Da arte com que trabalharmos o nosso pensamento dependem as nossas misérias ou as nossas glórias...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Deus e as escolas filosóficas

“É já de si, como vemos, uma teoria alambicada. A que goza agora de maior conceito, para uma certa categoria de espíritos convencidos de sua superioridade, é, porém, a que reverencia com a maior polidez o Deus vulgar, pessoal e humano, que venera os grandes princípios da Moral, da Filosofia e da Estética, declarando, todavia, que Deus, tal como o Bem, o Belo, a Verdade, ainda não existem, mas “estão à bica”. Kant, na Crítica da Razão Pura, demonstrou que o homem está invencivelmente disposto a supor reais os objectos de sua crença, sendo estes embora puramente subjectivos. Hegel retomou a grande máxima do velho Protágoras, que diz ser o homem a medida de todas as coisas, e ensinou que o indivíduo tende a erigir-se em princípio absoluto, reportando tudo a si, mostrando aos clarividentes Germanos, de olhar prevenido nesse sentido, a idéia a desenvolver-se no Universo. A escola a que nos referimos, actualmente representada por Vacherot, Renan, Taine, Scherer e talvez Saint-Beuve, ensina o desenvolvimento da idéia na Natureza, o futuro universal. O Universo caminha para a perfeição, à revelia de qualquer direcção inteligente. Deus é um filósofo sem sabedoria, inferior mesmo ao herói de Sedan, visto que não se conhece a si mesmo e não tem existência pessoal. É simplesmente Divino; portanto, uma qualidade e não um ser. Nem há uma verdade absoluta, mas nuances e metamorfoses. O pensador que contempla esse vago progresso é o mais ditoso e o mais santo dos homens. O Sr. Caro definiu bem esta religião, dizendo-a a alucinação do Divino ou o quietismo científico. A Ciência, porém, não admite semelhante quietismo, nem uma tal alucinação. É uma hipótese que se desvanece diante da crítica severa. Já evidenciamos: a tendência geral e progressiva do átomo para a mónada animada e desta para o homem, não se pode explicar sem a existência de um pensamento director e, em todos os casos, bem mais difícil de aceitar que o do próprio Deus.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS, (5/5)

Procurando Deus

“Se, ao invés de tomar por objecto de estudo Deus na Natureza, preferíssemos aqui apresentar Deus segundo os homens, competiria discutir, agora, a idéia que os filósofos contemporâneos formularam, a respeito do Ente supremo. E seria, na verdade, um exame digno do maior interesse. Mas os limites sempre crescentes desta obra nos forçam a restringir a argumentação ao seu objectivo precípuo. Nosso dever, portanto, é aqui juntar simplesmente o esboço das figuras em que se fixaram os nossos pensadores, para representar a personificação divina.
A opinião que proclama a identidade substancial de Deus com o mundo, e que recentemente tem tido uma revivescência favorável, não passa de panteísmo absoluto, na sua forma simples e íntegra. Quaisquer que sejam as palavras com que o expressem, um espírito judicioso jamais se iludiria. Se Deus e o mundo não são mais que um mesmo e único ser, Deus não existe.
Outra concepção baseada na precedente, porém, elevada a um grau de extrema subtileza, é a do Deus-ideal, a afirmar que Deus e o mundo são substancial, mas não logicamente idênticos. Deus seria, assim, a idéia do mundo, para que o mundo fosse a reali-dade de Deus. “Esse Deus que um filósofo nos inculca relegado em seu trono, em plenitude de eternidade silenciosa e vazia, não tem outra realidade que não a idéia, nem trono outro além do Espírito.” Deus, aí, separa-se do mundo, mediante uma operação intelectual do homem.
É um ideal criado pela lógica. Pensando em Deus, criamo-lo. Não existisse o homem e Deus tampouco existiria.
Assim, com esta hipótese, o Deus real, idêntico ao mundo, não é Deus e o Deus ideal, distinto do mundo, em realidade não existe.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS, (4/5)

Um ateísmo ontológico

“A doutrina aqui professada pode considerar-se um ateísmo ontológico, o esforço do homem para conhecer o Ente absoluto. É uma forma necessária, imposta pelo teísmo racional. O argumento extraído da Teologia prova um Deus universal, autor de todas as coisas, e o argumento da Ontologia prova a infinidade de Deus. Não podemos admitir um sem outro, quaisquer que sejam as dificuldades para conciliar as respectivas conclusões. Essas dificuldades decorrem da grandeza do assunto e, ainda que não podendo ir além do alcance da nossa vista, não é razão para fechar os olhos ao que se torna evidente. Trocando o vocábulo panteísmo por teísmo, confessamos, com um pastor anglicano , que o “teísmo” é, por toda parte, reconhecido como teologia da razão, razão que poderá ser impotente, mas, em definitiva, é a única que possuímos.
O teísmo é a filosofia da religião, de todas as religiões, é o alvo da verdade. Preciso se nos faz pensar, ou deixar de pensar e raciocinar acerca de todos os problemas da criação. Podem as criaturas deter-se no símbolo; Igrejas e seitas podem lutar e tolher a meio caminho as consciências, apelando para Escrituras ou tentando fixar limites ao pensamento religioso, mas Deus, esse, não os tem fixado.
A razão humana, todavia, incoercível e inevitável no seu progredir, como no seu divino amor à liberdade, quebra todas as cadeias e vence todos os entraves.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS, (3/5)

