Da arte com que trabalharmos o nosso pensamento dependem as nossas misérias ou as nossas glórias...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Método Experimental

“Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exactamente da mesma maneira que as ciências positivas, quer dizer, aplicando o método experimental. Apresentam-se factos de uma nova ordem que não podem ser explicados pelos meios conhecidos; observa-os, compara-os, analisa-os e, remontando os efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz daí as consequências e procura-lhes as aplicações úteis. Não estabelece nenhuma teoria preconcebida; assim, não colocou como hipoteses nem a reencarnação, nem nenhum dos princípios da doutrina; concluiu que existem Espíritos quando esta existência ressaltou como evidênciada observação dos factos; e também o mesmo sucedeu com os outros princípios: Não foram os factos que vieram mais tarde confirmar a teoria, mas a teoria que veio subsquentemente explicar e resumir os factos. É portanto rigorosamente exacto dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só registaram progressos sérios depois de o seu estudo se ter baseado no método experimental; mas, até esse dia, sempre se acreditou que este método só era aplicável à matéria, enquanto o é igualmente às coisas metafísicas.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 14.

O Divino e a Ciência

“Pela sua natureza, a revelação espírita possui um carácter duplo: respeita simultâniamente a revelação divina e a revelação ciêntífica. Está ligada à primeira no que o seu advento tem de providencial, não sendo resultado da iniciativa e de um intento premeditado do homem; por os pontos fundamentais da doutrina serem resultantes do ensinamento dado pelos Espíritos encarregados por Deus de esclarecerem os homens sobre coisas que ignoravam, que não podiam aprender sozinhos e que é importante conhecerem, hoje que estão preparados para as compreenderem. Liga-se à segunda por este ensinamento não ser privilégio de nenhum indivíduo e ser dado a toda a gente através da mesma via; por os que o transmitem e os que o recebem não serem de forma nenhuma seres passivos, dispensados do trabalho de observação e de pesquisa; que não abdicam da sua opinião nem do seu livre-arbítrio; que o controlo não lhes é interdito, sendo antes, pelo contrário recomendado; enfim, porque a doutrina não foi ditada em todas as suas partes nem imposta à crença cega; que é deduzida, pelo trabalho do homem, da observação dos factos que os Espíritos lhes colocam dabaixo dos olhos e das instruções que lhe dão, instruções que estuda, comenta e de que retira ele mesmo as consequências e as aplicações. Numa palavra, o que caracteriza a revelação espírita é o facto de a fonte ser divina, a iniciativa pertencer aos Espíritos e a sua elaboração ser consequência do trabalho do homem.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 13.

Revelação

“O Espiritismo, tendo-nos dado a conhecer o mundo invisível que nos rodeia e no meio do qual vivíamos sem o sabermos, as leis que o regem, as suas relações com o mundo visível, a natureza e o estado dos entes que o habitam e, por consequência, o destino do homem depois da morte, é uma verdadeira revelação na acepção científica do termo.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 12.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Plenitude da Vida

“Quando se tem a convicção profunda dessa permuta universal da matéria, que irmana, do ponto de vista da composição orgânica, a fronde e o pássaro, o peixe e a plaga, o homem e a fera, considera-se a Natureza sob a impressão da grande unidade que preside à marcha das coisas. Ela, a Natureza, se nos apresenta, então, completamente transfigurada e não deixa de ser com um interesse mais íntimo que encaramos o sistema geral da vida planetária. A. de Humboldt traçou a sua fisionomia num esboço amplo, que tem o mérito de reivindicar considerações especiais a respeito. “Quando o homem interroga com argúcia penetrante a Natureza – diz ele – ou quando mede, na sua imaginação, os vastos espaços da criação orgânica, de todas as emoções experimentadas a mais poderosa e profunda é a da plenitude da vida, universalmente difundida. Por toda a parte, até nos pólos congelados, o ar repercute o canto das aves e o zumbido dos insectos.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo II “A Vida” I – Circulação da Matéria

Constante Permuta

“O átomo de carbono que neste instante arde em meu pulmão, ardeu talvez na candeia que serviu a Newton para as suas experiências de óptica; e as fibras mais preciosas do cérebro de Newton talvez se encontrem, agora, na concha de uma ostra ou numa dessas miríades de animálculos microscópicos, que povoam os mares fosforescentes. O átomo de carbono que se escapa, no momento, da combustão do vosso charuto, terá talvez saído, há alguns anos, do túmulo de Cristóvão Colombo, que demora, como sabeis, na catedral de Havana. Toda a vida não passa de uma constante permuta de elementos materiais. Fisicamente falando, nós nada possuímos de nós mesmos. Só o ser pensante é o nosso eu. Só ele é que nos constitui verdadeira, imutavelmente. Quanto à substância que nos forma o cérebro, os nervos, os músculos, ossos, membros, carne, essa não a retemos; vai, vem, passa de um ser a outro. Sem metáfora, podemos dizer que as plantas são nossas raízes, que por elas extraímos dos campos a albumina do sangue, o cal dos ossos. O oxigênio de sua respiração nos dá vigor e beleza, assim como, reciprocamente, o ácido carbônico que restituímos à atmosfera vai cobrir de verdura os vales e as colinas.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo II “A Vida” I – Circulação da Matéria

