Capítulo III
A Natureza, nos seus diversos aspectos, nos oferece um
eterno encanto. Nossa vista, órgão ao mesmo tempo delicado e grosseiro, não
percebe as formas de conjunto. Mas se, munidos de um microscópio, estudarmos a
estrutura íntima dos corpos, o que acontecerá? Seremos obrigados a reconhecer
que esses corpos são todos compostos de uma quantidade quase incalculável de
partículas de uma subtileza prodigiosa, animadas de movimento constante e que
se entrechocam, continuamente, num vertiginoso turbilhão. (I)
Por exemplo, quando a Ciência descobrir a causa da
desintegração molecular das partículas do rádio, os cientistas conhecerão as
forças profundas da natureza universal, forças misteriosas que, do centro da
Terra até à mais distante estrela, interligam todos os mundos numa formidável
unidade.
As desintegrações de átomos geram enormes quantidades de
energia, maiores do que todas as reacções químicas. Por exemplo, a
desintegração de um átomo de urânio libera 400.000 vezes mais energia do que a
combustão de um átomo de carbono, segundo os químicos. Os raios catódicos,
dizem eles, são produzidos por uma espécie de “bombardeio” contínuo de
partículas infinitesimais a que chamamos electrões. Ao se fazer um
vácuo suficiente em ampolas de vidro, como provou William Crookes, devolvem-se
essas partículas ao estado de liberdade e de actividade, tanto mais acentuado
quanto maior for a rarefacção. Com vácuo maior, sob a influência de uma
corrente eléctrica, essas radiações apresentam cores delicadas, carmins e violetas e
produzem-se, então, fluorescências que atingem o prodígio.
Esses fenómenos luminosos vêm confirmar o que nos dizem
os espíritos sobre as propriedades da matéria subtil e os efeitos de luz, o
uso das cores que desempenham tão grande papel em todas as situações da vida do
Espaço.
Aumentando-se mais a rarefacção, obtêm-se radiações mais
poderosas. Os raios catódicos, ao chocar as paredes de vidro, aumentam de
intensidade e tomam o nome de raios X. (II) O seu poder de penetração
ultrapassa tudo o que se conhecia antes deles; eles atravessam a madeira, os
tecidos, os metais e mesmo as paredes; e verificou-se que sua acção se fazia
sentir até 50 metros do ponto de emissão. O seu uso necessita de
cuidados minuciosos, pois, se contribuíram para tratar de várias doenças,
causaram também, às vezes, doenças mortais.
Todas essas descobertas nos revelam a existência de
forças evidenciadas pela dissociação da matéria e que os espíritos utilizavam,
desde muito tempo, nos fenómenos familiares aos estudantes do mundo invisível.
Não é demais insistir no facto de que os corpos ditos
sólidos têm apenas uma densidade aparente, que resulta da imperfeição de nossos
sentidos, e que, na realidade, eles se compõem de moléculas separadas umas das
outras, por intervalos mais ou menos grandes, conforme a natureza desses
corpos. Isso nos explica a sua penetrabilidade por radiações da matéria
subtil e dos fluidos, em particular. O fenómeno de transporte, de materialização
de espíritos e todos os factos dessa ordem encontram, aí, a sua
explicação e todos aqueles que estudam, com atenção, essa Ciência do invisível,
chegam a compreender e a admirar a harmonia das leis que unem o mundo sensível
às forças e às manifestações do Além.
/…
(I) A análise da matéria, seja sólida, líquida ou gasosa,
apresenta resultados inesperados. Foi assim que um físico calculou que um litro
de ar (respirável) contém milhares de triliões de moléculas de oxigénio. Essas
partículas, elas próprias, seriam apenas grupos de partículas ainda mais
subtis; é assim que se chega à unidade da matéria reconhecida, agora, pela
Ciência e que, segundo os alquimistas, justificam as esperanças no que se
refere à transmutação dos corpos.
(II) Descobertos por W. Roentgen (1845-1923),
físico alemão.
Léon Denis, O Espiritismo e as Forças Radiantes,
Capítulo III, 1 de 4, 7º fragmento da obra.
(imagem: Anos e Anos de Viagem Sideral, pintura em acrílico de Costa Brites)
(imagem: Anos e Anos de Viagem Sideral, pintura em acrílico de Costa Brites)
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