Mistério impenetrável

“Não é preciso mergulhar no labirinto do desconhecido para chegarmos à certeza da existência de Deus. Em o fazer, talvez houvesse mesmo algum perigo, se se obstinassem a viver nas sombras de um mistério impenetrável. Certo, é já dificílimo inferir do Ser supremo a noção científica que aqui deixamos entrever. Os próprios espíritos mais ponderados experimentam áridos obstáculos para assim penetrar no desconhecido pelo conhecido, no invisível pelo visível, na lei pensada pela lei manifestada, na força original pela força sensível. E nós estamos tão intimamente convencidos do trabalho necessário ao intelecto humano para chegar à noção filosófica do Deus da Natureza, que nos abstivemos de profundar mais a sua concepção, temendo que uma forçada contensão de espírito pudesse empanar a própria idéia. Concepção só acessível, portanto, às almas que compreendem a importância e o interesse desses problemas, sonhando, nas horas de solitude, com a revolução de Deus pela ciência da Natureza e descendo ou elevando-se (em Astronomia é a mesma coisa) através do velário das aparências corpóreas, até à causa virtual que tudo movimenta em plano de ordem e harmonia, tudo dispondo consoante seu peso e medida.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS, (2/5)

Deus, incognoscível e incompreensível

“A ordem universal reinante na Natureza, a inteligência revelada na construção dos seres, a sabedoria espalhada em todo o conjunto, qual uma aurora luminosa e, sobretudo, a universidade do plano geral regida pela harmoniosa lei da perfectibilidade constante, apresenta-nos, já agora, a omnipotência divina como sustentáculo invisível da Natureza, lei organizadora, força essencial, da qual derivam todas as forças físicas, como outras tantas manifestações particulares suas.
Podemos, assim, encarar Deus como um pensamento imanente, residente inatacável na essência mesma das coisas, sustentando e organizando, ele mesmo, as mais humildes criaturas, tanto quanto os mais vastos sistemas solares, de vez que as leis da Natureza não mais seriam concebíveis fora desse pensamento; antes, são dele eterna expressão.
Esta convicção, adquirimo-la no exame e análise dos fenómenos da Natureza. Para nós, Deus não está fora do mundo, nem a sua personalidade se confunde na ordem física das coisas. Ele é o pensamento incognoscível, do qual as leis directivas do mundo representam uma forma de actividade.
Tentar a definição desse pensamento e explicar o seu processo operatório, pretender discutir seus atributos ou procurar os seus caracteres, resolver o abismo infinito na esperança de poder satisfazer nossa avidez de conhecimento, seria, ao nosso ver, empresa não apenas insensata, mas até ridícula. Um tal ensaio demonstraria que o seu autor não compreendera a distinção essencial que separa o infinito do finito. Entre estes dois termos há uma distância que ponte alguma poderia cobrir. Deus é, por sua natureza mesma, incognoscível e incompreensível para nós.”

FLAMMARION, CAMILLE in “Deus na Natureza” Tomo V - DEUS, (1/5)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Legendas do tribuno espírita

“…Porque pelas tuas palavras serás justificado…” – Jesus
(Mateus, 12:37.)

- Cultuar a beleza verbalista nas alocuções ou explicações que profira, alicerçando, porém, a palavra nas lições de Jesus.
- Confiar na segurança própria, mas atrair a inspiração de ordem superior, através da prece.
- Actualizar-se constantemente, examinando, todavia, as novidades antes de veiculá-las.
- Reverenciar a verdade; contudo, buscar o “lado bom” das situações e das pessoas, para o destaque preciso.
- Formar observações próprias, conduzindo, porém, as opiniões para o bem de todos.
- Aprender com as experiências passadas, estimulando, simultaneamente, as iniciativas edificantes na direcção do futuro.
- Enaltecer ideias e emoções, sem desprezar a linguagem compreensível e simples.
- Instruir o cérebro dos ouvintes, acordando neles, ao mesmo tempo, o desejo de cooperar no levantamento do bem.
- Falar construtivamente, mas ouvir os outros, a fim de lhes entender os problemas.
- Enriquecer a cultura dos companheiros de Humanidade, manejando a palavra digna; entretanto, estudar, quanto possível, de modo a ser sempre mais útil no aprimoramento geral.