Movimento Renovador

“A vida universal outra coisa não é senão uma permuta constante de matéria. Todos os seres se formam das mesmas moléculas, a passarem sucessiva e indiferentemente de uns a outros, de sorte que nenhum ser dispõe de um corpo propriamente seu. Pela respiração e pela alimentação, nós absorvemos, cada dia, uma certa porção de alimentos. Pela digestão, pelas secreções e excreções, perdemos outra determinada porção de alimentos. Assim, renova-se o corpo e, depois de algum tempo, já não possuímos um só grama do corpo material de antes. Sua renovação foi total, completa. Mediante essa permuta é que se entretém a vida. Enquanto o movimento renovador se opera em nós, a mesma coisa se dá com animais e plantas. Os milhões e bilhões de seres viventes na superfície do globo mantêm-se, portanto, em permuta constante de seus organismos. O átomo de oxigênio, que ora estais respirando, foi ontem, possivelmente, expirado por alguma das árvores que orlam o bosque, além. O átomo de hidrogênio que, neste momento, umedece a pupila vigilante do leão do deserto, será o mesmo que, não há muito, molhava os lábios da mais pudica donzela da austera Albion.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo II “A Vida” I – Circulação da Matéria

Lei Geral da Vida

“A característica que mais vivamente impressiona o observador, no conjunto da vida terrestre, é a lei geral que preside à vida do Universo. À primeira vista, afigura-se-nos que todos os seres estão isolados. O abeto que colma os cimos alpestres parece nada ter de comum com a lebre que corre nas planuras. Certo que a rosa dos nossos jardins não conhece o leão dos desertos. Águia e condor dos altiplanos asiáticos jamais provaram o fruto dos nossos pomares. Trigo e vinha, em nada parece ligarem-se à vida dos peixes. E se nos cingirmos a divisões menos marcantes, ninguém suspeitará qualquer relação imediata entre a vida do homem e a do vegetal que matiza os campos e as florestas.
E contudo, a verdadeira realidade é que a vida de todos os seres terrícolas – homens, animais, plantas - é uma e única, sujeita a um mesmo sistema, tendo por ambiente o ar e por base o solo.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo II “A Vida” I – Circulação da Matéria

sábado, 22 de janeiro de 2011

“Não é o corpo que vê, é o Espírito”

“Na Terra, a visão, a audição, o tacto dependem de instrumentos cuja grosseria não nos permite sentir as vibrações, em número infinito, que se estendem além dos limites de nossas fracas percepções; mas essas vibrações existem e, para o ser que as pode captar e lhes compreender a linguagem, devem elas ter uma voz mais penetrante que o majestoso murmúrio do oceano e as queixas misteriosas do vento através das florestas.
O Espírito sente tudo o que percebemos: a luz, o som, os odores, e estas sensações não são menos reais, por nada terem de material; elas possuem, mesmo, algo de mais claro, mais preciso e mais subtil, porque chegam à alma sem intermediário, sem passar, como entre nós, pela série dos sentidos, que as esmaecem.
A faculdade de perceber é inerente ao espírito; é um atributo dos seres; as sensações lhe chegam de toda parte e não de certas partes determinadas. Um deles dizia, falando da vista: “é uma faculdade do Espírito e não do corpo; vedes pelos olhos, mas não é o corpo que vê, é o Espírito”.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – A vida do Espírito

Materialização Perispirítica

“Para que o Espírito se mostre é preciso que ele extraia o fluido vital do organismo do encarnado. Por meio desse agente, ele produz em seu envoltório uma alteração molecular que de translúcido o torna opaco. Encontra-se um efeito análogo, posto que inverso, quando se estudam as propriedades de certas substâncias, como o hidrofânio, rocha silicosa opaca, que se torna transparente quando mergulhada na água. Dá-se o mesmo com uma folha de papel untada dum corpo gorduroso. A opacidade é devida à reflexão da luz sobre as diferentes parcelas do papel; mas a interposição de uma substância que impeça a reflexão permite à luz atravessar o corpo e, por consequência, produz-se a transparência.
Efeito inverso se nota com os Espíritos. Aliás, basta examinar a condensação de um vapor num tubo, para compreender-se como pode o perispírito, sob a influência da vontade e do fluido vital, materializar-se.
O invólucro fluídico que reproduz, geralmente, a aparência física que o Espírito tinha em sua última encarnação, possui todos os órgãos do homem, de sorte que, diminuindo o movimento molecular radiante desse invólucro, ele aparece, a princípio, sob um aspecto vaporoso, como no caso da inspectora de Riga; depois o fluido vital do médium se vai acumulando no corpo fluídico, e lhe comunica, momentaneamente, uma vida fictícia, que é tanto mais intensa quando maior quantidade de fluido despende o médium. É esta a razão pela qual os médiuns de materialização ficam mergulhados em catalepsia.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – Ensaio de teoria

