O espaço e o tempo ~
| Galileu, Espírito
(Études Uranographiques) (XIII)
~ Diversidade de mundos ~ 🌈
Seguiste-nos nas nossas excursões celestes e
visitastes connosco as regiões imensas do espaço. Sob o nosso olhar, os sóis
sucederam a sóis, sistemas aos sistemas, nebulosas às nebulosas; o
panorama esplêndido da harmonia do Cosmos desenvolveu-se à nossa frente e nós
recebemos um antegosto (i) da ideia de
infinito que só podemos compreender em toda a sua extensão consoante a nossa
perfeição futura. Os mistérios do éter desvendaram o seu enigma,
até aqui indecifrável, e nós concebemos, pelo menos, a ideia da
universalidade (i) das
coisas. Importa agora parar e reflectir.
É belo, sem dúvida, ter reconhecido a
dimensão ínfima da
Terra e a sua importância medíocre na
hierarquia dos mundos; belo ter diminuído a arrogância humana
que nos é tão cara e termo-nos humilhado perante a grandeza absoluta; mas será
mais belo ainda interpretar no sentido moral o espectáculo de que fomos
testemunhas. Quero dizer no poder infinito da natureza e na ideia que deveremos
fazer do seu modo de acção nas diversas partes do vasto Universo.
Habituados como estamos a avaliar as
coisas pela nossa pobre pequena residência, imaginamos que a natureza não
conseguiu, ou não pode agir sobre os outros mundos, a não ser segundo as regras que conhecemos
aqui em baixo. Ora é precisamente aí que é importante refazermos a nossa
avaliação.
Lançai por um instante o olhar para uma
região qualquer do vosso globo e sobre uma criação da vossa natureza; não
reconheceis o cunho de uma variedade infinita e a prova de uma actividade
inigualável? Não vedes nas asas de um passarinho das Canárias, nas pétalas de
um botão de rosa entreaberto, a prestigiosa fecundação dessa bela natureza?
Quer os vossos estudos se apliquem aos
seres que planam nos ares, quer desçam até à violeta dos bosques, quer
mergulhem nas profundezas do oceano; em tudo e em todo o lado lereis esta
verdade universal: a natureza todo-poderosa age consoante os lugares,
os tempos e as circunstâncias; é una na sua harmonia geral, mas, múltipla nas
suas produções; representa-se tanto num sol, como numa gota de água; povoa
de seres vivos um mundo imenso com a mesma facilidade com que faz abrir o ovo depositado
pela borboleta do Outono.
Ora, se é esta a verdade que a natureza nos conseguiu
descrever em todos os lugares deste pequeno mundo tão estreito, tão
limitado, até que ponto devereis desenvolver esta forma de acção,
pensando nas perspectivas dos vastos mundos? Quanto mais a deveis
desenvolver e dela reconhecer a poderosa dimensão, aplicando-a a estes mundos
maravilhosos que, muito mais do que a Terra, atestam a sua (não
conhecível) perfeição!
Não vejais então à volta de cada sol do
espaço sistemas semelhantes ao vosso sistema planetário; não vejais de modo
nenhum nesses planetas desconhecidos os três reinos da
natureza que brilham à vossa volta; mas pensai que, tal como o rosto de um
homem não se parece com outro rosto do género humano inteiro, também uma
diversidade prodigiosa, inimaginável, foi espalhada pelos domicílios etéreos
que vogam no interior dos espaços.
Por a vossa natureza animada começar no zoófito para
terminar no homem, por a atmosfera alimentar a vida terrestre, por o elemento
liquido a renovar sem descanso, por as vossas estações fazerem suceder nesta
vida os fenómenos que a partilham, não concluais que os milhões de
terras que vogam no espaço são semelhantes a esta; longe disso, diferem
consoante as condições diversas que lhes foram reservadas e consoante o
respectivo papel na cena do mundo; são as pedrarias variadas de um
imenso mosaico, as flores diversificadas de um admirável canteiro.
/…
(*) Este capítulo foi textualmente extraído de
uma série de comunicações ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e
1863, sob o título de Études Uranographiques e assinado, Galileu; médium M. C.
F. (N. do A.)
ALLAN KARDEC, A GÉNESE – Os Milagres e as Profecias Segundo o
Espiritismo, Capítulo VI, Uranografia Geral, O espaço e o tempo –
Diversidade de mundos (de 58 a 61), 35º fragmento desta obra.
Tradução portuguesa de Maria Manuel Tinoco, Editores Livros de Vida.
(imagem de contextualização: Diógenes e
os pássaros de pedra, pintura em acrílico de Costa Brites).