EMMANUEL, Espírito in “Ceifa de Luz” – Legendas do tribuno espírita, psicografia de FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

terça-feira, 12 de abril de 2011

O Amor na Reencarnação

“O inconsciente receberá as novas informações, que serão arquivadas, e ressumarão, posteriormente, de forma agradável e cordial, estruturando a personalidade infanto-juvenil e proporcionando-lhe mais amplas aquisições que logrará com o tempo, conduzindo por aqueles a cujo lado recomeça a caminhada redentora.
Mesmo na adolescência, quando não se soube agir antes, deve-se tentar recuperar o filho, reconquistá-lo, conversando com ele, em estado de sono, perseverando-se em um relacionamento tranquilo e gentil, também durante a fase em que esteja desperto, agindo com amor ao invés de reagindo com ira ou zombaria, quando o mesmo apresente seus conflitos, suas dificuldades…
Não será o acto de falar, pura e simplesmente, mas a empatia, o contributo da emoção afectuosa com os quais a palavra se carregue, para alcançar a finalidade a que se destina.
Por fim, é conforme enunciou Jesus: “Tudo é possível àquele que crê”, para que os resultados felizes coroem a empresa do amor.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO “REMINISCÊNCIAS E CONFLITOS PSICOLÓGICOS” (6/6)

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Do relacionamento afectivo com o Reencarnante

“Desde que ainda não esteja concluída a reencarnação, o Espírito ouvirá e entenderá as sugestões positivas que lhe são apresentadas, o amor que lhe é oferecido, toda a gama de afeição que lhe é destinada.
Quantas vezes um conflito sexual não se originará, na criança, em face da decepção da mãezinha que esperava um varão e recebeu uma menina, ou vice-versa, e, vítima de imaturidade, declara o desagrado, explodindo em pranto injustificado, assim chocando o recém-nascido, que lhe recebe o rechaço, vindo a exteriorizá-lo, mais tarde, em forma de conflito!?
Sempre é tempo de reconsiderar-se a atitude, reconciliando-se com o ser menosprezado, graças ao grau de amor e à força do bem que se coloque no relacionamento afectivo lúcido, quando o mesmo estiver dormindo, portanto, em situação receptiva.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO “REMINISCÊNCIAS E CONFLITOS PSICOLÓGICOS” (5/6)

Do afecto dos pais ao Reencarnante

“Não nos referimos aqui ao capítulo adicional das obsessões, que exercem forte interferência no quadro complexo da reencarnação, respondendo por graves injunções, no comportamento infantil.
Detemo-nos, apenas, nas reminiscências, ora do domínio do inconsciente actual, que irrigam a consciência com temores e conflitos, produzindo estados de desequilíbrio, que poderiam ser evitados.
Enurese nocturna, irritabilidade, pavores de toda espécie, timidez, ansiedade encontram nas ocorrências da vida fetal, em relação à mãe e aos demais familiares, muitas das suas causas.
Não obstante, é possível minimizar-lhes as consequências, através de uma atitude firme e afectuosa dos pais, particularmente da mãe, utilizando-se do sono do filhinho para infundir-lhe coragem e anular-lhe as impressões negativas, envolvendo-o em amor e conversando com ele, com sincero carinho, transmitindo-lhe a confiança de que romperá a barreira invisível das dificuldades, enfim, alcançando-lhe o íntimo.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO “REMINISCÊNCIAS E CONFLITOS PSICOLÓGICOS” (4/6)

O ambiente familiar na Reencarnação

“O Espírito é o herdeiro das próprias conquistas passadas, graças às quais se expressa no campo da actividade nova.
No entanto, os comportamentos familiares influem sobre a conduta do reencarnante, que se impregna – especialmente quando se trata de Espírito imperfeito – dos conflitos e das vibrações perniciosas que lhe irão influenciar profundamente o procedimento.
Reacções de vária ordem se manifestarão na criança, como resultantes da insegurança que experimenta no berço novo, desdobrando-se em rebeldia e insatisfação, nervosismo e incapacidade intelectual, durante a infância e a adolescência, com agravantes para o futuro, caso o amor dos pais não interrompa a caudal das reminiscências infelizes.
O auxílio do psicólogo, a terapia cuidadosa ajudam no mecanismo de reajustamento da criança, todavia, aos pais cumpre a tarefa maior, assistindo e amparando o filhinho temeroso e desconfiado, necessitado de segurança e tranquilidade.”

MANOEL PHILOMENO DE MIRANDA, ESPÍRITO in “Temas da Vida e da Morte” psicografia de DIVALDO PEREIRA FRANCO “REMINISCÊNCIAS E CONFLITOS PSICOLÓGICOS” (3/6)