A Vontade, uma força

“Os Espíritos nos ensinaram que a vontade é uma força considerável, por meio da qual eles agem sobre os fluidos; é pois, a vontade que determina as combinações dos fluidos; eles podem, por sua acção, fazer todas as manipulações fluídicas que lhes aprouver, mas para materializar essas criações fluídicas eles têm necessidade de um agente essencial: o fluido vital. Só o encontram, capaz de preencher as condições necessárias para a materialização, no organismo humano, donde a presença indispensável de um médium.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo III, O perispírito durante a desencarnação – Sua composição – Ensaio de teoria

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

As Vidas Sucessivas

“Ao contrário, tudo se explica, se torna claro com a doutrina das vidas sucessivas. A lei de justiça revela-se nas menores particularidades da existência. As desigualdades que nos chocam resultam das diferentes situações ocupadas pelas almas nos seus graus infinitos de evolução. O destino do ser não é mais do que o desenvolvimento, através das idades, da longa série de causas e efeitos gerados por seus actos. Nada se perde; os efeitos do bem e do mal se acumulam e germinam em nós até ao momento favorável de desabrocharem. Às vezes, expandem-se com rapidez; outras, depois de longo lapso de tempo, transmitem-se, repercutem, de uma para outra existência, segundo a sua maturação é activada ou retardada pelas influências ambientes; mas, nenhum desses efeitos pode desaparecer por si mesmo; só a reparação tem esse poder.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Os Sentimentos Inatos

“Por que, também, crianças mortas antes de nascer e as que são condenadas a sofrer desde o berço? Certas existências acabam em poucos anos, em poucos dias; outras duram quase um século! Donde vêm também os jovens-prodígios – músicos, pintores, poetas –, todos aqueles que, desde a meninice, mostram disposições extraordinárias para as artes ou para as ciências, ao passo que tantos outros ficam na mediocridade toda a vida, apesar de um labor insano? E, igualmente, donde vêm os instintos precoces, os sentimentos inatos de dignidade ou baixeza contrastando às vezes tão estranhamente com o meio em que se manifestam?
Se a vida começa somente com o nascimento terrestre, se antes dele nada existe para cada um de nós, debalde se procurarão explicar essas diversidades pungentes, essas tremendas anomalias, e ainda menos poderemos conciliá-las com a existência de um poder sábio, previdente, equitativo. Todas as religiões, todos os sistemas filosóficos contemporâneos vieram esbarrar com esse problema; nenhum o pôde resolver. Considerado sob seu ponto de vista, que é a unidade de existência para cada ser humano, o destino continua incompreensível, ensombra-se o plano do Universo, a evolução pára, torna-se inexplicável o sofrimento. O homem, levado a crer na acção de forças cegas e fatais, na ausência de toda justiça distributiva, resvala insensivelmente para o ateísmo e o pessimismo.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Diversidade das Provas

“Por que para uns a fortuna, a felicidade constante e para outros a miséria, a desgraça inevitável? Para estes a força, a saúde, a beleza; para aqueles a fraqueza, a doença, a fealdade? Por que a inteligência, o gênio, aqui; e acolá a imbecilidade? Como se encontram tantas qualidades morais admiráveis, a par de tantos vícios e defeitos? Por que há raças tão diversas? Umas inferiores a tal ponto que parecem confinar com a animalidade e outras favorecidas com todos os dons que lhes asseguram a supremacia? E as enfermidades inatas, a cegueira, a idiotia, as deformidades, todos os infortúnios que enchem os hospitais, os albergues noturnos, as casas de correcção? A hereditariedade não explica tudo; na maior parte dos casos, estas aflições não podem ser consideradas como o resultado de causas actuais. Sucede o mesmo com os favores da sorte. Muitíssimas vezes, os justos parecem esmagados pelo peso da prova, ao passo que os egoístas e os maus prosperam!”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

O Universo com Justiça

“A reencarnação, afirmada pelas vozes de além-túmulo, é a única forma racional por que se pode admitir a reparação das faltas cometidas e a reparação gradual dos seres. Sem ela não se vê sanção moral satisfatória e completa; não há possibilidade de conceber a existência de um Ser que governe o Universo com justiça.
Se admitirmos que o homem viva actualmente pela primeira e última vez neste mundo, que uma única existência terrestre é o quinhão de cada um de nós, a incoerência e a parcialidade, forçoso seria reconhecê-lo, presidem à repartição dos bens e dos males, das aptidões e das faculdades, das qualidades nativas e dos vícios originais.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

A Perfeição

“A lei dos renascimentos explica e completa o princípio da imortalidade. A evolução do ser indica um plano e um fim. Esse fim, que é a perfeição, não pode realizar-se em uma existência só, por mais longa que seja. Devemos ver na pluralidade das vidas da alma a condição necessária de sua educação e de seus progressos. É à custa dos próprios esforços, de suas lutas, de seus sofrimentos, que ela se redime de seu estado de ignorância e de inferioridade e se eleva, de degrau a degrau, na Terra primeiramente, e, depois, através das inumeráveis estâncias do céu estrelado.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

Renascer

“A alma, depois de residir temporariamente no Espaço, renasce na condição humana, trazendo consigo a herança, boa ou má, do seu passado; renasce criancinha, reaparece na cena terrestre para representar um novo acto do drama da sua vida, resgatar as dívidas que contraiu, conquistar novas capacidades que lhe hão de facilitar a ascensão, acelerar a marcha para a frente.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” Segunda Parte/O Problema do Destino, XIII – As vidas sucessivas. A reencarnação e suas Leis

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Convergências

“Todas as religiões têm os seus reveladores e, apesar de todos terem estado longe de conhecer toda a verdade, tinham a sua razão de ser providencial; porque estavam de acordo com o tempo e com o meio onde viviam, com a sabedoria particular dos povos a quem falavam e aos quais eram relativamente superiores. Apesar dos erros das suas doutrinas, não deixaram por isso de agitar os espíritos e, assim, espalharam os germes do progresso, que mais tarde se iriam desenvolver ou que um dia se irão desenvolver ao sol do Cristianismo. É por tanto injustamente que se lança sobre eles um anátema em nome da ortadoxia, pois virá o dia em que todas estas crenças, tão diversas na forma mas que na realidade assentam sobre um mesmo pricípio fundamental, Deus e a imortalidade da alma, se fundirão numa grande e vasta unidade, assim que a razão tenha vencido os preconceitos.
Infelizmente, as religiões têm sempre sido instrumentos de domínio; o papel de profeta tentou as ambições secundárias e vimos surgir uma multidão de pretensos reveladores ou messias que, a coberto do prestígio deste nome, exploram a credulidade em benefício do seu orgulho, da sua cupidez ou da sua preguiça, achando mais cómodo viver à custa dos que enganavam.

A religião cristã não esteve a coberto destes parasitas. A este respeito, chamamos seriamente a atenção para o Capítulo XXI de O Evangelho Segundo o Espiritismo: «Haverá falsos Cristos e falsos profetas»”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 8.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Revelação da Fé

“No sentido particular da fé religiosa, a revelação aplica-se mais especialmente às coisas espirituais que o homem não pode saber só por si, que não pode descobrir através dos sentidos e cujo conhecimento lhe é dado por Deus ou pelos seus mensageiros, quer através da palavra directa, quer pela inspiração. Neste caso, a revelação é sempre feita a homens privilegiados, designados com o nome de profetas ou messias, isto é, enviados, missionários, que têm como missão transmiti-la aos homens. Considerada sob este ponto de vista, a revelação implica uma passividade absoluta; aceitamo-la sem controlo, sem exame, sem discussão.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 7.

Missionários do Além

“A partir do momento em que admitimos a solicitude de Deus para com as suas criaturas, por que não haveríamos de admitir que os Espíritos são capazes, graças à sua energia e superioridade dos seus conhecimentos, de fazer evoluir a humanidade; que encarnam pela vontade de Deus com o fim de ajudarem à evolução num sentido determinado; que recebem uma missão tal como um embaixador a recebe do seu soberano? É este o papel dos grandes génios. Que vêm eles fazer, se não ensinar aos homens as verdades que estes ignoram e que teriam continuado a ignorar ainda durante longos períodos, fornecendo-lhes um degrau para se poderem elevar mais rapidamente? Estes génios, que surgem no decorrer dos séculos como estrelas brilhantes, deixando atrás de si uma longa cauda luminosa sobre a humanidade, são missionários ou, se quisermos, Messias. As coisas novas que ensinam aos homens, quer no aspecto físico ou filosófico, são revelações.
Se Deus concede reveladores para as verdades científicas, pode, com muito mais razão, concedê-los para as verdades morais, que constituem um dos elementos essenciais do progresso. São assim os filósofos cujas ideias atravessam os séculos.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 6.

O Homem de Génio

“O professor só ensina o que aprendeu; é um revelador de segunda ordem; o homem de génio ensina o que foi ele a descobrir: é o revelador primitivo; traz o saber que, de aproximação em aproximação, se vulgariza. Onde estaria a humanidade sem a revelação dos homens de génio que surgem de tempos a tempos!
Mas o que são os homens de génio? Por que são eles homens geniais? De onde vêm eles? Que se passa com eles? Repare-se que a maior parte deles traz à nascença faculdades transcendentes e conhecimentos inatos, bastando pouco trabalho para que se desenvolvam. Fazem muito verdadeiramente parte da humanidade, uma vez que nascem, vivem e morrem como nós. Onde foram então buscar esses conhecimentos que não podem ter adquirido em vida? Diremos, como os materialistas, que o acaso lhes concedeu matéria cerebral em maior quantidade e de melhor qualidade? Nesse caso, não teriam mais mérito do que um legume maior e mais saboroso que outro.
Diremos, como alguns espiritualistas, que Deus os dotou com uma alma mais favorecida que a do comum dos homens? Suposição igualmente ilógica, pois macularia Deus com a parcialidade. A única solução racional para este problema está na pré-existência da alma no pluralismo das existências. O homem de génio é um Espírito que viveu mais tempo; que, por consequência, obteve mais e progrediu mais que os menos evoluídos. Ao encarnar traz o que sabe e, como sabe muito mais do que  os outros sem ter tido necessidade de aprender, é aquilo que chamamos um homem de génio. Mas o que sabe não deixa de ser fruto de um trabalho anterior e não o resultado de um previlégio. Antes de renascer era portanto um Espírito evoluído; reencarna tanto para que os outros se aproveitem do que sabe, como para adquirir mais conhecimentos.
Os homens progridem incontestavelmente por si mesmos e pelo esforço da sua inteligência; mas, entregues às suas próprias forças, este progresso é muito lento, caso não sejam ajudados por homens mais adiantados, tal como o aluno o é pelos seus professores. Todos os povos têm os seus homens de génio que vieram, em diversas épocas, dar-lhes um impulso e retirá-los da sua inércia.”

