes maior: já não é simplesmente um filósofo, mas um Messias divino.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 41.

O estudo das propriedades do perispírito

“O estudo das propriedades do perispírito, dos fluidos espirituais e dos atributos psicológicos da alma, abre novos horizontes à ciência e fornece a chave de um conjunto de fenómenos até então incompreendidos por não se conhecer a lei que os rege; fenómenos negados pelo materialismo porque se prendem à espiritualidade, qualificados por outros como milagres ou sortilégios, consoante as crenças. São assim, entre outros, os fenómenos da dupla vista, da visão à distância, do sonambulismo natural ou artificial, dos efeitos psíquicos da catalepsia e da letargia, da presciência, dos pressentimentos, das aparições, das transfigurações, da transmissão de pensamento, do fascínio, das curas instantâneas, das obsessões e possessões, etc. Ao demonstrar que estes fenómenos assentam sobre leis tão naturais como os fenómenos eléctricos e as condições normais em que se podem produzir, o Espiritismo destruiu o império do maravilhoso e do sobrenatural e por consequência, a fonte da maior parte das superstições. Se faz com que se acredite em certas coisas consideradas por alguns como quiméricas, impede que se acredite em muitas outras de que demonstra a impossibilidade e a irracionalidade.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 40.

Dos fluidos espirituais...

“O Espiritismo experimental estudou as propriedades dos fluidos espirituais e a sua acção sobre a matéria. Demonstrou a existência do perispírito, presumido desde a antiguidade e designado por São Paulo sob o nome de Corpo espiritual, isto é, corpo fluídico da alma após destruição do corpo tangível. Sabemos hoje que esse invólucro é indissociável da alma; que é um dos elementos constituintes do ser humano; que é o veículo de transmissão do pensamento e que, durante a vida do corpo, serve de ligação entre o Espírito e a matéria. O perispírito representa um papel tão importante no organismo e numa quantidade de afecções, que se aproxima da fisiologia tão bem como da psicologia.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 39.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Nosso Deus da Natureza

“Falta grave, o senso comum? É possível que esses espíritos fortes, galgando o céu por uma escada de paradoxos, acreditem estar bem alto... Enganam-se, porém, redondamente, com essa ilusão comparável àquela antiga prova maçónica, que era percorrer o iniciado uma escada de cento e cinquenta degraus descendentes, de sorte que, ao fim do percurso, no momento de atirar-se ao vácuo, apenas tocava o solo. Não, senhores, vossa escalada não é mais terrível do que essa e apenas pode acarretar maus resultados para os homens de vistas curtas, incapazes de perceber o vosso erro e até considerando-vos as fénix da Ciência. Fosse agradável a vossa ilusão, consoladoras as vossas doutrinas; capazes, as vossas idéias, de estimular a emulação da Humanidade pensante para elevar-se a um ideal supremo, e talvez se pudesse perdoar-vos a terapêutica. Mas, com franqueza: – em que vos parece funesta, à inteligência humana, a crença em Deus? Onde e como verificastes que o conhecimento da verdade pode enfermar o cérebro? Despojando a Humanidade do seu tesouro mais precioso, banindo do Universo a vida, rechaçando da Natureza o espírito, não admitindo mais que a matéria cega e forças zanagas, privais a família humana de ter paternidade e o mundo de ter um princípio e uma finalidade. Gênio e virtude, reflexos de um esplendor maior, eclipsam-se convosco e o mundo moral, tanto quanto o físico, não serão mais que um caos imenso, digno da noite primitiva de Epícuro.
Mas, ainda bem que o ateísmo absoluto só pode ser uma loucura nominal e o espírito mais negativista não pode, realmente, atribuir à matéria senão o que pertence ao espírito, criando assim um deus-matéria, à sua imagem e semelhança. Assim, temos visto que, desde o panteísmo místico ao mais rigoroso ateísmo, os erros humanos a respeito da personalidade divina não puderam, senão, velar, ou desnaturar a revelação do Universo, sem aniquilá-la. Nosso Deus da Natureza permanece inatacável, no seio mesmo da Natureza, força intrínseca e universal governando cada átomo, formando organismos e mundos, princípio e fim das criações que passam, luz incriada a brilhar no mundo invisível e para a qual, oscilantes, se dirigem as almas, como a agulha imantada, que não mais repousa enquanto não se encontra identificada com o plano do pólo magnético.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (7 de 7)
(imagem: Salvador Dali, 1942_33)

