Da arte com que trabalharmos o nosso pensamento dependem as nossas misérias ou as nossas glórias...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Será um acto de fraqueza sermos lógicos com a nossa Consciência?

“A organização maravilhosa do mundo não vos obriga a confessar a existência do Ser supremo? Por nossa parte, muita vez temos perguntado, como se pode recusar tão obstinadamente essa existência? Quais as vantagens do ateísmo? Em que pode ele preterir o teísmo? Que pode a Humanidade lucrar com o renegar, doravante, a crença em Deus? Qual é o melhor homem: o que crê, ou o que não crê? Será, então, um acto de fraqueza o sermos lógicos com a nossa consciência?”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (6 de 7)

A Natureza subordinada a um plano racional


“No mínimo, há no Universo a razão espiritual dos que se elevaram à descoberta das leis que o regem e estas, por sua vez, existem, realmente. Se assim não fora, todo o edifício da razão humana ruiria pela base. Os processos de indução, que nos levam da análise à síntese, devem ter, com efeito, objectivos reais de aplicação, sem o que só podemos raciocinar no vácuo. Generalizar uma lei parcialmente observada, acreditar simplesmente que o Sol se levantará amanhã porque se levantou ontem; ou que o trigo semeado neste outono germinará antes do inverno e será colhido no próximo verão; traduzir os factos naturais em fórmulas matemáticas, é supor que a Natureza subordina-se a uma ordem racional e que o relógio marcará a hora acorde com a construção do relojoeiro.
O próprio processo de indução científica é um silogismo transportado dos domínios humanos aos da Natureza, reduz-se a este tipo fundamental; o mundo é regido por uma ordem racional; ora, a sucessão ou generalização de uns tantos factos observados torna a entrar na ordem racional e, portanto, essa sucessão ou generalização existe.
Se o homem às vezes se engana nas aplicações desse processo, é que ele não se limita às aplicações imediatas, ou não tem uma base suficiente de observações directas. Todas as ciências e sínteses indutivas do homem repousam na convicção de que a Natureza está subordinada a um plano racional.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (5 de 7)

Pois quê!

“Pois quê! Será possível que o vosso critério filosófico possa tomar a sério a hipótese ridiculamente metafísica da pré-existência de uma ordem universal, sem que houvesse um pensamento para concebê-la, uma inteligência para compreendê-la, um olhar para contemplá-la e uma alma para amá-la? Pois quê! Será essa Natureza, assim cega, inconsciente, escravizada, sem olhos de ver nem coração de amar, que vai, num silêncio eterno, tecendo a malha divina de tudo o que existe? Temo-la então, a cega Natureza originando sem o querer, nem saber, uma harmonia, até que finalmente, da base ao cimo do cosmos, como filho da cega fatalidade, surja o homem para ouvir a harmonia que não fez, e tomar conhecimento dessa ordem que não procede dele, porque lhe precede!”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (4 de 7)

Da origem do pensamento

“Depois de haver visualizado a ordem universal, chegamos a confessar, levados por uma evidência irresistível, que, para uma criatura racional, é o cúmulo do contra-senso supor que exista a razão. Parece-nos absurdo integral a crença de que o espírito pudesse surgir no cérebro humano e manifestar-se nas leis do Universo, se não existisse de toda a eternidade. Nem sempre há que desdenhar os teólogos e neste lanço o pregador da Notre-Dame de Paris parece-nos aplicar o seu talento na defesa da verdade. A força cega, diz o Padre Félix, produzindo a harmonia cósmica e levando-a aos últimos desdobros, até o aparecimento do ser pensante... Mas, santo Deus! – que vamos fazer da nossa razão se doravante nos forçam a admitir uma tal reviravolta de idéias e perversão de linguagem? Como admitir uma força ininteligente dando o que não tem, nem pode ter, isto é – inteligência? Como poderiam tais forças, ininteligentes e cegas, arrastando-se umas por outras, entrosando-se num mecanismo incompreensível, chegar a produzir, ao termo de elaborações espontâneas, o pensamento, tal como a flor que desabrocha e se balança na ponta do hastil?”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (3 de 7)

Deus ou a matéria

“Todas as propriedades instintivas ou intelectuais que os nossos adversários não podem deixar de atribuir à matéria para explicar a acção desta, sua tendência progressiva, seu método selectivo, desde a formação do vegetal humilde à formação de um cérebro humano, são atributos que eles extraem do ignoto que nós denominamos Deus e que eles homenageiam chamando-lhe matéria. Mas, em abstraírem do mundo a idéia de ordem, verdade, beleza, perfeição, harmonia espiritual e corporal, eles arrebatam ao mundo a sua alma e a sua vida. Nós, porém, não vemos a vantagem de substituir um ser vivo por um cadáver. Seu Universo assemelha-se aos enforcados, com os quais fizemos experiências eléctricas, há algum tempo. Eles como que ressuscitavam, aparentemente, graças à aplicação da electricidade ao sistema nervoso, que lhes movimentava todo o corpo.
Gesticulavam, agitavam braços e pernas, como quem acordasse; abriam os olhos e a boca num perfeito simulacro de vida... Ora, fazendo circular no organismo universal as forças pelas quais substituem a genuína vida, os ateus hodiernos oferecem-nos um simulacro, no qual estão obrigados a simular a vida que abstraem. Sob este aspecto, é uma questão de palavras. Para nós, um cadáver é sempre cadáver, mesmo que esteja electrizado. Emprestando à matéria atributos só cabíveis à força suprema, eles reduzem o Universo a um estado lastimoso. Se Deus deixasse de existir um momento, toda a vida universal ficaria suspensa. Seria curioso ver como esses bravos materialistas ressuscitariam e fariam circular uma vida factícia no corpo colossal de que somos, eles e nós, ínfimos parasitas.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (2 de 7)