KARDEC, ALLAN in “A GÉNESE” Os Milagres e as Profecias Segundo o Espiritismo – Capítulo I “Natureza e Revelação Espírita” 5.

sábado, 15 de janeiro de 2011

As Almas na Natureza

“O mundo só oferece uma atracção medíocre aos espíritos curiosos. É pelos aspectos ou pelas sensações da vida que o ser pensante se liga à Natureza. Se a contemplação dos céus, por noites silenciosas, nos causa uma tristeza indefinível; se o aspecto de vastos desertos calcinados por um sol ardente nos deixa impassíveis; se o estudo das mais extraordinárias combinações químicas, operadas numa retorta, nos impressiona menos intimamente do que a visão de um pássaro em seu ninho, ou ainda a de uma violeta vicejando humildemente ao pé de um tronco, é porque essas manifestações não revelam uma vida imediata. Nossa alma é sobretudo acessível às impressões provindas de seres viventes como nós e, de entre estes, os que mais se aproximam da nossa natureza. O timbre de uma voz amada tem maior ressonância em nosso coração do que o ribombo de um trovão. Um raio do olhar eleito nos penetra mais fundo do que um raio de Sol. Um sorriso adorado tem sempre maior encanto que a mais encantadora das paisagens. No colo, nos braços, nos cabelos da mulher idolatrada, não há diamantes nem safiras, esmeraldas e pérolas, cujo brilho se não degrade ao de simples pedrarias decorativas. É que neste caso, sobretudo, a vida nos aparece sob a sua mais bela e mais esquisita manifestação terrestre, pois que ela – a vida – é bem verdadeiramente a grande atracção da Natureza.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo II “A Vida” I – Circulação da Matéria

O Impulso Universal

“O mundo envolve-se em grande unidade, nenhum elemento está isolado, nem na extensão presente, nem na História.
São irmãos a luz e o calor, quer se nos mostrem juntos, numa união indefectível, quer mutuamente se façam o sacrifício de sua própria existência. A afinidade e o magnetismo casam-se nos mistérios do mundo mineral. A ponta inquieta do imã procura incessantemente o pólo. A planta eleva-se apaixonada para a luz. A Terra volta para o Sol o seu rosto matinal. Estende o crepúsculo o seu manto sobre a noite e os tépidos perfumes dos vales aquecem os pés gelados da noite. Em aproximando-se a aurora, o beijo do orvalho deixa o seu traço na corola entreaberta das flores. Átomos e mundos são levados por um só impulso universal. Na atmosfera mil ondulações se entrecruzam, mil variedades de força se combinam. Noite e dia, tarde e manhã, em todas as estações, o mesmo movimento simultaneamente insensível e grandioso, que a nossa vista não apreende e que, aberrante de qualquer avaliação numérica , se vai exercendo no laboratório do cosmos. Pois o resultado desse movimento é a Vida.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo II “A Vida” I – Circulação da Matéria

O Espectáculo do Mundo

“O poder que rege os astros e desata os esplendores de sua riqueza na imensidão dos céus; a força que regula a construção de minerais e plantas, na Terra; a ordem que espalha a harmonia no mundo, vão apresentar-se-nos agora sob um outro aspecto, dando-nos testemunho não menos irresistível do princípio inteligente que preside os nossos destinos.
Enquanto o olhar penetrante do telescópio vara os espaços infinitos, a visão analítica do microscópio visita os habitáculos minudentes da vida na superfície da Terra.
Aqui, já não é apenas a grandeza e o caráter formidando da energia que nos vão falar, mas, antes, o engenho, a beleza do plano, a delicadeza de sua execução e, sobretudo, a sabedoria sobre-humana que domina a matéria e a molda às leis de uma vontade onipotente.
Quando penetramos com os olhos da Ciência o espectáculo do mundo, toda a Natureza nos aparece à feição de imenso dinamismo, em cujo seio se associam ou se transformam as forças extraordinárias da Física e da Química.
Fenómenos efémeros, que ao vulgo parecem isolados, apresentam-se-nos entramados numa rede única, cujos fios são mantidos por uma força misteriosa.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo II “A Vida” I – Circulação da Matéria

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A Vida Orgânica e A da Alma

“Um dos mais curiosos fenômenos da biologia é o atavismo, isto é, a reprodução em uma raça, de certos caracteres pertencentes aos antepassados, mas desaparecidos em seus descendentes. Darwin cita notáveis casos e confessa não poder explicar essa singularidade. Se estendermos aos animais as mesmas teorias, se os supusermos com um princípio inteligente, também revestidos de um duplo fluídico, que lhes reproduz exactamente a forma do corpo, compreenderemos facilmente que o animal, reencarnado ao fim de certo tempo, pode trazer os caracteres físicos que tivera durante sua passagem anterior na terra; como, porém, seus congêneres progrediram, ele surge como uma anomalia.
Os homens apresentam, no ponto de vista moral e mesmo físico, casos semelhantes. Os Espíritos rotineiros e atrasados, sempre opostos a qualquer idéia de progresso, são almas que não se adiantaram suficientemente e que dão exemplos de atavismo intelectual.
Em suma, diremos, com Allan Kardec, que o indivíduo que se mostra, simultaneamente, em dois lugares diferentes, tem dois corpos; mas, desses dois corpos, um só é permanente, o outro é apenas temporário; pode-se dizer que o primeiro tem a vida orgânica e o segundo a da alma. Ao despertar, os dois corpos se reúnem e a vida da alma reaparece no corpo material.
Não pareceria possível que pudessem dois corpos, em estado de separação, gozar simultaneamente, e no mesmo grau, a vida activa e inteligente. Entretanto, dir-se-ia contradizerem esta lei os exemplos de Antônio de Pádua e de Xavier.
Deve-se, talvez, atribuir essa divergência aos cronistas, que, impressionados por factos tão estranhos, quiseram torná-los ainda mais misteriosos, atribuindo-lhes uma simultaneidade absoluta.
Deduz-se, ainda, desses fenômenos que o corpo real não poderia morrer, enquanto o corpo aparente se mostrasse visível, pois que a aproximação da morte atrairia o Espírito para o corpo, ainda que por um instante. Resulta disso igualmente que o corpo aparente não poderia ser morto, pois que não é formado, assim como o corpo material, de carne e ossos.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo II  “Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel”

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Memória e Individualidade da Alma

“Pela instrução desenvolvemos certos compartimentos do cérebro, nos quais se vêm registar as aquisições intelectuais; ora, essas modificações são reproduzidas pelo perispírito. Segue-se que levamos para a morte nossa bagagem científica e moral, e, quando voltamos a reencarnar, temos em gérmen no cérebro tudo que havíamos fixado anteriormente. Eis por que as crianças, às vezes, nos maravilham com a precocidade de sua inteligência e pela aptidão com que assimilam todas as ciências. Nesse caso, para essa criança, aprender é recordar, como dizia Platão.
Assim como trazemos para a terra as qualidades precedentemente conquistadas, temos também os vícios que não nos deixam e contra os quais precisamos lutar energicamente para deixá-los. É esse conjunto de virtudes e de paixões que constitui a individualidade de cada homem; pela nossa doutrina, compreende-se a diversidade das inteligências desde o berço, ao passo que as demais filosofias emudecem nesse ponto. A alma desde a concepção forma o seu invólucro, não talvez de maneira consciente, mas efectiva, entretanto.
É durante a gestação que o espírito fluidifica a genitora; que, aos poucos, incorpora os elementos que lhe devem formar o corpo humano, e que o cérebro material se modela pelo cérebro do perispírito. Os defeitos físicos de uma encarnação anterior podem, por vezes, influenciar o duplo fluídico de tal forma, que as modificações orgânicas se reproduzem, ainda, na encarnação seguinte. Daí as crianças enfermas, disformes, apesar de boa saúde e excelente constituição dos pais.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo II  “Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel”

O Perispírito, seus atributos

“Não reproduziremos os numerosos exemplos de bicorporeidade que encontramos nos livros especiais, bastando os que temos citado para estabelecer, de maneira peremptória, a existência do perispírito. A fisiologia, como vimos, une-se à observação e à filosofia, para demonstrar a existência, no homem, de um duplo fluídico, que é o molde do corpo, seu tipo, e que, sem variar como a matéria, conserva, seguindo as evoluções do ser, a fisionomia da individualidade.
É no perispírito que se gravam a lembrança, é nele que os conhecimentos se incorporam, e porque é imutável, conservamos, apesar das incessantes transformações de que o corpo é objecto, a recordação do que se passou em tempo longínquo.
É ele que constitui a identidade do ser, é com ele que se vive, que se pensa, que se ama, que se ora. É, enfim, com ele que nos encontramos depois da morte, desprendidos somente da matéria terrena, mas conservando nossos hábitos, nossos gostos, nossa maneira de ver; idênticos, enfim, com excepção do corpo que tínhamos na terra.
Isso prova que o mundo dos Espíritos é tal como o nosso, que contém seres em todos os graus da escala intelectual, desde os selvagens ignorantes até aos homens versados no estudo das ciências. Explicamos, também, pela imortalidade desse invólucro os surtos do progresso. É evidente que quanto mais depurado é o perispírito, tanto mais vivas são as sensações. A alma actua no envoltório fluídico pela vontade, que é uma força muito poderosa, como verificamos com Claude Bernard. O cérebro humano, reprodução material dessa parte do fluido perispiritual, é, de alguma sorte, um instrumento sobre o qual o Espírito actua; quanto mais perfeito é o aparelho, mais belo é o resultado obtido; assim, um artista que possui um bom violino, mais agradáveis melodias fará ouvir.”

DELANNE, GABRIEL in “O Espiritismo Perante a Ciência” 4ª parte, Capítulo II  “Provas da existência do perispírito – Sua utilidade – Seu papel”

sábado, 8 de janeiro de 2011

No Bem, com Ferramentas de Hoje

“ “(...) se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil...”
Kardec, Allan in “Evangelho Segundo o Espiritismo”
Cap XVII, item 3 “O Homem de Bem”

Na caracterização que faz do Homem de Bem, o codificador convoca-nos à acção. Não espera que os seguidores da Doutrina Consoladora apenas examinem os seus actos, no intuito de perceberem se agiram contrariamente às leis de justiça, de amor e caridade, a fim de se regenerarem, mas instaura a proactividade para com o próximo como mote de vida consubstanciado no fazer aos outros tudo o que queríamos que nos fosse feito.
Com a evolução dos computadores, a ciência avança hoje, a uma velocidade estonteante e todos os dias novas descobertas, desde o infinitamente-pequeno genoma humano à grandeza do macro-cosmos, nos remetem à existência harmónica das leis Divinas. Os meios de transporte tornaram-se mais rápidos e a comunicação entre todos começa a dar os primeiros passos rumo à sua utilização global – o conceito de nosso próximo deixou de ser apenas aquele que está ao nosso lado e a nossa influencia estendeu-se a toda a humanidade.
As imensas funcionalidades destes meios ainda embrionários face à complexidade da instrumentação utilizada no plano espiritual, abrem-nos um campo imenso de oportunidades de trabalho em favor do progresso da humanidade, mas ao mesmo tempo podem ser elementos de distracção face às tarefas que cada um se comprometeu a realizar, quando planeava a presente reencarnação.
É uma questão de escolha, puro exercício do livre-arbítrio! Não há mais tempo, se quisermos seguir com o progresso da Terra a Mundo de Regeneração, para dispersarmos as nossas energias físicas e espirituais em triviais utilizações das ferramentas que a Bondade Divina colocou ao nosso alcance para contribuirmos para o melhoramento de todos. Depois da Doutrina Consoladora ter passado pelo período de curiosidade onde os espíritos batedores nos chamaram à atenção para a existência da vida futura, e após o esforço do nobre codificador em impulsionar, estruturar e orientar todas as instruções emanadas do plano espiritual - o período filosófico onde a codificação Espírita se depurou, aprofundou e consolidou enquanto doutrina, constituindo-se enquanto ciência.
Eis que se começa a preparar a época que o próprio Allan Kardec, na revista Espírita de Setembro de 1858, denominou “Período de admissão”, no qual o Espiritismo ocupará um lugar entre as crenças oficialmente reconhecidas e que mais tarde culminará com a sua influencia sobre a ordem social, onde para a felicidade de todos a humanidade entrará “em novo caminho moral”.
A participação de cada um em todo este processo inicia-se com a reforma intima estendendo-se aos outros sob a forma de exemplo.
A utilização de todos os meios hoje ao nosso dispor potencia a nossa acção e transforma-nos, indivíduos e instituições já não confinadas entre quatro paredes, em agentes divulgadores de larga escala. Mas devemos ter presente que só nos elevaremos da condição de espíritos-batedores do sec. XXI; isto é, que apenas teremos um papel verdadeiramente pleno e eficaz na divulgação do Consolador Prometido, na medida em que, mantendo-nos fieis aos postulados da Doutrina Espírita, soubermos contribuir para a sua acção e credibilização junto da sociedade onde nos inserimos.”

Gomes Barros, Marcial in “R e v i s t a de E s p i r i t i s m o” Federacão Espírita Portuguesa “No Bem, com Ferramentas de Hoje”

A Vida dos Planos Superiores

“Tudo é graduado na vida espiritual. A cada grau de evolução do ser para a sabedoria, para a luz, para a santidade, corresponde um estado mais perfeito de seus sentidos receptivos, de seus meios de percepção. O corpo fluídico, cada vez mais diáfano, mais transparente, deixa passagem livre às radiações da alma. Daí uma aptidão maior para apreciar, para compreender os esplendores infinitos; daí uma recordação mais extensa do passado, uma familiarização cada vez maior com os seres e as coisas dos planos superiores, até que a alma, em sua marcha progressiva, tenha atingido as máximas altitudes.
Chegado a essas alturas, o Espírito tem vencido toda paixão, toda tendência para o mal, tem-se libertado para sempre do jugo material e da lei dos renascimentos, é a entrada definitiva nos reinos divinos, donde só voluntariamente descerá ao círculo das gerações para desempenhar missões sublimes.
Nessas eminências, a existência é uma festa perene da inteligência e do coração; é a comunhão íntima no amor com todos aqueles que nos foram caros e connosco percorreram o ciclo das transmigrações e das provas. Ajuntai a isso a visão constante da eterna beleza, uma profunda compreensão dos mistérios e das leis do universo, e tereis uma fraca idéia das alegrias reservadas a todos aqueles que, por seus méritos e esforços, alcançaram os céus superiores.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” XII. – As missões, a vida superior