Será um acto de fraqueza sermos lógicos com a nossa Consciência?

“A organização maravilhosa do mundo não vos obriga a confessar a existência do Ser supremo? Por nossa parte, muita vez temos perguntado, como se pode recusar tão obstinadamente essa existência? Quais as vantagens do ateísmo? Em que pode ele preterir o teísmo? Que pode a Humanidade lucrar com o renegar, doravante, a crença em Deus? Qual é o melhor homem: o que crê, ou o que não crê? Será, então, um acto de fraqueza o sermos lógicos com a nossa consciência?”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (6 de 7)

A Natureza subordinada a um plano racional


“No mínimo, há no Universo a razão espiritual dos que se elevaram à descoberta das leis que o regem e estas, por sua vez, existem, realmente. Se assim não fora, todo o edifício da razão humana ruiria pela base. Os processos de indução, que nos levam da análise à síntese, devem ter, com efeito, objectivos reais de aplicação, sem o que só podemos raciocinar no vácuo. Generalizar uma lei parcialmente observada, acreditar simplesmente que o Sol se levantará amanhã porque se levantou ontem; ou que o trigo semeado neste outono germinará antes do inverno e será colhido no próximo verão; traduzir os factos naturais em fórmulas matemáticas, é supor que a Natureza subordina-se a uma ordem racional e que o relógio marcará a hora acorde com a construção do relojoeiro.
O próprio processo de indução científica é um silogismo transportado dos domínios humanos aos da Natureza, reduz-se a este tipo fundamental; o mundo é regido por uma ordem racional; ora, a sucessão ou generalização de uns tantos factos observados torna a entrar na ordem racional e, portanto, essa sucessão ou generalização existe.
Se o homem às vezes se engana nas aplicações desse processo, é que ele não se limita às aplicações imediatas, ou não tem uma base suficiente de observações directas. Todas as ciências e sínteses indutivas do homem repousam na convicção de que a Natureza está subordinada a um plano racional.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (5 de 7)

Pois quê!

“Pois quê! Será possível que o vosso critério filosófico possa tomar a sério a hipótese ridiculamente metafísica da pré-existência de uma ordem universal, sem que houvesse um pensamento para concebê-la, uma inteligência para compreendê-la, um olhar para contemplá-la e uma alma para amá-la? Pois quê! Será essa Natureza, assim cega, inconsciente, escravizada, sem olhos de ver nem coração de amar, que vai, num silêncio eterno, tecendo a malha divina de tudo o que existe? Temo-la então, a cega Natureza originando sem o querer, nem saber, uma harmonia, até que finalmente, da base ao cimo do cosmos, como filho da cega fatalidade, surja o homem para ouvir a harmonia que não fez, e tomar conhecimento dessa ordem que não procede dele, porque lhe precede!”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (4 de 7)