Do Ateísmo

“De resto, a que se reduz a negação materialista? Buscando o âmago das coisas, percebemos logo que essas negações não podem ser tão absolutamente negativas quanto o pretendem. O insensato não o será jamais impunemente e não é tão fácil, quanto possa parecer, uma convicção profunda no ateísmo. Na maioria dos casos, o que ocorre é o deslocamento da questão e nada mais. Em vez de chamar Deus à direcção das forças que regem o mundo, os convencidos de ateísmo deixam de o nomear e, em vez de atribuir a um ser inteligente a inteligência dessas forças, outorgam-na à própria matéria. Removem, assim, mas não resolvem, o problema, pois os factos continuam irrevogáveis. Negam a Deus, mas não podem negar a força. Apenas, em lugar de proclamarem a soberania dessa força, consideram-na escrava da matéria inerte. Nisto reside todo o nó da questão, nó que ainda não foi desatado pelos materialistas nem pelos espiritualistas, visto que a observação directa da retina humana não vai até lá. A diferença principal que os divide no discrime está em que os primeiros não explicam a criação, nem o plano, nem a conservação da Natureza, enquanto que os segundos o fazem plausivelmente. Consideradas como duas hipóteses, as duas doutrinas contrárias não se equivalem e todo o homem sincero há de inclinar-se sempre para a que admite um Criador. Porque esta é, não só mais completa, como mais franca.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V – DEUS, (1 de 7)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Ratos que Roem

“Não sabíamos que existiam ratos espirituais capazes de roerem uma obra superior! Mas Chico afirmava-o, e a sua palavra era para nós como bálsamo em pedra de fogo.
Mais tarde, aprendemos que o mundo espiritual não só contem espíritos bons mas também tem verdadeiros monstros.
Lembrámo-nos da vara de porcos que recebeu a legião de espíritos inferiores, sob a ordem de Jesus. E lembrámo-nos ainda que, nesse mesmo dia, quando falávamos com Chico a respeito da publicação de um pequeno jornal da Doutrina, expondo-lhe como desejávamos que fosse o novo órgão de imprensa, ele nos disse baixinho:
- Ranieri, por enquanto vamos guardar em segredo esse anseio e tentar realizá-lo sem alarde, porque senão os espíritos inferiores procurarão destruir o nosso ideal…
Todos os iniciados, de Krishna a Zoroastro, afirmaram que existe uma luta entre o bem e o mal no mundo eterno do espírito.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (4 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER
(imagem: Salvador Dali, 1970_07)

A Revelação de Chico

“Na intimidade da biblioteca da nossa casa em Belo Horizonte, conversávamos com Chico. Olhávamos os livros, víamos alguns, e tínhamos pedido a Chico que autografasse a nossa colecção de André Luíz e ele tinha-nos respondido que o faria, mas em livros que nos ofereceria. Alegávamos que não era necessário, que autografasse aqueles mesmos… quando, de repente, Chico nos fez esta revelação:
- Ranieri, sabe que eu recebi um livro de André Luíz e deixei os originais na prateleira, numa caixa, e quando fui procurá-los estavam feitos em pó? Alguns ratos espirituais roeram-no!
Naquela época ainda não sabíamos o que sabemos hoje, nem tínhamos visto o que já vimos pela vidência e pela clarividência, de modo que a revelação surpreendeu-nos até ao íntimo da própria alma.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (3 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER

Na “Divina Comédia”

“Dante mergulhou nos abismos infernais e assombrou o mundo com as descrições das regiões inferiores. Na “Divina Comédia” há passagens difíceis de serem aceites pelos homens menos espiritualizados, se não tivessem sido recebidas como foram, isto é, apenas como obra de arte, o produto da inteligência de um grande poeta, a fantasia de um cérebro privilegiado. Como verdade, pouca gente a aceitaria. Mas dizem que quando Dante passava nas ruas de Ravena, as mulheres e os homens olhavam-no com pavor e respeito, porque sabiam que ele estivera no Inferno.
Na “Divina Comédia”, encontramos as almas com formas animalescas, com a forma de árvores presas ao solo infernal ou então deformadas pelo mal que praticaram.
Dante tem sido amado e respeitado em todo o mundo; escolas de assuntos dantescos interpretam e estudam a sua obra, e a Igreja Católica usou o seu Inferno como modelo durante muitos séculos, mas hoje os homens nem sequer pensam que tudo aquilo seja verdade.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (2 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER

Os iniciados tem conhecimentos que não revelam

“O mundo espiritual ainda é um mundo desconhecido, inexplorado, uma verdadeira selva ou país onde reinam tanto as forças do bem como as do mal. Pouco sabemos dele, mas que nele existem forças poderosas, existem.
E há certas coisas que não se podem contar. Causam espécie ou fazem abrir os olhos de incredulidade. Por outro lado, não se deve ocultar tudo.
Os iniciados sabem e os estudiosos, por sua vez, também sabem, que os iniciados têm conhecimentos que não revelam. O silêncio à volta de certos factos é fundamental para os iniciados.
Nem tudo pode chegar a ser conhecido pelo grande público. Jesus recomendava: “Quem tem ouvidos de ouvir que ouça”. Com isto queria dizer que aqueles que já possuíam capacidade mental para compreender, que compreendessem. Os outros, que aguardassem pelo tempo e pela marcha individual da evolução.”

CHICO XAVIER, PÁGINAS DE UMA VIDA in “Ratos que Roem” (1 de 4), 2ª PARTE – CONVERSAS MANTIDAS POR R. A. RANIERI COM CHICO XAVIER