A Linguagem do Mundo Espiritual

“A linguagem do mundo espiritual é a das imagens e dos símbolos, rápida como o pensamento; é por isso que os nossos guias invisíveis se servem de preferência de representações simbólicas para nos prevenir, no sonho, de um perigo ou de uma desgraça. O éter, fluido brando e luminoso, toma com extrema facilidade as formas que a vontade lhe imprime. Os Espíritos comunicam-se entre si e compreendem-se por processos diante dos quais a arte oratória mais consumada, toda a magia da eloquência humana pareceriam apenas um grosseiro balbuciar. As Inteligências elevadas percebem e realizam sem esforço as mais maravilhosas concepções da arte e do gênio. Mas essas concepções não podem ser transmitidas integralmente aos homens. Mesmo nas manifestações medianímicas mais perfeitas, o Espírito superior tem de se submeter às leis físicas do nosso mundo e só vagos reflexos ou ecos enfraquecidos das esferas celestes, algumas notas perdidas da grande sinfonia eterna, é que ele pode fazer chegar até nós.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” XII. – As missões, a vida superior

A Vida do Espaço

“A diferença profunda que existe entre a vida terrestre e a vida do espaço está no sentido de libertação, de alívio, de liberdade absoluta que desfrutam os Espíritos bons e purificados.
Desde que se rompem os laços materiais, a alma pura desfere o vôo para as altas regiões. Lá, vive uma vida livre, pacífica, intensa, ao pé da qual o passado terrestre lhe parece um sonho doloroso.
Na efusão das ternuras recíprocas, numa vida livre de males e necessidades físicas, a alma sente multiplicarem-se as suas faculdades, adquirirem uma penetração e uma extensão das quais os fenômenos de êxtase nos fazem entrever os velados esplendores.”

DENIS, LÉON in “O Problema do ser, do destino e da dor” XII. – As missões, a vida superior

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O AMOR N A A R T E

"O espírito deve conquistar duas asas no caminho da sabedoria: o conhecimento (a ciência) e o amor (a moral). A arte, como busca de sentidos pela sensibilidade e experiência da razão, reflexão e interrogação, é também uma forma de conhecimento, de construção do saber, de afirmação da consciência e do ser. É fruto do seu tempo, da cultura onde floresce, à qual vai buscar as energias, as ideias e o vocabulário para comunicar, ser legível, compreensível. Mas a arte também é, de algum modo, premonição do futuro, deixando espaços abertos a múltiplas leituras, uma vez que nem tudo é explicável, acessível, objectivo, racional.
Como ciência, procura a ordem, a lei, a razão de ser, mesmo quando trabalha nos limites do caos, da desordem, da desconstrução. Torna-se, à sua maneira, revelação, levantando o véu daquilo que permanecia oculto, ou pelo menos inacessível, invisível, aos olhos da maioria.
Se ela não existisse como resultado da acção humana, provavelmente o homem não seria Homem. Encontramo-la, ao longo de toda a história da humanidade, evoluindo. Nos seus níveis mais baixos, ela é filha das paixões, dos instintos, dos desejos, dos impulsos. É uma arte primitiva que busca expressar-se com o seu pouco vocabulário e conhecimento. Em um nível superior, ela expressa os anseios humanos de perfeição, quando estão vencidas as lutas com a natureza e o meio, garantindo a sobrevivência física, e o espírito se lança por caminhos novos. A harmonia, a beleza, o equilíbrio, são formas de aproximação à justiça, à paz, à serenidade, qualidades que se associam ao ideal do amor. O amor no seu sentido pleno e não físico.
A grande arte, aquela que sobrevive ao tempo e ao crivo do processo histórico, está inegavelmente saturada de um amor incomum pela humanidade. É a exaltação da esperança, da alegria, da felicidade. Fala a linguagem universal da fraternidade que a todos nos comove, dirige-se a todos os homens de todos os tempos e transcende a dimensão da matéria para se projectar no infinito. Não deixa indiferentes as cordas vibráteis da sensibilidade e da razão. É como que um impulso interior, uma comoção, que convida o espírito a voos mais altos, a libertar-se das cadeias a que ainda se prende para que se realize em plenitude; como tal é optimista, alegre, reconfortante, boa, vivificante, inspiradora. Aproxima os homens dos anjos, abrindo-lhes as portas para um mundo mais belo, justo, perfeito, um mundo que é possível, que está próximo, que resulta das escolhas do homem, do seu poder criador, da sua vontade consciente.
A grande arte não pode deixar de ser espiritual. Os grandes artistas são os médiuns da sensibilidade através dos quais uma pálida imagem dos mundos perfeitos, apenas intuídos, se revela à humanidade.
Podemos colocar a obra musical de Beethoven, Mozart ou Bach, por analogia, sem deméritos por tantas outras obras geniais de vários géneros que são grandioso património da humanidade, neste conceito de obra de arte que nos aproxima do divino e nos fala, ao mais profundo do nosso ser, na linguagem universal do amor.
A arte dos planos superiores da vida, dizem-nos os Espíritos, não é comparável com nada que exista na Terra. Mas estamos a desenvolver sentidos para senti-la cada vez mais perto."

sábado, 1 de janeiro de 2011















“O diálgo com os mortos não deve ser interrompido, pois, na realidade, a vida não está limitada pelos horizontes do mundo”

João Paulo II

* Pregação de João Paulo II na Basílica de São Pedro, em Novembro de 1983. Conforme publicação da revista VEJA de 6 de Abril de 2005 e o artigo “A MEDIUNIDADE RECONHECIDA PELOS PAPAS” da Revista Espiritismo & Ciência
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