Da origem do pensamento

“Depois de haver visualizado a ordem universal, chegamos a confessar, levados por uma evidência irresistível, que, para uma criatura racional, é o cúmulo do contra-senso supor que exista a razão. Parece-nos absurdo integral a crença de que o espírito pudesse surgir no cérebro humano e manifestar-se nas leis do Universo, se não existisse de toda a eternidade. Nem sempre há que desdenhar os teólogos e neste lanço o pregador da Notre-Dame de Paris parece-nos aplicar o seu talento na defesa da verdade. A força cega, diz o Padre Félix, produzindo a harmonia cósmica e levando-a aos últimos desdobros, até o aparecimento do ser pensante... Mas, santo Deus! – que vamos fazer da nossa razão se doravante nos forçam a admitir uma tal reviravolta de idéias e perversão de linguagem? Como admitir uma força ininteligente dando o que não tem, nem pode ter, isto é – inteligência? Como poderiam tais forças, ininteligentes e cegas, arrastando-se umas por outras, entrosando-se num mecanismo incompreensível, chegar a produzir, ao termo de elaborações espontâneas, o pensamento, tal como a flor que desabrocha e se balança na ponta do hastil?”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (3 de 7)

Deus ou a matéria

“Todas as propriedades instintivas ou intelectuais que os nossos adversários não podem deixar de atribuir à matéria para explicar a acção desta, sua tendência progressiva, seu método selectivo, desde a formação do vegetal humilde à formação de um cérebro humano, são atributos que eles extraem do ignoto que nós denominamos Deus e que eles homenageiam chamando-lhe matéria. Mas, em abstraírem do mundo a idéia de ordem, verdade, beleza, perfeição, harmonia espiritual e corporal, eles arrebatam ao mundo a sua alma e a sua vida. Nós, porém, não vemos a vantagem de substituir um ser vivo por um cadáver. Seu Universo assemelha-se aos enforcados, com os quais fizemos experiências eléctricas, há algum tempo. Eles como que ressuscitavam, aparentemente, graças à aplicação da electricidade ao sistema nervoso, que lhes movimentava todo o corpo.
Gesticulavam, agitavam braços e pernas, como quem acordasse; abriam os olhos e a boca num perfeito simulacro de vida... Ora, fazendo circular no organismo universal as forças pelas quais substituem a genuína vida, os ateus hodiernos oferecem-nos um simulacro, no qual estão obrigados a simular a vida que abstraem. Sob este aspecto, é uma questão de palavras. Para nós, um cadáver é sempre cadáver, mesmo que esteja electrizado. Emprestando à matéria atributos só cabíveis à força suprema, eles reduzem o Universo a um estado lastimoso. Se Deus deixasse de existir um momento, toda a vida universal ficaria suspensa. Seria curioso ver como esses bravos materialistas ressuscitariam e fariam circular uma vida factícia no corpo colossal de que somos, eles e nós, ínfimos parasitas.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (2 de 7)

Do Ateísmo

“De resto, a que se reduz a negação materialista? Buscando o âmago das coisas, percebemos logo que essas negações não podem ser tão absolutamente negativas quanto o pretendem. O insensato não o será jamais impunemente e não é tão fácil, quanto possa parecer, uma convicção profunda no ateísmo. Na maioria dos casos, o que ocorre é o deslocamento da questão e nada mais. Em vez de chamar Deus à direcção das forças que regem o mundo, os convencidos de ateísmo deixam de o nomear e, em vez de atribuir a um ser inteligente a inteligência dessas forças, outorgam-na à própria matéria. Removem, assim, mas não resolvem, o problema, pois os factos continuam irrevogáveis. Negam a Deus, mas não podem negar a força. Apenas, em lugar de proclamarem a soberania dessa força, consideram-na escrava da matéria inerte. Nisto reside todo o nó da questão, nó que ainda não foi desatado pelos materialistas nem pelos espiritualistas, visto que a observação directa da retina humana não vai até lá. A diferença principal que os divide no discrime está em que os primeiros não explicam a criação, nem o plano, nem a conservação da Natureza, enquanto que os segundos o fazem plausivelmente. Consideradas como duas hipóteses, as duas doutrinas contrárias não se equivalem e todo o homem sincero há de inclinar-se sempre para a que admite um Criador. Porque esta é, não só mais completa, como mais franca.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (1 de 7)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ratos que Roem

“Não sabíamos que existiam ratos espirituais capazes de roerem uma obra superior! Mas Chico afirmava-o, e a sua palavra era para nós como bálsamo em pedra de fogo.
Mais tarde, aprendemos que o mundo espiritual não só contem espíritos bons mas também tem verdadeiros monstros.
Lembrámo-nos da vara de porcos que recebeu a legião de espíritos inferiores, sob a ordem de Jesus. E lembrámo-nos ainda que, nesse mesmo dia, quando falávamos com Chico a respeito da publicação de um pequeno jornal da Doutrina, expondo-lhe como desejávamos que fosse o novo órgão de imprensa, ele nos disse baixinho:
- Ranieri, por enquanto vamos guardar em segredo esse anseio e tentar realizá-lo sem alarde, porque senão os espíritos inferiores procurarão destruir o nosso ideal…
Todos os iniciados, de Krishna a Zoroastro, afirmaram que existe uma luta entre o bem e o mal no mundo eterno do espírito.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (4 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER
(imagem: Salvador Dali, 1970_07)

A Revelação de Chico

“Na intimidade da biblioteca da nossa casa em Belo Horizonte, conversávamos com Chico. Olhávamos os livros, víamos alguns, e tínhamos pedido a Chico que autografasse a nossa colecção de André Luíz e ele tinha-nos respondido que o faria, mas em livros que nos ofereceria. Alegávamos que não era necessário, que autografasse aqueles mesmos… quando, de repente, Chico nos fez esta revelação:
- Ranieri, sabe que eu recebi um livro de André Luíz e deixei os originais na prateleira, numa caixa, e quando fui procurá-los estavam feitos em pó? Alguns ratos espirituais roeram-no!
Naquela época ainda não sabíamos o que sabemos hoje, nem tínhamos visto o que já vimos pela vidência e pela clarividência, de modo que a revelação surpreendeu-nos até ao íntimo da própria alma.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (3 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER

Na “Divina Comédia”

“Dante mergulhou nos abismos infernais e assombrou o mundo com as descrições das regiões inferiores. Na “Divina Comédia” há passagens difíceis de serem aceites pelos homens menos espiritualizados, se não tivessem sido recebidas como foram, isto é, apenas como obra de arte, o produto da inteligência de um grande poeta, a fantasia de um cérebro privilegiado. Como verdade, pouca gente a aceitaria. Mas dizem que quando Dante passava nas ruas de Ravena, as mulheres e os homens olhavam-no com pavor e respeito, porque sabiam que ele estivera no Inferno.
Na “Divina Comédia”, encontramos as almas com formas animalescas, com a forma de árvores presas ao solo infernal ou então deformadas pelo mal que praticaram.
Dante tem sido amado e respeitado em todo o mundo; escolas de assuntos dantescos interpretam e estudam a sua obra, e a Igreja Católica usou o seu Inferno como modelo durante muitos séculos, mas hoje os homens nem sequer pensam que tudo aquilo seja verdade.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (2 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER

Os iniciados tem conhecimentos que não revelam

“O mundo espiritual ainda é um mundo desconhecido, inexplorado, uma verdadeira selva ou país onde reinam tanto as forças do bem como as do mal. Pouco sabemos dele, mas que nele existem forças poderosas, existem.
E há certas coisas que não se podem contar. Causam espécie ou fazem abrir os olhos de incredulidade. Por outro lado, não se deve ocultar tudo.
Os iniciados sabem e os estudiosos, por sua vez, também sabem, que os iniciados têm conhecimentos que não revelam. O silêncio à volta de certos factos é fundamental para os iniciados.
Nem tudo pode chegar a ser conhecido pelo grande público. Jesus recomendava: “Quem tem ouvidos de ouvir que ouça”. Com isto queria dizer que aqueles que já possuíam capacidade mental para compreender, que compreendessem. Os outros, que aguardassem pelo tempo e pela marcha individual da evolução.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (1 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER